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'Matriz ideológica': Espanha nega apoio aos EUA contra Irã para manter coesão política, diz analista
'Matriz ideológica': Espanha nega apoio aos EUA contra Irã para manter coesão política, diz analista
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Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialistas afirmam que o governo do premiê espanhol, Pedro Sánchez, se sustenta graças ao apoio de... 02.04.2026, Sputnik Brasil
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O comportamento do governo espanhol diante dos últimos acontecimentos no Oriente Médio chamou atenção no cenário internacional. O premiê espanhol, Pedro Sánchez, se recusou a autorizar o uso de bases militares americanas em território espanhol para ataques contra o Irã.Além disso, o governo espanhol está abrindo o país para a chegada de imigrantes e vai regularizar imigrantes indocumentados ou solicitantes de asilo que consigam comprovar residência de ao menos cinco meses no país e não tenham antecedentes criminais.O anúncio representou um não às ameaças feitas pelos EUA para pressionar países europeus a se engajarem na guerra lançada contra o Irã. Em resposta, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os EUA cortarão o comércio com a Espanha.Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Bernardo Kocher, professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirma que o posicionamento de Sánchez sinaliza que a Espanha não está neutra em relação ao conflito; ela está "frontalmente contra".Um dos motivos para isso é o fato de a Espanha ter um governo de esquerda, liderado pelo Partido Socialista Operário Espanhol, e é da natureza desse partido ter esse posicionamento. Outro motivo é a aproximação das eleições regionais no país, acompanhadas de crise econômica."Mas, no caso espanhol, consolidou-se essa oposição frontal […] quando o presidente Trump chegou ao poder. Ele anunciou que não ia mais financiar a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] e que os governos europeus partícipes da aliança teriam que aumentar seus orçamentos militares […]. Isso é uma elevação de custos muito grande, e o primeiro-ministro espanhol disse que não faria essa elevação e que já tinha havido atrito entre o governo Trump e o governo espanhol."Além disso, ele destaca que o governo espanhol não cederia aos EUA suas bases militares por considerar ilegal o ataque norte-americano ao Irã.Kocher acrescenta que a Espanha está preocupada sobretudo com a crise que pode vir em decorrência da guerra e que, assim como toda a Europa, o país está em uma situação delicada."A guerra e as consequências da guerra, eu creio que vão ser bastante danosas para a atividade econômica, portanto para a arrecadação de impostos e para a prestação de serviços públicos para a população — um conjunto de problemas que, como se diz no jargão político moderno, já estão contratados. A crise está contratada."Carlo Cauti, jornalista e professor de relações internacionais do Ibmec, avalia que os motivos da rejeição espanhola em ceder bases aos EUA têm mais a ver com uma necessidade de manter a coesão política do que com um posicionamento internacional. Ele frisa que o atual governo espanhol se sustenta graças ao apoio de partidos separatistas.Cauti acrescenta que a Espanha não é a única que não tem interesse em entrar na guerra de EUA e Israel contra o Irã. Segundo ele, nenhum país europeu tem interesse em colaborar com o conflito."Até mesmo os britânicos, que sempre foram os aliados privilegiados dos americanos, nenhum país europeu quer entrar nesse conflito. Por uma questão muito banal: não é um conflito coberto pelo direito internacional. A ONU não autorizou esse conflito, não é um conflito que as constituições dos países europeus permitem atuar."Ele ressalta que a Espanha tem uma relação com o Irã de natureza comercial, assim como outros países europeus, que foi colocada nos mínimos termos por causa das sanções ao país persa, mas não tem ligações políticas maiores nem ideológicas.
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'Matriz ideológica': Espanha nega apoio aos EUA contra Irã para manter coesão política, diz analista
18:30 02.04.2026 (atualizado: 19:26 02.04.2026) Especiais
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialistas afirmam que o governo do premiê espanhol, Pedro Sánchez, se sustenta graças ao apoio de partidos separatistas e recorre a pautas ideológicas para se manter estável.
