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'Nosso oceano não deve separar': Itamaraty avança em cooperação e segurança no Atlântico Sul

© Sputnik / Guilherme SchannerMinistros e autoridades de 24 países das duas margens do Atlântico Sul se reúnem na reunião da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), no Rio de Janeiro. Brasil, 9 de abril de 2026
Ministros e autoridades de 24 países das duas margens do Atlântico Sul se reúnem na reunião da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), no Rio de Janeiro. Brasil, 9 de abril de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 09.04.2026
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Reunião no Rio destaca compromisso com zona de paz, lança estratégia inédita de cooperação e amplia atuação conjunta contra crimes marítimos e desafios ambientais, com o Brasil defendendo o multilateralismo como eixo central.
Nesta quinta-feira (9), o Ministério das Relações Exteriores do Brasil promoveu a IX Reunião Ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas), na Escola Naval, na ilha de Villegaignon, na cidade do Rio de Janeiro. O encontro reuniu ministros e autoridades de 24 países das duas margens do Atlântico Sul, com o objetivo de fortalecer o diálogo, a cooperação e a segurança na região.
Concebida para aproximar países em torno de temas marítimos estratégicos, a Zopacas busca estreitar laços políticos e econômicos, ao mesmo tempo em que reforça a manutenção da paz no Atlântico Sul. Coordenado pelo chanceler Mauro Vieira, o evento contou com delegações sul-americanas, como Argentina e Uruguai, e, majoritariamente, africanas, evidenciando o caráter intercontinental da iniciativa.
Em seu discurso, Vieira destacou a trajetória da zona: "Construímos a Zopacas com base na cooperação, no diálogo e na confiança mútua", ressaltando que, quatro décadas após sua criação, o projeto permanece atual em um cenário internacional mais instável e marcado pelo aumento de conflitos. Ao transmitir a mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou ser essencial "evitar que o nosso oceano se torne palco de disputas geopolíticas".

"A ideia que inspirou a criação da Zopacas permanece relevante e atual. O nosso oceano não deve separar, mas conectar os países que ocupam suas duas margens."

Presidente do Paraguai, Santiago Peña, ao lado do homólogo norte-americano, Donald Trump, durante encontro que inaugurou a coalizão Escudo das Américas. Miami, EUA, 7 de março de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 17.03.2026
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Segundo o ministro, a Declaração do Rio de Janeiro reafirma o Atlântico Sul como zona de paz, livre de armas nucleares e de tensões externas, além de rejeitar a importação de rivalidades alheias à região. O documento também amplia a cooperação em defesa e segurança marítima, com ações conjuntas contra o narcotráfico, a pirataria, a pesca ilegal e os crimes ambientais.
Vieira destacou ainda avanços concretos, como a adoção da primeira Estratégia de Cooperação da Zopacas e a assinatura da Convenção para a Proteção do Meio Ambiente Marinho no Atlântico Sul — o primeiro acordo formal da zona. "Mais do que um espaço geográfico, a Zopacas é um projeto político e estratégico", afirmou, defendendo maior integração e desenvolvimento sustentável.
Em entrevista à Sputnik Brasil, a embaixadora Luiza Lopes da Silva, diretora adjunta da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), reforçou o papel central da cooperação como instrumento de política externa. "O Brasil tem se esforçado muito para construir relações por meio da cooperação, é a nossa vocação", afirmou. Segundo ela, trata-se de um modelo que "fortalece os vínculos" e permite identificar parceiros e interesses comuns de forma pragmática.
A embaixadora destacou que essa abordagem já foi aplicada em diferentes regiões e temas, sempre com o mesmo princípio: atuação conjunta. No caso do Atlântico Sul, ela apontou que a cooperação é essencial para enfrentar desafios compartilhados.

"Nós realmente precisamos trabalhar juntos na proteção do ambiente marinho do Atlântico Sul", disse, citando problemas como pesca predatória, derramamentos de óleo e narcotráfico por via marítima.

Luiza explicou que a estratégia será estruturada em áreas temáticas, nas quais cada país contribuirá conforme sua capacidade e interesse, formando redes de trabalho entre instituições. Esse modelo, segundo ela, antecede a formulação de projetos concretos e permite respostas mais coordenadas e eficazes. "A melhor maneira de fazer isso é com a cooperação entre os países", afirmou.
Apesar de mais gradual, ela avalia que o modelo é mais sólido e duradouro, por ser feito "em absoluta coordenação e consenso", acrescentando que o processo também fortalece os laços entre governos, técnicos e sociedades, ampliando o impacto da iniciativa no longo prazo.
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