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Malvinas x Falklands: apoio dos EUA a Argentina é 'bravata' para pressionar Reino Unido

© AP Photo / Victor R. CaivanoUm mapa das Ilhas Malvinas na Casa Rosada da Argentina, durante uma cerimônia em 2014
Um mapa das Ilhas Malvinas na Casa Rosada da Argentina, durante uma cerimônia em 2014 - Sputnik Brasil, 1920, 12.05.2026
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Passados mais de 40 anos da guerra das Malvinas envolvendo Reino Unido e Argentina, o tema voltou à tona após um aceno do governo estadunidense em prol do argentino que reivindica o arquipélago desde antes da guerra de 1982.
O vazamento de um e-mail interno do Pentágono sobre formas de punir aliados da OTAN que se recusaram a participar dos ataques estadunidenses ao Irã desencadeou o debate. A possibilidade de reavaliar o apoio norte-americano a "possessões imperiais" como as Malvinas apareceu na lista.
Para além da sintonia ideológica com o presidente Javier Milei, o anúncio de um possível reconhecimento das ilhas Falklands como Malvinas envolve outros interesses, dizem analistas ouvidos pelo podcast Mundioka da Sputnik Brasil.

"A declaração do Trump vai mais no sentido de tentar pressionar o governo britânico do que afagar o Milei [...], que não tem até agora apoiado os Estados Unidos na guerra que eles estão travando lá no Irã", opinou Matheus de Oliveira, professor de relações internacionais da Universidade Federal de Uberlândia.

O Reino Unido foi um aliado de peso, sobretudo, no período da Guerra Fria, na disputa por influência global entre EUA e a União Soviética, e que as "maiores aventuras dos Estados Unidos nesses últimos anos contaram com o apoio, se não material logístico, mas ao menos diplomático, discursivo do Reino Unido".
No entanto, a guerra com o Irã causou o isolamento diplomático de Washington por parte de vários países, inclusive do Reino Unido, algo inédito, desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Londres apoiou, até mesmo a "polêmica invasão do Iraque".
Ou seja, diz Oliveira, que que também é pesquisador do Grupo de Estudos de Defesa e Segurança Internacional e do Instituto Nacional de Estudos sobre Estados Unidos (INEU), a mensagem se trata de uma "bravata" para persuadir o Reino Unido a considerar outros pontos da agenda bilateral.
O analista reforça seu ponto ao lembrar que na guerra de 1982, a então ditadura argentina contava com o apoio dos EUA, que nunca ocorreu.

"A ditadura argumentava que o apoio dos Estados Unidos viria como retribuição à contribuição que a ditadura dava pela luta anticomunista na América Latina. E o que aconteceu, na verdade, não foi nada disso".

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Decisiva para precipitar o colapso do regime autoritário do país, a guerra das Malvinas terminou com derrota acachapante do Exército argentino, lembrou o pesquisador, ocasionando na eleição de Raul Alfonsín um ano e meio depois.
O governo britânico já declarou que a autodeterminação dos habitantes das ilhas é decisiva e que o território permanecerá sob soberania do Reino Unido. As autoridades das Malvinas também expressaram confiança no compromisso britânico de defender esse status. Foi graças às Malvinas que o Reino Unido pode reivindicar um território na Antártica, pelo Tratado da Antártica.
Já o governo argentino alega que o princípio de autodeterminação dos povos não é válido nesse contexto, porque quem está ali não é um povo original daquelas ilhas, mas britânicos incentivados pelo governo britânico.
"O Reino Unido incentivou um pouco mais a migração das Malvinas, mas a população já era essencialmente britânica: os Kelpers, como eles são chamados. Eles já eram essencialmente de origem britânica".
Ao salientar que as Forças Armadas argentinas não têm nenhuma condição de vencer as britânicas em uma guerra, Oliveira afirmou que uma hipotética guerra em torno das ilhas é improvável.
Não só uma invasão às Malvinas significa um ataque a um membro da OTAN, como a via militar está proscrita na Constituição argentina, frisou ele:

"A Constituição argentina, lá na Reforma de 1994, deixou bastante estabelecido que a luta pelas Malvinas é uma causa permanente do Estado argentino, mas que ela será permanentemente pacífica e diplomática".

A aliança estratégica e histórica "muito sólida" entre a Grã-Bretanha e os Estados Unidos e a OTAN também foram pontuados pelo professor de segurança internacional da Unesp e integrante do Instituto de Políticas Públicas e Relações Internacionais, Hector Saint Pierre.
Para o especialista, com as Malvinas permanecendo Falklands, a aliança mantém presença no Atlântico Sul. Londres, inclusive, ampliou para 160 mil milhas o espaço de pesca em torno das Ilhas Malvinas "ante o silêncio absoluto da Argentina", destacou ele.

"Duvido que os EUA abram mão de um ponto estratégico como são as Malvinas ocupadas pela Inglaterra. Por mais que o Milei seja um cão servil com Trump. Sempre será mais confiável que esse ponto estratégico que são as ilhas Malvinas e o Atlântico Sul permaneçam nas mãos dos ingleses."

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