O comportamento do governo espanhol diante dos últimos acontecimentos no Oriente Médio chamou atenção no cenário internacional. O
premiê espanhol, Pedro Sánchez, se recusou a autorizar o uso de bases militares americanas em território espanhol para ataques contra o Irã.
Além disso, o governo espanhol está abrindo o país para a chegada de imigrantes e vai regularizar imigrantes indocumentados ou solicitantes de asilo que consigam comprovar residência de ao menos cinco meses no país e não tenham antecedentes criminais.
O anúncio representou um não às ameaças feitas pelos EUA para pressionar países europeus a se engajarem na
guerra lançada contra o Irã. Em resposta, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os EUA cortarão o comércio com a Espanha.
Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Bernardo Kocher, professor do Departamento de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), afirma que o posicionamento de Sánchez sinaliza que a Espanha não está neutra em relação ao conflito; ela está "frontalmente contra".
Um dos motivos para isso é o fato de a Espanha ter um governo de esquerda, liderado pelo Partido Socialista Operário Espanhol, e é da natureza desse partido ter esse posicionamento. Outro motivo é a aproximação das eleições regionais no país, acompanhadas de crise econômica.
"Mas, no caso espanhol, consolidou-se essa oposição frontal […] quando o presidente Trump chegou ao poder. Ele anunciou que não ia mais financiar a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] e que os governos europeus partícipes da aliança teriam que aumentar seus orçamentos militares […]. Isso é uma elevação de custos muito grande, e o primeiro-ministro espanhol disse que não faria essa elevação e que já tinha havido atrito entre o governo Trump e o governo espanhol."
Além disso, ele destaca que o governo espanhol não cederia aos EUA suas bases militares por considerar ilegal o ataque norte-americano ao Irã.
"É uma coisa isolada do governo, mas ele não pretende criar uma tradição de ruptura, não pretende introduzir uma ruptura nas relações tradicionais com a OTAN, seja com os EUA, seja com quem for. Só não quer participar dessa guerra, avalia que politicamente não é adequado entrar nessa guerra."
Kocher acrescenta que a Espanha está preocupada sobretudo com a crise que pode vir em decorrência da guerra e que, assim como toda a Europa, o país está em uma situação delicada.
"A guerra e as consequências da guerra, eu creio que vão ser bastante danosas para a atividade econômica, portanto para a arrecadação de impostos e para a prestação de serviços públicos para a população — um conjunto de problemas que, como se diz no jargão político moderno, já estão contratados. A crise está contratada."
Carlo Cauti, jornalista e professor de relações internacionais do Ibmec, avalia que os motivos da rejeição espanhola em ceder bases aos EUA têm mais a ver com uma necessidade de manter a coesão política do que com um posicionamento internacional. Ele frisa que o atual governo espanhol se sustenta graças ao apoio de partidos separatistas.
"Então, para manter todos juntos, é necessário usar instrumentos retóricos e pautas ideológicas, e […] é uma guerra que a Espanha não tem nenhum interesse em entrar", afirma.
Cauti acrescenta que
a Espanha não é a única que não tem interesse em entrar na guerra de EUA e Israel contra o Irã. Segundo ele,
nenhum país europeu tem interesse em colaborar com o conflito.
"Até mesmo os britânicos, que sempre foram os aliados privilegiados dos americanos, nenhum país europeu quer entrar nesse conflito. Por uma questão muito banal: não é um conflito coberto pelo direito internacional. A ONU não autorizou esse conflito, não é um conflito que as constituições dos países europeus permitem atuar."
Ele ressalta que a Espanha tem uma relação com o Irã de natureza comercial, assim como outros países europeus, que foi colocada nos mínimos termos por causa das sanções ao país persa, mas não tem ligações políticas maiores nem ideológicas.
"A questão é um antiamericanismo, vamos dizer assim, uma contraposição mais dura do Pedro Sánchez contra o Trump. Não apenas na questão do Irã, em qualquer outro tipo de situação. Então, de novo, o que motiva hoje os espanhóis é uma matriz ideológica, e não tanto geopolítica", afirma o especialista.
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