Crise no petróleo após tensão no Oriente Médio mobiliza respostas rápidas de vários países

© Sputnik / Maksim Blinov
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Para conter os efeitos da escalada do conflito entre EUA, Israel e o Irã, governos de vários países começaram nesta quarta-feira (1º) a adotar medidas emergenciais para conter os efeitos da disparada do petróleo.
Governos ao redor do mundo começaram a adotar medidas emergenciais para conter os efeitos da disparada do petróleo, provocada pela escalada das tensões no Oriente Médio. A instabilidade no estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — reduziu a circulação de navios e pressionou os preços internacionais.
No Brasil, o governo lançou um plano para reduzir o custo do diesel importado, substituindo a proposta de desonerar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) por um subsídio direto aos importadores.
União e estados dividiriam igualmente o valor compensado, estimado em cerca de R$ 1,20 por litro. A medida, válida até maio, pode gerar impacto fiscal de R$ 3 bilhões por mês.
A Rússia avalia proibir exportações de gasolina até 31 de julho, considerando a escassez em certas regiões do país e áreas antes ucranianas libertas por Moscou. Embora o processamento de petróleo siga estável de acordo com o Kremlin, as restrições têm sido usadas para evitar desabastecimento e conter preços internos.
O Japão decidiu flexibilizar por um ano as regras de uso de usinas termelétricas a carvão, buscando diminuir a dependência do gás natural liquefeito (GNL), cujo abastecimento foi afetado pelo bloqueio no estreito de Ormuz. O país também liberou reservas de petróleo, ampliou subsídios e busca fornecedores alternativos.
Em Portugal, o governo propôs um subsídio temporário de € 0,10 (R$ 0,60) por litro de diesel para setores como agricultura, pesca e transporte público. A medida, que depende de aprovação parlamentar, só será acionada se os preços permanecerem acima dos níveis de março. O custo pode chegar a 450 milhões de euros em três meses.
Segundo o Poder 360, a Alemanha aprovou regras para limitar reajustes nos postos: a partir de abril, só será permitido um aumento diário, sempre ao meio-dia. O pacote inclui multas de até € 100 mil (R$ 600,6 mil) e endurecimento das normas antitruste, em meio à alta do diesel acima de € 2,00 (R$ 12,00) por litro e à pressão inflacionária.
Ainda de acordo com a mídia, a Noruega também aprovou cortes temporários nos impostos sobre gasolina e diesel, com validade até 1º de setembro. A decisão, acelerada pelo Parlamento, deve reduzir a arrecadação em pelo menos 3,3 bilhões de coroas norueguesas (aproximadamente R$ 1,77 bilhão). Também foram aprovados cortes em tributos sobre emissões de dióxido de carbono (CO₂).
Na Austrália, o governo anunciou um pacote emergencial que reduz pela metade o imposto sobre combustíveis por três meses, gerando economia de cerca de 26 centavos por litro para consumidores. O país também ativou um plano nacional de segurança energética e suspendeu tarifas para veículos pesados.
As medidas globais refletem a preocupação com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. Após semanas de declarações agressivas, Washington realizou um ataque contra o país persa, movimentou soldados para o Oriente Médio e sobrevoou a região com bombardeiros B-52, aumentando o risco de interrupções prolongadas no fluxo de petróleo e ampliando a volatilidade nos mercados.
O governo iraniano, por sua vez, sinalizou disposição para concessões diplomáticas, desde que os EUA reconheçam seu direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos e suspendam sanções econômicas. As conversas, no entanto, não avançaram, mantendo o cenário de incerteza que levou países a agir preventivamente.




