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'Se os EUA deixam a OTAN, a Europa não pode sustentar a estrutura sozinha', diz analista (VÍDEOS)

© Алексей Витвицкий5588071 12.07.2018 Президент США Дональд Трамп на саммите глав государств и глав правительств стран-участниц Североатлантического альянса (НАТО) в Брюсселе. Алексей Витвицкий / РИА Новости
5588071 12.07.2018 Президент США Дональд Трамп на саммите глав государств и глав правительств стран-участниц Североатлантического альянса (НАТО) в Брюсселе. Алексей Витвицкий / РИА Новости - Sputnik Brasil, 1920, 08.04.2026
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A insatisfação do governo Donald Trump com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) fez com que os países europeus destinassem mais recursos ao orçamento do bloco militar, no entanto, a Europa segue dependente dos Estados Unidos tanto para o funcionamento estrutural quanto para a manutenção e expansão do poderio bélico.
Nesse cenário adverso e complexo dentro do grupo, pensar em uma 'OTAN mais europeia', ou seja, sem tanta influência americana, seria inviável, conforme aponta Valdir Bezerra, mestre em relações internacionais pela Universidade Estatal de São Petersburgo, na Rússia, em entrevista à Sputnik Brasil.

"Os EUA contribuem com cerca de 15% do orçamento geral da OTAN e são responsáveis por mais de 60% dos gastos com Defesa. Isso indica uma dependência muito forte dentro da aliança. Em uma eventual saída dos EUA, que particularmente não acredito que aconteça, seria muito difícil que os europeus possam sustentar essa estrutura", disse.

O internacionalista também ressalta que os princípios estratégicos da OTAN atendem, de antemão, os objetivos da política externa norte-americana no continente europeu, servindo assim como mais um ponto de expansão no cenário internacional.

"Os documentos de estratégia durante e depois do período da gestão de Bill Clinton deixam bem claro que a OTAN é uma cabeça de ponte dos EUA na Europa. Então, significa dizer que a Aliança Atlântica representa um elemento de submeter os países europeus, do ponto de vista da segurança, aos interesses de Washington", comenta.

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Falta de liderança faz Europa perder espaço na OTAN

Outro ponto levantado por Bezerra é que os atuais líderes europeus não têm capacidade para aglutinar forças e reivindicar uma liderança dentro do agrupamento ocidental, e isso faz com que sejam submetidos ao governo de turno na Casa Branca.

"Além da russofobia, existe muito pouco que une os europeus. Nós estamos falando de mais de duas dezenas de países, e seria muito difícil imaginar uma OTAN encabeçada por figuras como Emmanuel Macron ou mesmo Keir Starmer, que são líderes sem esse poder aglutinador."

O analista também enfatiza que o bloco europeu dentro da OTAN não é capaz de garantir a defesa nem de suprir os armamentos, uma vez que também depende da indústria bélica americana, o que acaba sendo mais um fator limitador.

"A Europa está obsoleta em termos de defesa. Aliás, não somente isso. Uma grande parte dos contratos de compra de armamentos que os europeus fazem são com empresas dos EUA. Então, em uma situação em que os Estados Unidos não estejam presentes, a Europa vai sofrer bastante, pelas deficiências militares e pela falta de liderança", destaca.

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Europa em crise também sua política interna

Por fim, o especialista reforça outro aspecto que impossibilita a OTAN ser remodelada a partir dos anseios europeus: a crise na política interna que os países enfrentam, o que debilita sua capacidade econômica para gastos além de suas fronteiras.

"O que acontece entre a OTAN e a Europa, a gente pode levar em consideração também o Japão, é que foram regiões que entregaram sua segurança aos americanos após a Guerra Fria para usar recursos na política de bem-estar social, que hoje não funciona mais. Isso deu certo por um tempo, mas agora vemos a Europa sofrer com inflação, desemprego e falta de perspectiva da população jovem", conclui.

A alta dependência da Europa pelos Estados Unidos demonstra que a falta de diversificação de parcerias estratégicas e a defasagem tecnológica na área militar pode não apenas comprometer a soberania de um país ou região, mas também submetê-los aos interesses de um potencial aliado que usa sua relação assimétrica como arma geopolítica.
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