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Sanções prejudicam até os países que sancionam, diz Dilma durante encontro do NDB na Rússia

© Sputnik Brasil / Rennan RebelloNa coletiva de imprensa do 11º Encontro Anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), em Moscou, Dilma Rousseff, presidente da instituição, conversa com Anton Siluanov, ministro das Finanças da Rússia
Na coletiva de imprensa do 11º Encontro Anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), em Moscou, Dilma Rousseff, presidente da instituição, conversa com Anton Siluanov, ministro das Finanças da Rússia - Sputnik Brasil, 1920, 15.05.2026
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Nesta sexta-feira (15), Moscou sediou o último dia da 11ª Reunião Anual do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), o Banco do BRICS. O evento reuniu ministros das Finanças dos países-membros, que destacaram os avanços da instituição, os desafios para os próximos anos e o papel do banco no desenvolvimento do Sul Global.
Durante o encontro, a reportagem da Sputnik Brasil teve a oportunidade de fazer uma pergunta a Dilma Rousseff, presidente do NDB, sobre como as crises geopolíticas, especialmente o conflito no Oriente Médio [entre EUA, Irã e Israel], afetam o trabalho da instituição. Dilma reconheceu os desafios impostos pelo atual cenário internacional.

"No caso desse conflito tem repercussões regionais e internacionais que são muito graves, porque aumenta o preço do óleo, do gás e dos fertilizantes e de minerais na cadeia de produção de chips, celulares e etc. Isso cria uma pressão inflacionária muito forte, que vai implicar no aumento da dívida dos países", disse.

Dilma também ressaltou que a política de sanções causa um dano imenso no atual momento e enfatizou que até mesmo aqueles países que usam essa prática de sancionar unilateralmente outros Estados acabam sendo impactados.

"Outra coisa que fica clara nesse momento é o dano imenso que a política de sanções produz sobre não só os países sancionados, mas até naqueles que sancionam. Por exemplo, hoje não se tem acesso ao petróleo e ao gás no Oriente Médio. Ou seja, ficar impondo ao sistema internacional uma série de restrições, controle tecnológico, bloqueio e sanções cria uma situação caótica", complementa.

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Novos membros devem ingressar no Banco do BRICS

Durante a coletiva, o ministro das Finanças da Federação da Rússia, Anton Siluanov, também acrescentou que, após a reunião, ficou estabelecido que novos Estados devem ingressar como acionistas do NDB. De forma mais imediata, os que devem ingressar são: Colômbia, Etiópia e Uzbequistão.

"Discutimos também as necessidades de aumentar a composição de acionistas dos bancos. Temos uma longa lista de candidatos que podem ingressar no banco com novos capitais e abrindo novas áreas de investimentos. Espero que a inclusão de novos membros encontre novas dinâmicas no desenvolvimento do NDB", revela.

Na primeira parte do encontro, na plenária que também foi aberta à imprensa, Siluanov também ressaltou a importância de se investir em pesquisa e alta tecnologia para a dinamização da economia, o que contribui também para o crescimento sustentável.

"Na era das novas tecnologias, inovações e da introdução da IA, a tarefa do BRICS é utilizar todos os instrumentos disponíveis para alcançar um crescimento econômico qualitativo, além de criar condições em que uma ideia se transforme em tecnologia e em empregos modernos", enfatizou.

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Embaixador destaca papel do BRICS e do NDB

O embaixador brasileiro na Rússia, Sérgio Rodrigues, que esteve presente nos dois dias do evento, relembrou a criação do BRICS (2009) e do NDB (2015), que teve o Brasil como um dos fundadores, destacando que o grupo e o banco são um símbolo da visão estratégica brasileira em sua política internacional.

"Nós estamos falando desde a época do segundo governo Lula, e depois teve continuidade com o governo Dilma, e que atualmente é a presidente do banco. Desse modo, tem sido uma história de sucesso que revela a visão estratégica que o Brasil teve em relação ao BRICS ", pontua.

Rodrigues também apontou a importância de se discutir o cenário internacional recrudescido devido a tantos confrontos em um evento da magnitude do encontro anual do Novo Banco de Desenvolvimento.

"Foi muito importante toda a discussão que aconteceu nesses dias, que permitiu que houvesse um intercâmbio de opiniões e ideias sobre as transformações que estão acontecendo na economia global, na ordem geopolítica, com impactos nos fluxos de comércio, e como os países do NDB podem cooperar para minimizar esses impactos."

Com as tensões geopolíticas que causam impactos econômicos e sociais em todo o mundo, o NDB vem se adaptando à nova realidade através de inovações que visam promover uma economia com crescimento sustentável e foco na cooperação entre países do Sul Global.
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