Ativistas exigem que Lula liberte Thiago Ávila, preso em Israel; presidente se pronunciou
16:50 05.05.2026 (atualizado: 16:55 05.05.2026)

© Sputnik / Guilherme Correia
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Dezenas de ativistas pró-palestinos realizaram hoje (5) manifestação em frente ao escritório de representação do Ministério das Relações Exteriores do Brasil em São Paulo, para exigir que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva adote ações concretas pela libertação do ativista brasileiro Thiago Ávila, preso em Israel desde 30 de abril.
Ávila foi detido pelas forças militares israelenses durante a interceptação da flotilha humanitária Global Sumud, em águas internacionais, a menos de 150 quilômetros da ilha grega de Creta, quando a embarcação tentava romper o bloqueio israelense sobre a Faixa de Gaza.
As forças israelenses interceptaram as embarcações em frente à costa da Grécia, na madrugada de quinta-feira, e Ávila chegou a Israel em 2 de maio.
Entre os manifestantes estava Amanda Coelho, conhecida como Mandy, ela própria uma das brasileiras que esteve a bordo da flotilha e foi detida durante a operação israelense.
"Eu sou uma das brasileiras que foi sequestrada nessa última flotilha em águas internacionais, diante dos olhos do mundo inteiro", disse ela à Sputnik Brasil. "Fui torturada, fui violentada na prisão, que é um verdadeiro campo de concentração israelense."
O ativista Bruno Gilga, que também falou durante o protesto, classificou a ação israelense como sequestro executado em desacordo com o direito internacional.
"Thiago Ávila foi sequestrado pelo regime sionista em águas internacionais, quando ainda estava a mais de mil quilômetros da costa de Gaza, próximo a águas nacionais gregas, de forma flagrantemente ilegal num procedimento militar que feriu gravemente dezenas de ativistas de uma missão humanitária não violenta."
Ele relatou ainda as condições de detenção de Ávila conforme relatadas ao movimento pela representação consular brasileira: o ativista estaria dormindo em local gelado, com luz forte no rosto 24 horas por dia para provocar privação de sono, e teria sido visto com marcas no rosto e com dores nas costas. "Isso são métodos clássicos de tortura que a gente já conhece", afirmou Gilga.
🪧📣 Manifestantes ocupam prédio do Itamaraty em São Paulo pedindo libertação de Thiago Ávila
— Sputnik Brasil (@sputnik_brasil) May 5, 2026
🇧🇷 Cerca de 20 manifestantes se reuniram na manhã desta terça-feira em São Paulo (SP) pedindo a libertação de Thiago Ávila, brasileiro preso pelas Forças de Defesa de Israel durante… pic.twitter.com/9BnFV41k4Y
Segundo publicou a Carta Capital, ele está detido em uma cela solitária sem janelas e iniciou uma greve de fome após a captura. A agressão durante a abordagem o teria deixado "muito machucado" e "cego temporariamente".
A advogada de Ávila e de Abu Keshek, Hadeel Abu Salih, disse que os dois foram submetidos à violência a caminho de Israel e mantidos algemados e vendados até a manhã de quinta-feira.
Israel, por sua vez, afirmou que suas forças foram obrigadas a agir para conter o que classificou como "obstrução física violenta" por parte dos dois ativistas, e que todas as medidas tomadas foram legais.
Ávila e Abu Keshek são acusados por Israel de terem vínculos com uma organização sancionada pelos Estados Unidos.
Nesta segunda-feira, um tribunal israelense prorrogou a prisão preventiva dos dois ativistas, medida que os manifestantes em São Paulo classificaram como um "absurdo".
"Hoje tiveram inclusive sua pena prolongada por mais seis dias. É um absurdo porque a corte israelense sequer diz qual foi o crime que cometeram, porque nós não cometemos crime nenhum", disse Coelho.
O grupo entregou um documento no escritório do Itamaraty em São Paulo em nome da Frente Palestina São Paulo, com uma lista de exigências concretas ao governo federal.
Entre elas: que o governo brasileiro pressione pela libertação de Ávila com pronunciamentos nas cortes internacionais; que o presidente Lula faça uma declaração pública reconhecendo o que ocorreu como sequestro e genocídio, tal como fez o premiê espanhol, Pedro Sánchez; e que o Brasil avance em direção ao rompimento de relações diplomáticas, políticas, acadêmicas, econômicas e militares com Israel.
Os manifestantes pediram também a libertação de todos os brasileiros de origem palestina que seguem detidos nas prisões israelenses.
A recepção no edifício foi pacifica, mas teve um breve atrito no início. "Fomos recebidos com uma certa relutância. Não queriam que a gente fizesse nossa manifestação ali dentro", relatou Coelho. "É muito chocante ver que o que atrapalha mais o dia a dia das pessoas é uma manifestação pacífica no hall de um prédio do que essa situação de genocídio."
Pronunciamento de Lula
Lula afirmou em suas redes sociais nesta terça-feira que a manutenção da prisão de Ávila pelo governo de Israel é uma ação "injustificável" e pediu a imediata libertação dele. "É uma ação injustificável do governo de Israel, causa grande preocupação e deve ser condenada por todos."
"A detenção dos ativistas da flotilha em águas internacionais já havia representado uma séria afronta ao direito internacional. Por isso, nosso governo, juntamente com o da Espanha, que também teve um cidadão detido, exige que eles recebam plena garantia de segurança e sejam imediatamente soltos."
O que é a flotilha em Gaza?
A flotilha era composta por mais de 50 barcos que partiram nas últimas semanas de Marselha, na França, de Barcelona, na Espanha, e de Siracusa, na Itália, com o objetivo de romper o bloqueio israelense em Gaza e levar suprimentos ao devastado território palestino.
Quatro brasileiros foram capturados. Além de Thiago Ávila e Amanda Coelho Marzall, Leandro Lanfredi de Andrade e Thainara Rogério também foram. No entanto, Ávila segue detido.
Outros dez países assinaram declaração conjunta, entre eles Turquia, Colômbia, África do Sul e Espanha, pedindo a libertação imediata dos ativistas detidos e classificando as detenções como "flagrantes violações do direito internacional".
"O que eu junto com os outros 180 reféns feitos por Israel nessa missão passamos por um curto período de tempo é aquilo que o povo palestino vive há mais de 78 anos", afirmou Amanda.
Ela também destacou que, neste momento, quase dez mil presos políticos palestinos estariam encarcerados em Israel "sendo torturados e o mundo está de olhos fechados para essa situação".
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou estar trabalhando para a libertação de Thiago Ávila.


