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'Linguagem narrativa da política entrou na lógica das mídias sociais', diz analista (VÍDEOS)

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Malware em smartphone (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 03.04.2026
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Em meio à saturação informacional, líderes e governos recorrem cada vez mais à comunicação bem-humorada como estratégia para tratar de temas sérios como a geopolítica a fim de engajar e ampliar seu público. Essa forma aparentemente descontraída pode distorcer fatos, além de ser um meio de atingir seu adversário ao influenciar a opinião pública.
Com todo esse processo construído no âmbito digital e com a aceleração do consumo de conteúdos pelo internauta, o meio político também se readaptou a essa realidade e passou a operar no ritmo das trends tão populares nas plataformas virtuais, contextualiza o professor Viktor Chagas, professor de Comunicação Política do curso Estudos de Mídia da Universidade Federal Fluminense (UFF), em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil.

"A gente tem visto um conjunto de políticos apelando a artifícios performáticos, fazendo dancinhas, construindo esquetes em vídeos curtos que são muito típicos, por exemplo, nas chamadas trends digitais. Então, de fato, estamos vivendo um momento em que a política está intrinsecamente associada com as mídias sociais", disse.

O especialista também aponta que o processo de midiatização da política não é algo necessariamente novo e faz parte da evolução estratégica de como se comunicar e aproximar determinada figura política de seu eleitor e da sua base de apoio popular, que pode ser expandida a partir da identificação.

"A midiatização da política está inserida pela lógica da mídia, não só no digital, mas também na TV, rádio e jornais. Nos anos 90, discutia-se como os candidatos alteravam os discursos devido à campanha televisionada. A construção de um personagem a partir do ator político é uma vantagem que favorece a humanização e aproximação com o público", comenta.

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Memórias afetivas também engajam narrativas

No atual conflito no Oriente Médio, passaram a circular na Internet diversos tipos de conteúdos, desde memes a vídeos feitos a partir de Inteligência Artificial (IA), entre os quais havia um em que personagens em estilo Lego ridicularizaram a atuação de EUA e Israel no conflito contra o Irã.
Chagas aponta que esse tipo de expediente é algo típico da esfera digital que busca não apenas engajar apoiadores, mas, sim, atrair um grupo de pessoas que vão se identificar com as imagens utilizadas que fazem parte de sua memória afetiva. Por isso, acabam propagando aquela mensagem por meio de compartilhamentos.

"Para pensarmos como esses conteúdos constroem relações intertextuais com elementos da cultura pop e da memória afetiva, como Lego e super-heróis, é uma associação típica do ambiente digital, de empreender uma narrativa a um conjunto de pessoas que vão se identificar e vai auxiliar na circulação dessas mensagens", destaca.

O analista também contextualiza o conceito de conteúdo sintético, que é uma série de imagens aleatórias utilizadas para validar um discurso narrativo, e isso é bem comum na linguagem dos memes nas redes sociais e que ganhou mais proporção com a IA.

"O conteúdo sintético é aquele que é produzido sem necessariamente um ancoramento em uma ordem de acontecimentos e com personagens reais. A gente tem basicamente um conteúdo que é sintética e digitalmente produzido. Nesse contexto, não é possível saber exatamente quem produziu esses conteúdos que foram construídos a partir de uma instrução humana e pela própria IA generativa", explica.

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Memes como porta de entrada ao debate político

Se, por um lado, essa dinâmica pode contribuir para expandir a influência de atores políticos e governos a fim de atrair a atenção de um público a nível global através do universo on-line, por outro lado, é possível utilizar esses memes como porta de entrada para fomentar um debate público de qualidade como uma isca para conteúdos mais profundos, como enfatiza o professor.

"Nunca se discutiu tanto política quanto se discute hoje. A gente tem que saber lidar com o ônus disso. Os memes podem ser uma porta de entrada para cooptar o cidadão ao debate público de qualidade e não parando apenas no meme, mas, do ponto de vista político, há muita gente com interesse que o cidadão comum pare apenas nos memes", conclui.

No mundo digital, do qual a realidade e a ficção se fundem a ponto de trazer distorções, também serve, por outro lado, como uma ferramenta de engajamento popular. Desta forma, as redes sociais se tornam potenciais armas políticas por meio de narrativas.
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