https://noticiabrasil.net.br/20260408/analise-brasil-deve-usar-importacao-de-fertilizantes-para-estreitar-relacoes-49554357.html
Análise: Brasil deve usar importação de fertilizantes para estreitar relações
Análise: Brasil deve usar importação de fertilizantes para estreitar relações
Sputnik Brasil
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas apontaram a vantagem das boas relações entre Moscou e Brasília e a possibilidade brasileira de utilizar... 08.04.2026, Sputnik Brasil
2026-04-08T20:50-0300
2026-04-08T20:50-0300
2026-04-08T21:30-0300
panorama internacional
rússia
luiz inácio lula da silva
brasil
oriente médio
vídeo
relações bilaterais
diplomacia
relações diplomáticas
importações
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/04/08/49554591_0:0:3100:1743_1920x0_80_0_0_b4151d59fe14f9b6dbf69b4fe93c44d8.jpg
O Brasil aumentou o volume de importações de fertilizantes da Rússia no último mês, após o fechamento do estreito de Ormuz, com o início dos ataques ao Irã, promovidos por Estados Unidos e Israel.Segundo um levantamento realizado pela Sputnik com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram adquiridos US$ 331 milhões em fertilizantes: US$ 163,1 milhões em potássio; US$ 129,5 milhões em fertilizantes mistos; e US$ 38,4 milhões em fertilizantes nitrogenados.Estes números representam um volume maior que o dobro dos insumos russos importados em fevereiro, tornando a Rússia o maior fornecedor de fertilizantes para o Brasil.Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas destacaram os benefícios que as boas relações entre Brasília e Moscou podem proporcionar em momentos de urgência como esse, além das possibilidades de fortalecimento das relações diplomáticas por meio de importações.Jackson Campos, diretor de relações institucionais da empresa de logística AGL Cargo, afirmou que o balanço brasileiro no setor — obtendo 88% de seus fertilizantes por meio de importação — é um risco em momentos como este. No entanto, o alinhamento comercial com a Rússia permite um respiro ao Brasil e uma resposta rápida à guerra no Oriente Médio.Para Campos, o Brasil pode tirar boas lições industriais e logísticas da Rússia, em busca de aumentar sua capacidade própria de produção e uso mais eficiente dos próprios insumos.Alexis Toríbio Dantas, professor de economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, destaca que o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022) desmanchou parte da capacidade brasileira de produção de fertilizantes, entregando o setor para a iniciativa privada. Agora, o Brasil conta com a ajuda da Rússia e do Oriente Médio na área.Dantas destaca que a multipolaridade pregada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva gera frutos e deve ser cada vez mais focada nas relações Sul-Sul, em especial entre os membros do BRICS. Por outro lado, o professor reforça que é necessário pensar em uma reindustrialização brasileira.Campos, por sua vez, conta que a multipolaridade ajuda em momentos como este, de instabilidade e fechamento de importantes passagens marítimas, mas não desconsidera os limites logísticos impostos atualmente pelo conflito no Oriente Médio.O diretor da AGL Cargo explica que o fornecimento brasileiro de fertilizantes parte de diferentes origens: Belarus, Canadá, China, Egito, entre outros países. A lista aponta a tentativa brasileira de diversificação.Já Dantas é categórico ao afirmar que os dois primeiros governos Lula e Dilma traçavam um caminho para a busca de parceiros "que fossem complementares e suplementares às nossas demandas de relações internacionais".Para o professor, é importante que o Brasil restabeleça sua capacidade de produzir fertilizantes, mas, se Brasília optar por continuar o processo de importações deste insumo, este recurso pode fortalecer suas relações diplomáticas com outros governos.
https://noticiabrasil.net.br/20260322/preco-de-fertilizantes-dispara-com-guerra-no-oriente-medio-e-preocupa-agronegocio-brasileiro-diz-49126839.html
brasil
oriente médio
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
2026
notícias
br_BR
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/04/08/49554591_116:0:2847:2048_1920x0_80_0_0_8d715abcbc7e04adee5f18aa20eaf192.jpgSputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
rússia, luiz inácio lula da silva, brasil, oriente médio, vídeo, relações bilaterais, diplomacia, relações diplomáticas, importações, fertilizantes, agronegócio, economia
rússia, luiz inácio lula da silva, brasil, oriente médio, vídeo, relações bilaterais, diplomacia, relações diplomáticas, importações, fertilizantes, agronegócio, economia
Análise: Brasil deve usar importação de fertilizantes para estreitar relações
20:50 08.04.2026 (atualizado: 21:30 08.04.2026) Especiais
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas apontaram a vantagem das boas relações entre Moscou e Brasília e a possibilidade brasileira de utilizar importações como a russa para fortalecer relações diplomáticas.
