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Economia argentina cresce, salários e consumo caem: 'não há efeito redistributivo', alerta especialista

© AP Photo / Natasha PisarenkoPeso argentino e dólar norte-americano
Peso argentino e dólar norte-americano - Sputnik Brasil, 1920, 31.03.2026
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Dados divulgados pelas autoridades argentinas nesta segunda-feira (30) apontam que a atividade econômica do país cresceu quase 2% no início de 2026, impulsionada pelo crescimento dos setores primário e financeiro.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC), a atividade econômica avançou 1,9% em janeiro, na comparação com o mesmo mês de 2025, impulsionada pelo salto na agricultura (+25,1%) e na mineração (+9,6%), dois dos setores que registraram melhor desempenho nos últimos meses.
A expansão também foi acompanhada pelo crescimento da pesca (50,8%) e da intermediação financeira (7,7%). O dado foi amplamente comemorado pelo governo do presidente Javier Milei. O ministro da Economia, Luis Caputo, anunciou um "novo máximo histórico" do dado informado.
No entanto, os dados contrastam com a queda no consumo e no comércio, em meio ao atraso dos salários, que voltaram a perder para a inflação.
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No mesmo período, a indústria manufatureira voltou a cair 2,6% no ano e o comércio recuou 3,2%, tensionando o cenário do trabalho, por se tratar de dois dos setores que mais empregam mão de obra na Argentina, como explicou a Sputnik, o economis Martín Pollera e diretor da consultoria Atenas.
"Se compararmos com o ano de 2023, a indústria continua 8% abaixo, a construção civil 14% e o comércio 4%", detalhou.
Em termos interanuais, o número de trabalhadores informais aumentou, enquanto o emprego formal recuou, o que reflete um deslocamento para formas de inserção laboral de menor qualidade.

"Há setores que efetivamente crescem — mineração, energia, parte do agro —, mas são aqueles que geram pouca mão de obra e têm escassa integração com o resto da economia", disse Pollera.

Ainda segundo o INDEC, o desemprego aumentou no final de 2025, situando-se em 7,5%, e a informalidade subiu para 43%, já atingindo 5,8 milhões de trabalhadores sem contribuições previdenciárias nem cobertura formal.
O economista alertou que os setores em expansão não têm a mesma capacidade de absorção de mão de obra.

"Os setores que crescem, como mineração ou energia, juntos não geram nem 15% do emprego que a indústria perde", apontou. "Os empregos que eventualmente a mineração gera estão no norte, e os da energia, na Patagônia, ao sul, enquanto os que são destruídos estão na região metropolitana e nas cidades industriais. Essas pessoas não podem ser requalificadas nem transferidas de um dia para o outro", explicou.

Em janeiro, os salários ficaram abaixo da inflação: subiram 2,5% contra 2,8% de alta nos preços. Dessa forma, consolidou-se uma tendência que começou a se delinear durante 2025: na comparação interanual, a alta dos salários (28%) ficou cerca de sete pontos percentuais abaixo da inflação (35%).
Segundo a consultoria especializada Scentia, o consumo de massa caiu 3,4% em termos interanuais em fevereiro, o maior retrocesso dos últimos 12 meses. A contração foi um denominador comum em todos os canais tradicionais, com ênfase nos supermercados, onde a queda acentuou-se para 5,9%.

Em entrevista à Sputnik, o economista Eduardo Jacobs afirmou que o emprego formal perde peso diante de formas de trabalho mais instáveis: "estamos diante de um processo de mudanças que não se explica apenas com os dados setoriais tradicionais", apontou.

De acordo com o especialista, a redução na demanda responde a uma correção positiva e não há uma queda do consumo em geral, mas sim uma realocação dos recursos.
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"O consumo não tem a voracidade que tinha em um contexto inflacionário. Antes, consumíamos para nos livrar dos pesos, porque eles perdiam valor, e isso evidenciava um problema maior. O consumo está muito mais condicionado por decisões de restrição do que por impulso. O que estamos vendo é uma reestruturação da economia mais do que uma dinâmica tradicional de crescimento", destacou.

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