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Matéria escura em decaimento pode explicar buracos negros gigantes detectados pelo James Webb

© Foto / Robert Lea (created with Canva)Ilustração de um buraco negro supermassivo contra um fundo de matéria escura
Ilustração de um buraco negro supermassivo contra um fundo de matéria escura - Sputnik Brasil, 1920, 28.04.2026
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Pesquisadores da Universidade da Califórnia acreditam que os buracos negros supermassivos podem ter surgido muito antes do previsto graças à energia liberada pelo possível decaimento da matéria escura. Isso explicaria a detecção dos gigantes cósmicos pelo JWST apenas 500 milhões de anos após o Big Bang.
Buracos negros supermassivos detectados pelo Telescópio Espacial James Webb (JWST, na sigla em inglês) no Universo primordial reacenderam um enigma cosmológico: como esses objetos puderam atingir massas colossais quando o cosmos mal tinha 500 milhões de anos? A teoria tradicional prevê que esse crescimento levaria pelo menos um bilhão de anos, criando uma lacuna entre modelos e observações.
Desde 2022, o JWST tem revelado buracos negros gigantescos em épocas muito anteriores ao esperado, pressionando os cientistas a buscar mecanismos alternativos de formação. A nova hipótese propõe que a matéria escura — responsável por 85% da matéria do Universo — pode ter desempenhado um papel decisivo nesse processo.
© Foto / Robert Lea (created with Canva)Uma ilustração mostra um buraco negro de colapso direto se formando no núcleo de um Pequeno Ponto Vermelho
Uma ilustração mostra um buraco negro de colapso direto se formando no núcleo de um Pequeno Ponto Vermelho - Sputnik Brasil, 1920, 28.04.2026
Uma ilustração mostra um buraco negro de colapso direto se formando no núcleo de um Pequeno Ponto Vermelho
Segundo uma equipe da Universidade da Califórnia, Riverside, a energia liberada pelo decaimento da matéria escura teria alterado profundamente as primeiras galáxias, criando condições favoráveis para o surgimento precoce desses titãs cósmicos. Essa energia adicional poderia acelerar o colapso de nuvens de gás, permitindo a formação direta de buracos negros iniciais.

O colapso direto já era considerado um mecanismo possível, no qual vastas nuvens de gás e poeira se comprimem sem passar pela etapa intermediária de uma estrela massiva. No entanto, esse processo exigiria fontes de energia externas, como radiação de estrelas próximas — algo raro demais para explicar a abundância observada pelo JWST.

A hipótese da matéria escura em decaimento surge como alternativa: mesmo uma quantidade ínfima de energia liberada por partículas instáveis poderia "supercarregar" essas nuvens primordiais, desencadeando o colapso. Para os pesquisadores, essa energia mínima seria suficiente para alterar a química do hidrogênio primordial.
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Segundo o portal Space, os físicos Yash Aggarwal e Flip Tanedo argumentam que as primeiras galáxias eram extremamente sensíveis a qualquer injeção energética, funcionando quase como detectores naturais de matéria escura. Assim, os buracos negros supermassivos observados hoje poderiam ser a assinatura indireta desse processo.
O estudo também propõe uma faixa de massa — entre 24 e 27 elétron-volts — para as partículas de matéria escura capazes de produzir esse efeito. Essa estimativa resulta de uma combinação rara de conhecimentos em física de partículas, cosmologia e astrofísica, que permitiu formular uma teoria coerente para o fenômeno.
Para os autores, o cenário certo torna muito mais provável a formação de buracos negros por colapso direto no início do Universo. E, com o JWST revelando cada vez mais objetos desse tipo, a hipótese da matéria escura em decaimento pode ser a peça que faltava para aproximar teoria e observação.
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