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Zelensky envolve Ucrânia na crise do Oriente Médio e constrange a Europa, diz analista

© AP Photo / Geert Vanden WijngaertVladimir Zelensky discursa em entrevista coletiva durante cúpula da UE em Bruxelas. Bélgica, 19 de dezembro de 2024
Vladimir Zelensky discursa em entrevista coletiva durante cúpula da UE em Bruxelas. Bélgica, 19 de dezembro de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 20.03.2026
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Ao contrário dos países europeus e outros membros da OTAN que evitam entrar diretamente no confronto no Oriente Médio entre Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou a crise no Oriente Médio, a Ucrânia, que já sofre com baixa tanto de contingente quanto de poderio bélico, enviou 201 especialistas em drones para auxiliar Washington e Tel Aviv.
Essa contradição exposta pelo regime de Kiev, apesar de estar com dificuldades no conflito contra a Rússia em diversos setores táticos, acaba gerando constrangimento entre o bloco europeu e a Casa Branca, que não recebeu nenhum apoio prático por parte dos aliados ocidentais em seu esforço de guerra contra o Irã, e segue bombardeando as bases estadunidenses na região.
Para Raquel dos Santos, professora de relações internacionais no Instituto de Estudos Estratégicos (Inest) da Universidade Federal Fluminense (UFF), essa situação expõe contradições internas no Ocidente.

"Há certo constrangimento e gera questionamentos de como um Estado dependente de financiamento europeu e que faz campanha de mobilização até de estrangeiros por falta de pessoal pode se envolver em uma crise distante. Isso demonstra que não há interesse de [Vladimir] Zelensky em terminar com o conflito dentro de seu próprio país", disse.

Outro ponto levantado pela internacionalista é que isso mostra de forma acentuada que há uma cisão no Ocidente sobre posicionamentos políticos, cooperação um com o outro e que os elos aliados não são tão sólidos quanto parecem ser, já que essa relação entre países ocidentais vem se desgastando ao longo dos anos.

"Esse movimento de distanciamento político e estratégico dentro do que chamamos de bloco ocidental já vem acontecendo há bastante tempo. Inclusive com os EUA questionando a relação aos gastos que os europeus destinam para a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] e, até mesmo, a União Europeia ter ficado em segundo plano na negociação de paz na Ucrânia. Então, essa fragmentação já possui grandes divergências de percepções", pontuou.

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Oriente Médio pode agravar crise ucraniana

A pesquisadora também analisa que essa atitude de Zelensky é ainda mais contraditória internamente, já que os ucranianos não têm condições de manter suas próprias tropas e, com essa atitude, acaba gerando mais obstáculos internos, inclusive no campo militar, por descentralizar esforços.

"Essa ação de Zelensky soa populista, ou seja, a Ucrânia não tem nem recursos militares para si e ainda coloca o pouco que tem à disposição dos Estados Unidos e de Israel em um confronto no qual não tem envolvimento direto. Além disso, cabe a dúvida se, de fato, os ucranianos possuem condições para estar no Oriente Médio neste momento, já que passam por uma grave crise interna", comenta.

No âmbito doméstico, a analista observa que a participação ucraniana na incursão estadunidense-israelense contra Teerã pode gerar outras reações em cadeia, tais como a intensificação da rejeição interna a Zelensky em diversos espectros da sociedade e de outros segmentos da política local.

"Além da possibilidade de redução da assistência militar à Ucrânia, isso pode fazer com que a própria população perceba um esgotamento maior das possibilidades de continuar o conflito contra a Rússia. Em paralelo, já há uma dissonância entre os militares e Zelensky, que ainda se mantém na liderança do governo devido ao confronto", destaca.

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Ucrânia tenta conseguir capital político com os EUA

Apesar de contar com maior ajuda por parte do lado europeu, os ucranianos tentam barganhar apoio maior do lado norte-americano ao acenar com sua lealdade. Segundo a professora, isso é algo histórico na relação entre Washington e Kiev.

"A Ucrânia, historicamente, desde seu período pós-independência, sempre se aliou aos Estados Unidos em diferentes conflitos que surgiram após a década de 1990, como no Iraque e Afeganistão. No atual conflito no golfo vemos a mesma coisa, e no atual momento tenta conquistar capital político com o governo Trump, mostrando que está lutando ao seu lado, mas, em termos práticos, Kiev tem pouco a ganhar", conclui.

A escalada de tensão no Oriente Médio, além de ter ocasionado diversos impactos no mundo, também acentuou o distanciamento entre os aliados históricos EUA e Europa. E a Ucrânia ficou entre os dois polos.
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