Europa alerta para escassez de mísseis Patriot e evita ceder estoques à Ucrânia, revela mídia
11:21 12.05.2026 (atualizado: 11:23 12.05.2026)

© AP Photo / Itsuo Inouye
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A escassez de mísseis Patriot PAC‑3 tornou‑se o ponto mais crítico para a defesa aérea da Ucrânia, enquanto aliados europeus temem novos atrasos nas entregas devido ao esgotamento dos estoques dos EUA e à realocação de armamentos para outros conflitos.
Os aliados europeus dos EUA demonstram crescente inquietação com a Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia (PURL, na sigla em inglês), criada para financiar armas norte-americanas destinadas à Ucrânia, em meio ao esgotamento dos estoques do Pentágono provocado pela guerra contra o Irã.
De acordo com um jornal de grande circulação nos EUA, há "longos atrasos nas vendas de armas norte-americanas causados pela guerra no Irã", o que afeta diretamente os compromissos com Kiev.
Segundo a apuração, a preocupação mais urgente envolve os mísseis Patriot PAC‑3, essenciais para a defesa aérea ucraniana. A mídia relata que "a Ucrânia está praticamente sem interceptores PAC‑3 para o sistema de defesa aérea Patriot", situação agravada pela necessidade dos EUA de realocar recursos para outros teatros de guerra.
Parceiros europeus temem que a escassez desses interceptores se intensifique, já que o Pentágono consumiu rapidamente munições de precisão no Oriente Médio, e, ao que tudo indica, devem esperar anos para receber os equipamentos que já compraram.
Esse cenário levou alguns governos europeus a hesitar em financiar novas compras via PURL. Um funcionário citado pela mídia sob condições de anonimato afirmou que "os europeus estão hesitantes porque há uma crescente desconfiança e falta de certeza sobre o que acontecerá com o dinheiro". A relutância inclui também a transferência de estoques próprios de mísseis Patriot.
A administração Trump pressionou países europeus a enviarem seus PAC‑3 para a Ucrânia, mas parte deles recusou, temendo comprometer suas próprias defesas.
A desconfiança aumentou após revelações de que o Pentágono usou parte dos fundos europeus para reabastecer seus próprios estoques, e não para enviar novas armas a Kiev. Segundo a apuração, o Departamento de Defesa planejava usar US$ 750 milhões (mais de R$ 3,6 bilhões) fornecidos pelo PURL para reabastecer os estoques norte-americanos.
Embora autoridades nos EUA afirmem que o programa continua operando dentro da lei, diplomatas europeus questionam se isso viola o entendimento original de que cada dólar investido deveria resultar em novas capacidades enviadas à Ucrânia.
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) afirma que o PURL forneceu a maior parte dos mísseis Patriot enviados à Ucrânia, incluindo PAC‑3, mas reconhece que vários aliados pediram garantias de que suas contribuições não estavam sendo desviadas para operações no Oriente Médio. A necessidade urgente de interceptores levou Kiev a pedir que países "verifiquem também seus estoques", destacou o jornal.
No pano de fundo, cresce o debate europeu sobre até que ponto continuar dependente de armamentos norte-americanos, especialmente diante da pressão para rearmar o continente e do esgotamento causado pelo conflito ucraniano.




