Mídia: Trump ameaça tomar ilha petrolífera iraniana, elevando risco de escalada no golfo

© AP Photo / Horst Faas
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A ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de tomar a ilha de Kharg — principal terminal petrolífero do Irã — elevou tensões no golfo Pérsico. A ilha, responsável por cerca de 90% das exportações iranianas de petróleo bruto, tornou-se foco de preocupação devido à sua localização estratégica e à proximidade de bases de mísseis e drones iranianos.
O governo Trump avalia enviar tropas para ocupar Kharg como forma de pressionar Teerã a reabrir o estreito de Ormuz, fechado após ataques conjuntos de EUA e Israel. Em discurso recente, Trump afirmou que os objetivos da Operação Fúria Épica estavam "quase concluídos", mas voltou a sugerir ações que poderiam causar danos significativos, alimentando temores de uma ofensiva direta.
Trump já havia declarado que pretendia "tomar o petróleo do Irã" ao capturar Kharg, reforçando a possibilidade de uma operação militar. A chegada do navio de assalto anfíbio USS Tripoli ao Oriente Médio sinalizou maior prontidão dos EUA para ações de desembarque, com capacidade para operar caças F-35B, aeronaves MV-22 Osprey e embarcações de transporte de tropas.
Analistas, porém, alertaram ao South China Morning Post que uma invasão terrestre seria extremamente arriscada. A ilha está próxima do território continental iraniano, permitindo respostas rápidas com mísseis e drones.
Além disso, qualquer frota norte-americana teria de atravessar o estreito de Ormuz, vulnerável a emboscadas a partir de posições fortificadas nas montanhas.
Especialistas militares sugerem que uma operação eficaz exigiria primeiro o controle de pontos estratégicos ao longo do estreito, com desembarques de Osprey para estabelecer postos avançados e guiar ataques aéreos. Apenas depois disso seria possível considerar a ocupação de Kharg, reduzindo o risco de retaliações diretas contra tropas norte-americanas.
Segundo a apuração, relatórios indicam que o Irã já reforçou as defesas da ilha, instalando sistemas adicionais de mísseis terra-ar, minas antipessoal e antitanque, além de deslocar mais militares para a região. A preparação iraniana sugere que qualquer tentativa de tomada da ilha enfrentaria resistência significativa.
As consequências econômicas de um ataque seriam graves. Segundo o JPMorgan, uma ofensiva contra Kharg interromperia imediatamente a maior parte das exportações iranianas de petróleo, ampliando o choque energético global.
Com o estreito de Ormuz parcialmente bloqueado e minado, os preços do petróleo já ultrapassam US$ 100 (R$ 518) por barril.
Ainda de acordo com a mídia, analistas alertam que uma escalada militar poderia desencadear retaliações iranianas no estreito ou contra infraestrutura energética regional, ampliando o impacto econômico e geopolítico.



