EUA fica sem opções para conter a alta dos preços do petróleo, diz mídia

© AP Photo / Yuki Iwamura
Nos siga no
Após implementar diversas medidas paliativas de curto prazo, como a liberação de reservas de petróleo, a mídia norte-americana alerta que a margem de manobra da Casa Branca está diminuindo.
Segundo uma coluna recente publicada por um jornal de grande circulação dos EUA, o governo do presidente Donald Trump enfrenta crescente pressão devido à alta contínua dos preços da gasolina, que atingiram o pico de US$ 4,39 (R$ 21,75) por galão.
O aumento está diretamente ligado ao fechamento do estreito de Ormuz, consequência do impasse diplomático e militar entre os Estados Unidos e o Irã, país contra o qual declararam guerra juntamente com Israel. Essa situação bloqueou o trânsito de petróleo e derivados no golfo Pérsico, gerando um desequilíbrio nos mercados globais que ameaça se intensificar.
O artigo observa que o impacto econômico já é perceptível no comportamento dos cidadãos norte-americanos. Segundo uma pesquisa do Washington Post-ABC News-Ipsos, 44% da população reduziu o uso de veículos, enquanto uma porcentagem semelhante cortou gastos domésticos para compensar o custo do combustível. Diante dessa situação, altos funcionários da Casa Branca, como o vice-presidente, J.D. Vance, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, reuniram-se com executivos do setor energético para avaliar possíveis planos de contingência.
Até o momento, o governo implementou diversas medidas de alívio em curto prazo, segundo o jornal. Entre elas, a liberação de 172 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo, a suspensão temporária da Lei Jones para facilitar o transporte marítimo e a flexibilização das regulamentações ambientais sobre misturas de etanol.
A coluna detalha que as poucas opções restantes acarretam riscos políticos e econômicos significativos. Embora a eliminação do imposto federal sobre a gasolina tenha sido proposta, a Casa Branca hesita devido ao impacto negativo que isso teria sobre o Fundo Fiduciário Rodoviário e à incerteza sobre se a economia de fato chegaria aos consumidores, relata o jornal.
Outra alternativa, como a proibição das exportações de petróleo bruto dos EUA, enfrentaria forte oposição da indústria petrolífera nacional, que expandiu significativamente seus negócios de exportação na última década.
Em um ano crucial, devido às eleições de meio de mandato em novembro, a ansiedade política está crescendo entre os republicanos, observa a publicação, à medida que aumentam os temores de que a crise energética possa ofuscar outros itens da agenda presidencial e se mostrar eleitoralmente devastadora para o partido governista.


