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Envio mensal de deportados dos EUA coloca Paraguai em 'situação problemática', alertam especialistas
Envio mensal de deportados dos EUA coloca Paraguai em 'situação problemática', alertam especialistas
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O Paraguai começou a receber voos de deportados dos Estados Unidos, como resultado de um acordo que prevê o envio de 25 pessoas por mês. Especialistas... 28.04.2026, Sputnik Brasil
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O primeiro voo com migrantes deportados por Washington chegou ao país sul-americano em 23 de abril, na capital Assunção, no âmbito do acordo de "terceiro país seguro" que a administração Peña assinou com os EUA em agosto de 2025. O acordo prevê que o país latino-americano receberá até 25 pessoas por semana, e em troca o governo dos EUA dará apoio financeiro e a OIM oferecerá alimentação e abrigo durante os primeiros sete dias da estadia dos migrantes no país.A administração afirmou que tais deportações para terceiros países são necessárias para remover cidadãos de países que se recusam a recebê-los. Neste primeiro envio, chegaram 16 passageiros da Bolívia, Colômbia, Equador, El Salvador, Espanha e República Dominicana, deportados pelas autoridades migratórias dos EUA. Originalmente, o voo incluiria 25 migrantes, mas o governo paraguaio recusou a entrada de nove deles por não cumprirem os requisitos estabelecidos pela Direção Nacional de Migrações.O governo afirmou que os migrantes serão rapidamente reconduzidos a seus países de origem e que os custos serão cobertos pelos EUA e pela Organização Internacional para as Migrações (OIM). O silêncio do governo paraguaio sobre o conteúdo exato do memorando tem sido questionado por legisladores da oposição.Em conversa com a Sputnik, o advogado e analista internacional paraguaio Héctor Sosa Gennaro afirmou que o governo paraguaio tentou dar ao acordo "uma aparência de memorando ou acordo" para evitar que fosse considerado um tratado e, assim, escapar da aprovação pelo Congresso.A falta de participação dos legisladores no processo fez com que vários aspectos técnicos do acordo permanecessem sem esclarecimento, destacou o especialista, como a possibilidade de os migrantes deportados solicitarem asilo ou refúgio no Paraguai e obrigações do país sul-americano nesse caso. Sosa Gennaro ressaltou que as obrigações do Paraguai podem ser ainda maiores, pois exigiria que o país sul-americano realize "as gestões e investigações correspondentes para determinar se merecem esse tratamento".Uma ampliação do acordo assinada em fevereiro de 2026 acrescentou a "ajuda do Paraguai" na tarefa de reconduzir os migrantes aos seus países de origem. O encarregado de negócios da Embaixada dos EUA em Assunção, Robert Alter, disse à mídia paraguaia que Washington espera que o governo de Peña "compartilhe o trabalho" de garantir que os migrantes retornem a seus países.Também consultado pela Sputnik, o ex-diplomata e analista paraguaio Luis Fretes Carreras afirmou que o Paraguai tem "longa tradição" em matéria de asilo e refúgio e, ao longo de sua história, recebeu várias "ondas" de migrantes. No entanto, destacou que este acordo tem outras implicações, por se tratar de migrantes expulsos pelos EUA.Carreras também lamentou que o governo paraguaio tenha atuado "com muita opacidade" em relação aos termos do acordo e que uma questão humanitária como a recepção de migrantes tenha sido vinculada a interesses de segurança dos EUA.Citou ainda como algo "pouco respeitoso das normas internacionais" o Paraguai apoiar a linha dos EUA em ataques ao Irã, Gaza e Líbano.Poderá manter seu veto a migrantes 'perigosos'?O alinhamento de Assunção com os EUA leva analistas a serem céticos quanto à capacidade de influência do Paraguai na lista de deportados.O presidente da Comissão Nacional de Apátridas e Refugiados (CONARE) do Paraguai, Carlos Vera, explicou em coletiva de imprensa que o governo de Peña exigiu que os migrantes enviados pelos EUA sejam de língua espanhola e sem antecedentes criminais. Ele garantiu que o Paraguai tem a "faculdade de aceitar ou rejeitar cada caso de forma individual, após a análise das informações correspondentes".Entretanto, para Carreras, o governo paraguaio terá poucas possibilidades de contrariar Washington nesse processo. Já Gennaro avaliou positivamente o fato de o governo de Peña ter conseguido levantar objeções a alguns dos migrantes que Washington pretendia enviar no primeiro voo, mas demonstrou dúvidas sobre "se isso poderá ser mantido" no futuro, considerando o interesse dos EUA em retirar de seu território o maior número possível de migrantes irregulares. O analista avaliou que o problema tende a se multiplicar com o tempo, caso os EUA mantenham o ritmo de 25 deportados por mês. "Até o fim do ano, teremos facilmente cerca de cem pessoas no Paraguai, de diferentes nacionalidades e perfis, entre outras variáveis", estimou.
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Envio mensal de deportados dos EUA coloca Paraguai em 'situação problemática', alertam especialistas
03:08 28.04.2026 (atualizado: 06:13 28.04.2026) O Paraguai começou a receber voos de deportados dos Estados Unidos, como resultado de um acordo que prevê o envio de 25 pessoas por mês. Especialistas consultados pela Sputnik alertaram sobre as dificuldades que o governo de Santiago Peña terá para impor suas condições e evitar problemas logísticos e de segurança.
O
primeiro voo com migrantes deportados por Washington chegou ao país sul-americano em 23 de abril, na capital Assunção, no âmbito do
acordo de "terceiro país seguro" que a administração Peña assinou com os EUA em agosto de 2025.