O Brasil aumentou o volume de importações de fertilizantes da Rússia no último mês, após o fechamento do
estreito de Ormuz, com o início dos ataques ao Irã, promovidos por
Estados Unidos e Israel.
Segundo um levantamento realizado pela Sputnik com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram adquiridos US$ 331 milhões em fertilizantes: US$ 163,1 milhões em potássio; US$ 129,5 milhões em fertilizantes mistos; e US$ 38,4 milhões em fertilizantes nitrogenados.
Estes números representam um volume maior que o dobro dos insumos russos importados em fevereiro, tornando a Rússia o maior fornecedor de fertilizantes para o Brasil.
Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas destacaram os benefícios que as boas relações entre Brasília e Moscou podem proporcionar em momentos de urgência como esse, além das possibilidades de fortalecimento das relações diplomáticas por meio de importações.
Jackson Campos, diretor de relações institucionais da empresa de logística AGL Cargo, afirmou que o balanço brasileiro no setor — obtendo 88% de seus fertilizantes por meio de importação — é um risco em momentos como este. No entanto, o alinhamento comercial com a Rússia permite um respiro ao Brasil e uma resposta rápida à guerra no Oriente Médio.
"A lógica é simples: a Rússia hoje já é um fornecedor central para o Brasil, especialmente em potássicos e misturas, e o aumento recente das compras mostra que importadores brasileiros estão usando essa origem como alternativa para reduzir a exposição a rotas mais sensíveis ao conflito no Golfo."
Para Campos, o Brasil pode tirar boas lições industriais e logísticas da Rússia, em busca de aumentar sua capacidade própria de produção e uso mais eficiente dos próprios insumos.
"A Rússia combina escala de produção, acesso a matérias-primas, integração entre mineração, energia e indústria química, além de capacidade de exportar com regularidade."
Alexis Toríbio Dantas, professor de economia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, destaca que o governo de Jair Bolsonaro (2019–2022) desmanchou parte da capacidade brasileira de produção de fertilizantes, entregando o setor para a iniciativa privada. Agora, o Brasil conta com a ajuda da Rússia e do Oriente Médio na área.
"A gente já tem um plano de retomar a produção interna de fertilizantes, mas, até que isso seja efetivamente definido, a gente ainda vai ficar muito dependente das importações. E eu acho que a parceria com a Rússia vai ficar cada vez mais evidente nesse sentido."
Dantas destaca que a multipolaridade pregada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva gera frutos e deve ser cada vez mais focada nas relações Sul-Sul, em especial entre os membros do BRICS. Por outro lado, o professor reforça que é necessário pensar em uma reindustrialização brasileira.
Campos, por sua vez, conta que
a multipolaridade ajuda em momentos como este, de instabilidade e fechamento de importantes passagens marítimas, mas não desconsidera os limites logísticos impostos atualmente pelo
conflito no Oriente Médio."Se uma rota crítica sofre disrupção, o impacto vem por frete, tempo e custo, independentemente de alianças."
O diretor da AGL Cargo explica que o fornecimento brasileiro de fertilizantes parte de diferentes origens: Belarus, Canadá, China, Egito, entre outros países. A lista aponta a tentativa brasileira de diversificação.
Já Dantas é categórico ao afirmar que os dois primeiros governos Lula e Dilma traçavam um caminho para a busca de parceiros "que fossem complementares e suplementares às nossas demandas de relações internacionais".
Para o professor, é importante que o Brasil restabeleça sua capacidade de produzir fertilizantes, mas, se Brasília optar por continuar o processo de importações deste insumo, este recurso pode fortalecer suas relações diplomáticas com outros governos.
"A gente pode pensar, então, em uma produção interna [de fertilizantes] junto com o processo diplomático, para ter relações internacionais importantes com países como a Rússia, que é um grande exportador mundial de fertilizantes."
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!
Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).