Guerra contra Irã pode causar a pior recessão nas economias regionais em décadas, diz mídia

© RS/via FotosPublicas
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As tensões no Oriente Médio, decorrentes do ataque dos EUA e de Israel ao Irã, representam uma ameaça dramática para as principais economias da região, com projeções que alertam para impactos financeiros maiores do que os causados pela pandemia de COVID-19 de 2020, segundo a Bloomberg.
Se as hostilidades e o bloqueio do estreito de Ormuz continuarem até abril, a agência de notícias afirma que países como Catar e Kuwait podem enfrentar uma contração de até 14% em seu produto interno bruto (PIB). Essa queda representaria o pior colapso econômico para a região desde o início da Guerra do Golfo, no início da década de 1990.
De acordo com analistas do Goldman Sachs, o fechamento da principal rota marítima para o comércio de petróleo bruto criaria um cenário de "duplo impacto", afetando tanto as receitas do petróleo quanto os setores de investimento, turismo e imobiliário.
Enquanto países com infraestrutura de exportação menos desenvolvida enfrentam uma paralisia quase total, potências regionais como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos estão tentando mitigar o impacto desviando seus fluxos de petróleo para rotas alternativas, embora suas economias ainda devam sofrer uma contração de 3% a 5%.
Nos mercados de energia, o conflito já elevou o preço do petróleo Brent para mais de US$ 100 (R$ 529,63) por barril, uma consequência direta da suspensão das exportações e dos cortes na produção em diversas partes do golfo. O impacto está sendo sentido globalmente devido ao colapso das remessas de gás natural liquefeito (GNL) do Catar e às reduções operacionais em setores-chave, como a fundição de alumínio no Bahrein, que foi severamente afetada pela interrupção logística no estreito de Ormuz.
Apesar da volatilidade, especialistas sugerem que a Arábia Saudita pode ser o país com maior resiliência diante de uma guerra prolongada. Graças à eficácia de seus sistemas de defesa contra ataques iranianos e à manutenção de suas principais atividades comerciais, o reino se posiciona como o ator menos vulnerável.
De fato, alguns economistas sugerem que, se os preços do petróleo bruto permanecerem altos e o Reino conseguir manter suas exportações, o déficit fiscal anual de Riad poderá ser ainda menor do que os 3,3% originalmente projetados para 2026.
A dinâmica orçamentária na região apresenta nuances importantes: enquanto os Emirados Árabes Unidos mantêm uma perspectiva de superávit para o atual ano fiscal, o déficit do Catar provavelmente aumentará devido à paralisação de seus ativos energéticos.
No entanto, a Bloomberg observa que o mercado de dívida ainda não reflete um alarme generalizado entre os investidores internacionais, que parecem apostar em uma resolução do conflito em curto prazo antes de ajustar drasticamente as avaliações dos títulos soberanos da região.