O acordo prevê que o país latino-americano receberá até
25 pessoas por semana, e em troca o governo dos EUA dará apoio financeiro e a OIM oferecerá alimentação e abrigo durante os primeiros sete dias da
estadia dos migrantes no país.
A administração afirmou que tais deportações para terceiros países são necessárias para remover cidadãos de países que se recusam a recebê-los. Neste primeiro envio, chegaram 16 passageiros da Bolívia, Colômbia, Equador, El Salvador, Espanha e República Dominicana, deportados pelas autoridades migratórias dos EUA.
Originalmente, o voo incluiria 25 migrantes, mas o governo paraguaio recusou a entrada de nove deles por não cumprirem os requisitos estabelecidos pela Direção Nacional de Migrações.
O governo afirmou que os migrantes serão rapidamente reconduzidos a seus países de origem e que os custos serão cobertos pelos EUA e pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).
O silêncio do governo paraguaio sobre o conteúdo exato do memorando tem sido questionado por legisladores da oposição.
"Este acordo não passou pelo Congresso e desconhecemos seu conteúdo", afirmou o deputado Cleto Giménez, presidente da Comissão de Migração e Desenvolvimento, segundo o jornal local ABC.
Em conversa com a Sputnik, o advogado e analista internacional paraguaio Héctor Sosa Gennaro afirmou que o governo paraguaio tentou dar ao acordo "uma aparência de memorando ou acordo" para evitar que fosse considerado um tratado e, assim, escapar da aprovação pelo Congresso.
A falta de participação dos legisladores no processo fez com que vários aspectos técnicos do acordo permanecessem sem esclarecimento, destacou o especialista, como a possibilidade de os
migrantes deportados solicitarem asilo ou refúgio no Paraguai e obrigações do país sul-americano nesse caso.
Sosa Gennaro ressaltou que as obrigações do Paraguai podem ser ainda maiores, pois exigiria que o país sul-americano realize "as gestões e investigações correspondentes para determinar se merecem esse tratamento".
"Supõe-se que a OIM vai cobrir os custos da estadia, mas não sei até que ponto isso acontecerá. Isso já implica um trâmite maior, porque há uma função de intermediação, já que o Paraguai terá que se comunicar com os países correspondentes para fazer essa ligação", explicou Sosa Gennaro.
Uma ampliação do acordo assinada em fevereiro de 2026 acrescentou a "ajuda do Paraguai" na tarefa de reconduzir os migrantes aos seus países de origem. O
encarregado de negócios da Embaixada dos EUA em Assunção, Robert Alter, disse à mídia paraguaia que Washington espera que o governo de Peña "compartilhe o trabalho" de garantir que os
migrantes retornem a seus países.
Também consultado pela Sputnik, o ex-diplomata e analista paraguaio Luis Fretes Carreras afirmou que o Paraguai tem "longa tradição" em matéria de asilo e refúgio e, ao longo de sua história, recebeu várias "ondas" de migrantes. No entanto, destacou que este acordo tem outras implicações, por se tratar de migrantes expulsos pelos EUA.
"Este acordo foi assinado em um contexto mais amplo de cooperação em matéria militar e combate ao crime organizado, por isso está associado a questões militares. É aí que se torna um pouco mais complexo", advertiu.
Carreras também lamentou que o governo paraguaio tenha atuado "com muita opacidade" em relação aos termos do acordo e que uma questão humanitária como a recepção de migrantes tenha sido vinculada a interesses de segurança dos EUA.
Citou ainda como algo "pouco respeitoso das normas internacionais" o Paraguai apoiar a linha dos EUA em ataques ao Irã, Gaza e Líbano.
Poderá manter seu veto a migrantes 'perigosos'?
O alinhamento de Assunção com os EUA leva analistas a serem céticos quanto à capacidade de influência do Paraguai na lista de deportados.
O presidente da Comissão Nacional de Apátridas e Refugiados (CONARE) do Paraguai, Carlos Vera, explicou em coletiva de imprensa que o governo de Peña exigiu que os migrantes enviados pelos EUA sejam de língua espanhola e sem antecedentes criminais. Ele garantiu que o Paraguai tem a "faculdade de aceitar ou rejeitar cada caso de forma individual, após a análise das informações correspondentes".
Entretanto, para Carreras, o governo paraguaio terá poucas possibilidades de contrariar Washington nesse processo.
"Os EUA têm tanto poder que o governo de Peña não pode ter o menor grau de resistência" afirmou.
Já Gennaro avaliou positivamente o fato de o governo de Peña ter conseguido levantar objeções a alguns dos migrantes que Washington pretendia enviar no primeiro voo, mas demonstrou dúvidas sobre "se isso poderá ser mantido" no futuro, considerando o interesse dos EUA em retirar de seu território o maior número possível de migrantes irregulares.
"O Paraguai não sabe dizer não, e menos ainda aos EUA", opinou ele. "Não acredito que tenhamos os meios para controlar mais a fundo cada pessoa que vai chegar. Realmente é impossível: é preciso ter um sistema para verificar não apenas crimes comuns ou terrorismo, mas também determinar quem vem, de onde vem, o que fazia, etc", explicou.
O analista avaliou que o problema tende a se multiplicar com o tempo, caso os EUA mantenham o ritmo de 25 deportados por mês.
"Até o fim do ano, teremos facilmente cerca de cem pessoas no Paraguai, de diferentes nacionalidades e perfis, entre outras variáveis", estimou.
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