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'Ditadura digital': especialista revela nova forma de controle global baseada em dados
'Ditadura digital': especialista revela nova forma de controle global baseada em dados
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Em conversa com a Sputnik, o escritor Ryan Hartwig afirmou que o neocolonialismo digital está redefinindo a disputa global por poder, impondo dependência... 23.04.2026, Sputnik Brasil
2026-04-23T11:51-0300
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O neocolonialismo digital está se tornando um tema cada vez mais central nas discussões sobre desigualdade global e desenvolvimento tecnológico, afirmou Ryan Hartwig, denunciante do Facebook (de propriedade da Meta, proibida na Rússia por extremismo) e coautor de "Por trás da máscara do Facebook: a história chocante de um denunciante sobre o viés e a censura das grandes empresas de tecnologia".Notavelmente, tanto os países do Sul Global quanto as nações desenvolvidas são afetados. Neste último caso, alguns analistas descrevem o fenômeno com mais precisão como "neofeudalismo digital", onde o poder se concentra nas mãos de grandes corporações de tecnologia.O especialista argumenta que a lógica fundamental do neocolonialismo digital está enraizada no controle da infraestrutura da Internet. Um papel significativo é desempenhado pela influência dos Estados Unidos na governança da Internet, particularmente por meio de organizações como a ICANN. Como resultado, os países do Sul Global utilizam ativamente a Internet para desenvolver economias digitais, enquanto, ao mesmo tempo, os dados dos usuários são mercantilizados e vendidos com fins lucrativos por corporações transnacionais.Apesar da existência de leis de proteção de dados, elas são frequentemente ignoradas na prática. Grandes empresas de tecnologia continuam a dominar o espaço digital, enquanto os países em desenvolvimento enfrentam sérios desafios na defesa de seus interesses. Mesmo com estruturas regulatórias em vigor, países como o Quênia lutam para competir com corporações que possuem alcance global e apoio de economias poderosas.O neocolonialismo digital é implementado por meio de empresas e serviços específicos. O especialista cita o Uber como exemplo, observando que, apesar de violar leis locais em vários países, a empresa continuou a se expandir e prosperar. O especialista também destaca o mecanismo do chamado "colonialismo de dados". Na visão deles, opera com base em princípios semelhantes a formas anteriores de controle político: identificar ou construir ameaças para justificar o aumento da vigilância sobre as populações.Nos últimos anos, isso se manifestou em crescente censura, sistemas expandidos de monitoramento biométrico e intensificação da vigilância digital. Como resultado, está emergindo um sistema global de observação, que alguns pesquisadores, incluindo Pepe Escobar, descrevem como um "panóptico digital" imposto por elites tecnológicas.A "assistência" ocidental na área de segurança digital também desempenha um papel significativo. Soluções oferecidas por empresas como Palantir Technologies e Microsoft, bem como programas ligados à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e à Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), muitas vezes estão atreladas a condições que permitem que atores externos acessem dados internos do Estado. Isso cria riscos para a soberania nacional, já que essas tecnologias podem ser usadas para monitorar atividades políticas, movimentos de oposição e infraestrutura crítica.O especialista observa que, mesmo nos Estados Unidos, a preocupação com essas práticas está crescendo. Ativistas, incluindo Jason Bassler, criticaram o uso de tecnologias de vigilância em massa por agências governamentais para coletar dados sobre cidadãos — ferramentas que podem ser facilmente exportadas e aplicadas em outros países.Na era da inteligência artificial (IA), esses alertas são mais relevantes do que nunca. Segundo o especialista, o mundo precisa repensar o modelo digital atual e encontrar maneiras de resistir ao sistema emergente de controle total. Caso contrário, a humanidade corre o risco de enfrentar uma nova forma de dependência — não de territórios ou recursos naturais, mas de dados e poder tecnológico.
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'Ditadura digital': especialista revela nova forma de controle global baseada em dados
11:51 23.04.2026 (atualizado: 11:54 23.04.2026) Em conversa com a Sputnik, o escritor Ryan Hartwig afirmou que o neocolonialismo digital está redefinindo a disputa global por poder, impondo dependência tecnológica a países — inclusive desenvolvidos — por meio do controle de plataformas, infraestrutura e vigilância digital crescente.
