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Mediador do conflito, Paquistão tem interesses próprios na paz entre EUA e Irã, diz especialista

© AP Photo / Amr NabilO primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, dircusa diante do olhar atento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em outubro de 2025
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, dircusa diante do olhar atento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em outubro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 30.03.2026
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Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialista comenta tradição diplomática de Islamabad, contradições do governo paquistanês e real papel da nação na intermediação entre Teerã e Washington.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou no último domingo (29) que negociações entre EUA e Irã podem ocorrer em Islamabad nos próximos dias. Segundo o chanceler paquistanês, a iniciativa é incentivada pela China.
Em um primeiro momento, pode causar certo estranhamento o palco dessas negociações serem o Paquistão, e não a Turquia, a Suíça ou até mesmo Omã, que tem abrigado conversas de alto nível recentemente entre nações com contenciosos. No entanto, Islamabad tem história diplomática e, além disso, interesses na paz no Oriente Médio.
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, João Nicolini, professor da King's Brazil Institute, explica que o Paquistão possui "legitimidade diplomática" conquistada na época da Guerra Fria, quando sediou conversas que envolveram países como China, Estados Unidos e União Soviética. Esse compromisso com o diálogo também se estendeu às tratativas de norte-americanos com o Talibã para a saída de tropas do Afeganistão.
Apesar do histórico, Nicolini destaca que o país possui contenciosos com vizinhos, como o Afeganistão e a Índia, além de grande violência interna.

"Em termos de legitimidade, de capacidade propriamente dita, o Paquistão não é, digamos, visto pela comunidade internacional como uma Suíça, uma Noruega, um país sempre neutro, aquela coisa de prover resoluções e ser um espaço."

O analista também ressalta que Islamabad tem interesses financeiros na promoção da paz no Oriente Médio. Há uma grande migração de paquistaneses para países como o Catar e os Emirados Árabes Unidos em busca de emprego e, consequentemente, essa mão de obra envia de volta ao país de origem parte de seus salários.

"Não é aquela população que vive nas melhores condições de vida do mundo, obviamente, mas eles têm um papel importante ao mandar muita remessa em dólares para suas famílias no Paquistão."

Outra questão delicada para Islamabad é o aumento do preço do petróleo — commodity do qual o país é extremamente dependente para o funcionamento de suas usinas termoelétricas, com 30% do combustível fóssil tendo origem no Oriente Médio. A escassez gera inflação e, para o especialista, qualquer mudança de preço nas prateleiras dos mercados paquistaneses pode causar problemas de protestos civis.
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Por que o Paquistão?

Islamabad tem interesses políticos, diplomáticos e econômicos para receber as negociações e, obviamente, no sucesso das conversas entre Teerã e Washington. Já Estados Unidos e Irã, por sua vez, sentarão à mesa onde restou.
De acordo com Nicolini, Catar e Omã, que costumam receber negociações no Oriente Médio, estão envolvidos no conflito após o Irã bombardear pontos estratégicos desses países, que possuem bases dos Estados Unidos. Teerã também não teria confiança em colocar essas questões em um palco europeu, supostamente inclinado aos norte-americanos.
Para o professor, o Paquistão não exercerá influência determinante para as conversas entre as partes.

"O Paquistão não tem capacidade em nenhum cenário de ser o provedor de paz. Ele vai servir muito mais como uma rede de transmissão, como foi, por exemplo, o Catar durante as negociações também com o Talibã e os americanos, que funcionou ali para, digamos, juntar os diplomatas, os contatos, e tentar encontrar um espaço para que eles pudessem chegar a um denominador comum e resolver essa crise diplomática."

Apesar do papel incipiente de Islamabad no imbróglio, Nicolini aponta que a promoção de diálogo já gera resultados.

"Israel, por exemplo, supostamente tinha uma lista de alvo com algumas autoridades iranianas e, por meio do Paquistão, os americanos pediram para Israel tirar essas pessoas da lista de alvo. Então, parece que o Paquistão minimamente já tem conseguido fazer algumas concessões dentro do cenário, para tentar reduzir essa animosidade promovida pelos países que estão em guerra."

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