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Astrônomos medem jatos de um buraco negro e revelam energia capaz de moldar galáxias

© Foto / Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia (ICRAR)O forte vento estelar da estrela supergigante empurra os jatos lançados pelo buraco negro para longe da estrela. Isso faz com que a direção do jato varie conforme o buraco negro e a estrela supergigante se movem em sua órbita
O forte vento estelar da estrela supergigante empurra os jatos lançados pelo buraco negro para longe da estrela. Isso faz com que a direção do jato varie conforme o buraco negro e a estrela supergigante se movem em sua órbita - Sputnik Brasil, 1920, 22.04.2026
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Buracos negros de Cygnus X‑1 revelaram jatos tão energéticos quanto 10 mil sóis, segundo medições inéditas do SKA. As observações mostram como o buraco negro desvia matéria da estrela supergigante azul e expulsa parte dela a metade da velocidade da luz, oferecendo um novo parâmetro para entender jatos que moldam galáxias inteiras.
Astrônomos observaram jatos emitidos por um buraco negro no sistema Cygnus X‑1, que está canibalizando uma estrela supergigante azul. Usando dados do radiotelescópio Observatório Square Kilometre Array (SKA), a equipe conseguiu medir diretamente a potência dessas estruturas, revelando que elas liberam energia equivalente à de 10.000 sóis, um valor capaz de influenciar o ambiente interestelar e até moldar galáxias inteiras.
Cygnus X‑1, localizado a cerca de 7.000 anos‑luz, é uma das fontes de raios X mais brilhantes do céu e abriga um buraco negro de aproximadamente 21 massas solares. Ele orbita tão próximo de sua estrela companheira — apenas 48 milhões de quilômetros, cerca de 20% da distância entre a Terra e o Sol — que arranca continuamente matéria de sua superfície.
© Foto / Robert LeaUma ilustração de um buraco negro supermassivo expelindo jatos poderosos de matéria criada com Canva
Uma ilustração de um buraco negro supermassivo expelindo jatos poderosos de matéria criada com Canva - Sputnik Brasil, 1920, 22.04.2026
Uma ilustração de um buraco negro supermassivo expelindo jatos poderosos de matéria criada com Canva
Essa matéria não cai diretamente no buraco negro: devido ao momento angular, ela forma um disco de acreção, uma estrutura giratória e extremamente quente que emite intensos raios X. A gravidade do buraco negro aquece o disco a níveis extremos, alimentando o processo que gera tanto radiação quanto jatos relativísticos.
Parte da matéria do disco não é engolida, mas em vez disso, é acelerada e expelida pelos polos do buraco negro em jatos poderosos que viajam a cerca de metade da velocidade da luz. Os astrônomos determinaram não apenas sua velocidade, mas também sua potência, algo que até então era difícil de medir diretamente.
A representação artística mostra o centro da galáxia Markarian 501, de onde emanam dois jatos poderosos. O buraco negro supermassivo no centro, cuja existência já era conhecida, curva parcialmente a luz do jato atrás dele, formando o chamado anel de Einstein. Este jato curvado provavelmente se origina de um segundo buraco negro, ainda não observado - Sputnik Brasil, 1920, 09.04.2026
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Astrônomos veem indícios de fusão iminente de buracos negros na galáxia Mrk 501 (IMAGENS)
As imagens obtidas pelo SKA mostraram que os jatos parecem "dançar", desviando-se em diferentes direções conforme o buraco negro e a estrela orbitam um ao outro. Segundo Steve Prabu, da Universidade de Oxford, essa dança é causada pelos ventos estelares da supergigante azul, que empurram e distorcem os jatos ao longo do tempo.
Os resultados confirmam que cerca de 10% da energia liberada pela matéria que cai em direção ao buraco negro é canalizada para esses jatos — um valor amplamente assumido em modelos cosmológicos, mas difícil de comprovar por observações.

A medição fornece, pela primeira vez, uma referência sólida para estimar a energia de jatos em outros sistemas.

A pesquisa também abre caminho para estudar jatos de buracos negros supermassivos, milhões ou bilhões de vezes mais massivos que o Sol. Como a física fundamental é semelhante, essa medição em Cygnus X‑1 permitirá calibrar futuras observações do SKA, que deverá detectar jatos em milhões de galáxias distantes, ajudando a entender como essas estruturas influenciam a evolução galáctica.
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