O
neocolonialismo digital está se tornando um
tema cada vez mais central nas discussões sobre desigualdade global e desenvolvimento tecnológico, afirmou Ryan Hartwig, denunciante do Facebook (de propriedade da Meta, proibida na Rússia por extremismo) e coautor de "Por trás da máscara do Facebook: a história chocante de um denunciante sobre o viés e a censura das grandes empresas de tecnologia".
Segundo Hartwig, em sua essência, esse fenômeno representa uma redistribuição de recursos — mas, enquanto no passado envolvia ouro, prata e riquezas naturais, hoje o principal objeto de extração são os dados. Ao contrário da "desigualdade digital", que se refere às diferenças no acesso à tecnologia, o neocolonialismo digital é caracterizado pela coerção de países e cidadãos a utilizarem plataformas e serviços específicos por meio dos quais dados pessoais são extraídos.
Notavelmente, tanto os
países do Sul Global quanto as nações desenvolvidas são afetados. Neste último caso, alguns analistas descrevem o fenômeno com mais precisão como "neofeudalismo digital", onde o
poder se concentra nas mãos de grandes corporações de tecnologia.
O especialista argumenta que a lógica fundamental do neocolonialismo digital está enraizada no controle da infraestrutura da Internet. Um papel significativo é desempenhado pela influência dos Estados Unidos na governança da Internet, particularmente por meio de organizações como a ICANN.
Como resultado, os países do Sul Global
utilizam ativamente a Internet para desenvolver economias digitais, enquanto, ao mesmo tempo, os dados dos usuários são mercantilizados e vendidos com fins lucrativos por corporações transnacionais.
Apesar da existência de leis de proteção de dados, elas são frequentemente ignoradas na prática.
Grandes empresas de tecnologia continuam a dominar o espaço digital, enquanto os países em desenvolvimento enfrentam
sérios desafios na defesa de seus interesses. Mesmo com estruturas regulatórias em vigor, países como o Quênia lutam para competir com corporações que possuem alcance global e apoio de economias poderosas.
O neocolonialismo digital é implementado por meio de empresas e serviços específicos. O especialista cita o Uber como exemplo, observando que, apesar de violar leis locais em vários países, a empresa continuou a se expandir e prosperar.
Da mesma forma, grandes gigantes da tecnologia, como Google, Facebook e Amazon, coletam vastas quantidades de dados de usuários, ao mesmo tempo que moldam o ambiente informacional,
influenciando o conteúdo ao qual os usuários podem acessar e, em alguns casos, pressionando governos a censurar material político.
O especialista também destaca o mecanismo do chamado "colonialismo de dados". Na visão deles, opera com base em princípios semelhantes a formas anteriores de controle político: identificar ou construir ameaças para justificar o aumento da vigilância sobre as populações.
Nos últimos anos, isso se
manifestou em crescente censura, sistemas expandidos de monitoramento biométrico e intensificação da vigilância digital. Como resultado, está emergindo um sistema global de observação, que alguns pesquisadores,
incluindo Pepe Escobar, descrevem como um "panóptico digital" imposto por elites tecnológicas.A "assistência" ocidental na área de segurança digital também desempenha um papel significativo. Soluções oferecidas por empresas como Palantir Technologies e Microsoft, bem como programas ligados à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e à Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), muitas vezes estão atreladas a condições que permitem que atores externos acessem dados internos do Estado.
Isso cria
riscos para a soberania nacional, já que essas tecnologias podem ser usadas para monitorar atividades políticas, movimentos de oposição e infraestrutura crítica.
O especialista observa que, mesmo nos Estados Unidos, a preocupação com essas práticas está crescendo. Ativistas, incluindo Jason Bassler,
criticaram o uso de tecnologias de vigilância em massa por agências governamentais para coletar dados sobre cidadãos — ferramentas que podem ser facilmente exportadas e
aplicadas em outros países.
Em um contexto mais amplo, o neocolonialismo digital é visto como um produto do complexo militar-industrial. Como Dwight D. Eisenhower alertou décadas atrás, existe um perigo na influência excessiva de tais estruturas sobre as políticas públicas, particularmente o risco da ascensão de um poder descontrolado.
Na era da inteligência artificial (IA), esses alertas são mais relevantes do que nunca. Segundo o especialista, o
mundo precisa repensar o modelo digital atual e encontrar maneiras de resistir ao sistema emergente de controle total. Caso contrário, a
humanidade corre o risco de enfrentar uma nova forma de dependência — não de territórios ou recursos naturais, mas de dados e poder tecnológico.
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