Mídia: guerra no Irã leva petroleiros asiáticos a buscar petróleo dos EUA e pressiona preços

© AP Photo / Rafiq Maqbool
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Uma onda inédita de petroleiros asiáticos ruma aos EUA enquanto a guerra no Irã interrompe o fluxo pelo estreito de Ormuz, elevando a demanda por petróleo norte-americano e pressionando os preços internos, que já alimentam temores de inflação e desgaste político em Washington.
As exportações de petróleo dos EUA devem atingir um recorde em abril, impulsionadas por uma forte demanda asiática após a perda de suprimentos do Oriente Médio devido à guerra no Irã.
De acordo com o que disse a consultoria Kpler ao Financial Times, os embarques norte-americanos subirão para 5,2 milhões de barris por dia, enquanto as compras asiáticas quase dobram. Esse movimento é visível no aumento expressivo de petroleiros a caminho dos EUA — 68 navios, mais que o dobro do período pré‑conflito.
O fluxo crescente de navios evidencia o papel dos EUA como fornecedor global de equilíbrio, mas também pressiona os preços domésticos do petróleo. A guerra no Irã interrompeu o trânsito pelo estreito de Ormuz, rota por onde passa um quinto do petróleo mundial e que abastece majoritariamente a Ásia. Mesmo com um cessar-fogo temporário, o Irã voltou a fechar o estreito após ataques israelenses no Líbano, mantendo a instabilidade no mercado.
A interrupção prolongada elevou os preços do petróleo nos EUA em mais de 50% antes da trégua, e o West Texas Intermediate atingiu seu maior valor em quatro anos, acima de US$ 110 (R$ 561,60) por barril. Apesar da queda recente, os preços continuam muito acima dos níveis anteriores à guerra, alimentando preocupações inflacionárias e desgaste político para o presidente Donald Trump, que havia prometido reduzir os custos de energia.
Com gasolina acima de US$ 4 (R$ 20,42) por galão e diesel se aproximando de recordes, o governo liberou mais de 170 milhões de barris da Reserva Estratégica e flexibilizou normas ambientais para conter preços.
Analistas, porém, alertaram à mídia britânica que essas medidas podem tornar o petróleo norte-americano ainda mais atraente para compradores estrangeiros, ampliando exportações em vez de aliviar o mercado interno.
A capacidade de resposta doméstica também é limitada: as liberações da reserva não passam de um milhão a 1,5 milhão de barris por dia, enquanto o país consome cerca de 20 milhões. Além disso, parte do aumento das exportações decorre das maiores importações de petróleo pesado da Venezuela, cujo setor petrolífero está sob controle norte-americano após o sequestro de Nicolás Maduro. Como muitas refinarias dos EUA são adaptadas para petróleo pesado, o petróleo leve de xisto tende a ser exportado.
O impacto dos preços já levou parlamentares a defender a proibição temporária das exportações de petróleo, como o projeto anunciado pelo congressista Brad Sherman. A Casa Branca rejeitou a ideia até agora, mas especialistas afirmam que a posição pode mudar se os preços continuarem subindo com a aproximação das eleições de meio de mandato.
Para analistas do setor que falaram à apuração, controles de exportação poderiam reduzir a produção das refinarias e gerar efeitos colaterais indesejados. Ainda assim, observam que medidas consideradas inviáveis com gasolina a US$ 4 por galão podem voltar ao debate caso o preço chegue a US$ 6 (R$ 30,61), refletindo a crescente pressão política e econômica causada pela guerra no Oriente Médio.


