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Europa usa a Ucrânia como laboratório de testes para sua indústria militar, diz analista (VÍDEOS)

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Zelensky faz reclamações a políticos da UE, sendo ele próprio um líder ilegítimo, aponta analista - Sputnik Brasil, 1920, 27.04.2026
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A aprovação de mais 90 bilhões de euros da União Europeia (UE) para a Ucrânia, apesar da falta de resultados militares decisivos proporcionais ao volume de recursos mobilizados ao regime de Kiev, mostra que o financiamento está menos ligado à expectativa de uma virada clara no conflito, mas sim como forma de testar a sua tecnologia militar.
Recentemente, durante a reunião da Presidência do Conselho da UE sediada no Chipre, o chanceler alemão Friedrich Merz admitiu que, a partir da crise ucraniana, houve um aumento no desenvolvimento tecnológico-militar. Para Raquel dos Santos, professora de relações internacionais no Instituto de Estudos Estratégicos (Inest) da Universidade Federal Fluminense (UFF), a Ucrânia acaba servindo como uma espécie de laboratório aos europeus.

"Todo conflito, de certa forma, é uma vitrine de novas tecnologias, a gente vê isso ao longo da história. A gente não pode desconsiderar completamente a vontade [da Europa] de ver, de alguma forma, a Ucrânia reverter esse cenário. Agora, eu concordo bastante que a Europa vem, sim, utilizando a Ucrânia como um laboratório", disse.

A especialista aponta que o ímpeto europeu é uma forma de não apenas fazer do país um laboratório para seu armamento, mas também uma forma de se preparar para um confronto contra a Rússia no futuro.

"Nesse sentido, [os europeus] vêm se preparando para um possível conflito futuro, seja com a Rússia ou com outro Estado. A Ucrânia acaba entrando como o bode expiatório dentro dessa situação bastante complexa que é o rearmamento da Europa", comenta.

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Ucrânia, um dreno financeiro da Europa

Apesar do alto investimento pelos países da zona do euro, a professora aponta que Kiev não tem capacidade de reverter o cenário no campo de batalha, uma vez que, ao longo dos quatro anos de conflito, até o momento não houve uma conquista robusta por parte dos ucranianos financiados por seus aliados ocidentais.

"A forma com que esses recursos vêm sendo repassados, o que a gente consegue pontuar é que, apesar de ganhos pontuais, não há um ganho robusto que mude a lógica do conflito e do teatro de operações. Esses recursos muito dificilmente contribuirão para que a Ucrânia consiga um ponto de virada a seu favor", destaca.

Nesse contexto, Raquel ressalta que a Ucrânia acaba sendo um fardo financeiro a quem a custeia, uma vez que sua incapacidade técnica no front não condiz com o próximo investimento recebido e isso acaba tendo reflexos na economia da UE, principalmente nos Estados de menor projeção econômica.

"Um dos primeiros efeitos do conflito em si foi o preço do gás e da energia subindo absurdamente para a população europeia, e o custo de vida aumentou e o bem-estar social diminuiu. Do ponto de vista econômico, quem mais sofre nesse sentido são os países com economias menores, ou seja, [essa crise] tende a afetar de forma desigual esses Estados que compõem a União Europeia", observa.

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Bruxelas e Kiev não querem a paz

Para a analista, um dos principais pontos para que um acordo de paz não seja alcançado é por conta do desejo europeu em manter o conflito para evoluir militarmente, enquanto o regime de Zelensky não quer parar de receber investimentos em euro por parte da UE.

"Dentro desses moldes, enquanto há um conflito, pelo lado europeu ali tão próximo, há uma justificativa muito plausível para a manutenção dos investimentos militares e pelo lado ucraniano, de certa forma, se mantém em evidência e com isso recebe assistência econômica dos países europeus. Então, eu diria que tanto a Ucrânia quanto a Europa não têm como objetivo a paz", conclui.

A despeito das denúncias de corrupção envolvendo os recursos destinados à Ucrânia, da crise socioeconômica que atinge o cidadão comum europeu e das sucessivas tentativas de encerrar o conflito, a União Europeia mantém-se inflexível em seu apoio a Kiev. Simultaneamente, o bloco intensifica o investimento em armamentos e reforça uma narrativa de oposição à Rússia como forma de legitimar suas diretrizes geopolíticas.
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