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Presença militar israelense nos Emirados não muda arquitetura de segurança no Golfo, diz mídia

© AP Photo / Ariel SchalitUma bateria do sistema de mísseis de defesa Cúpula de Ferro de Israel, implantada para interceptar foguetes, está em Ashkelon, sul de Israel, 7 de agosto de 2022
Uma bateria do sistema de mísseis de defesa Cúpula de Ferro de Israel, implantada para interceptar foguetes, está em Ashkelon, sul de Israel, 7 de agosto de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 29.04.2026
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O suposto envio da Cúpula de Ferro por Israel aos Emirados Árabes Unidos (EAU), usada para interceptar mísseis iranianos durante a escalada regional, marca uma cooperação militar inédita entre os dois países, mas indica uma tendência no Oriente Médio em meio à guerra com o Irã.
O suposto envio do sistema antimíssil Cúpula de Ferro para os Emirados Árabes Unidos, revelado pelo Axios, foi interpretado por analistas como um ponto de inflexão nos alinhamentos de segurança do Oriente Médio, em meio à guerra entre Israel e Irã.

A presença do sistema, acompanhado por tropas israelenses, teria ocorrido logo no início do conflito, marcando uma mudança significativa na cooperação militar entre os dois países, embora não indique uma tendência mais abrangente.

Segundo o site norte-americano, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou o envio de uma bateria completa da Cúpula de Ferro — com interceptores e dezenas de operadores — após uma conversa com o presidente emiradense, sheik Mohamed bin Zayed Al Nahyan. Os EAU teriam utilizado o sistema para interceptar dezenas de mísseis iranianos, configurando a primeira operação da Cúpula de Ferro em território árabe.
A suposta implantação ocorreu enquanto os Emirados eram alvo de ataques com mísseis e drones, parte da retaliação iraniana contra aliados dos EUA após o início dos bombardeios conjuntos de Washington e Tel Aviv contra o Irã, em 28 de fevereiro. O episódio reforçou o papel central dos sistemas de defesa antiaérea no conflito, especialmente diante das táticas eficazes de saturação empregadas por Teerã.
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Desde os Acordos de Abraão, firmados em 2020, os EAU aprofundaram sua cooperação militar com Israel, e o conflito atual parece ter acelerado essa integração. O Ministério da Defesa emiradense afirma que o país foi alvo de cerca de 550 mísseis balísticos e de cruzeiro e mais de 2.200 drones, e embora a maioria tenha sido interceptada, os mísseis iranianos demonstraram que o sistema israelense não é infalível.
Para Liselotte Odgaard, pesquisadora do Hudson Institute consultada pelo South China Morning Post, o envio da Cúpula de Ferro representa um "momento decisivo" na arquitetura de segurança regional, indicando que a defesa antiaérea está se tornando um esforço compartilhado.

A analista ressalta, porém, que o sistema é eficaz, mas limitado, e deve ser entendido como parte de uma defesa em camadas, não como um escudo absoluto.

Odgaard argumenta que a presença de uma bateria operacional israelense nos Emirados marca a transição da normalização diplomática para a integração militar em tempos de guerra, refletindo um nível inédito de coordenação. Para ela, a medida também evidencia uma convergência na percepção de ameaças em relação ao Irã entre Israel e seus parceiros do Golfo.
Também falando à apuração, James Dorsey, pesquisador em Cingapura, elogiou a primeira implantação da Cúpula de Ferro em um Estado árabe, mas alertou que isso não deve ser interpretado como uma tendência generalizada no Golfo. Segundo ele, os Emirados são uma exceção, por serem o parceiro mais próximo de Israel tanto política quanto ideologicamente.
Odgaard acrescenta que a nova dinâmica não elimina a competição entre grandes potências, mas altera a forma como China e Rússia responderão a uma ordem de segurança mais militarizada e ancorada em Israel.
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