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Dívida acima dos 100% do PIB e alta das taxas de juros: EUA estão na berlinda?
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A dívida dos EUA superou os US$ 31,27 trilhões (R$ 156,76 trilhões), passando os US$ 31,22 trilhões (R$ 156,55 trilhões) do PIB do país. É uma dívida de... 20.05.2026, Sputnik Brasil
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O CRFB também alertou que o patamar está bem acima da média histórica. No programa Mundioka da Sputnik Brasil desta quarta-feira (19), economistas comentaram que dívidas acima do PIB, em princípio, não são motivo de preocupação, mas outros contextos econômicos nos EUA agravam a situação do país.O pesquisador do Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Pedro Allemand Mancebo, destacou que a relação dívida-PIB é apenas uma variável dentre várias para avaliar a saúde de uma economia.Mestre em Economia Política Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mancebo frisou que para identificar essa dívida como fator de vulnerabilidade é vital avaliar outros elementos da economia, como o comportamento das taxas de juros atrelada à dívida, já que estas representam "o preço do dinheiro" e o custo do endividamento do Estado.No caso dos EUA, Mancebo pontuou que os títulos de longo prazo, que devem ser pagos entre dois e 30 anos, saíram de um patamar de 2% para 5%, o percentual mais alto em 20 anos. "Isso indica que tem alguma percepção de risco sistêmico associado ao endividamento americano. E, de forma semelhante, os títulos de curto prazo estão sofrendo esse tipo de alteração."O mesmo ocorre com o endividamento de curto prazo, frisou: esse títulos, pagos dentro de um ano, estão tendo taxas de juros maiores, devido aos piores resultados econômicos dos últimos anos, indicando que a situação econômica americana pode piorar "ou ainda que melhore, não é capaz de suprir o valor necessário para o repagamento dessas dívidas".Outro problema é o acirramento da guerra contra o Irã que vem demandando gastos acima do esperado pelo governo. Para o especialista, se a tendência de despreparo continuar, o Pentágono precisará reavaliar seus sistemas de defesa. "E isso envolve muito dinheiro [...] pode vir a ser uma pressão sobre a situação fiscal americana", comentou.Por outro lado, a hegemonia do dólar estadunidense como ativo de reservas mundo afora torna os títulos do Tesouro dos EUA ferramenta de política econômica poderosa devido a sua capilaridade e poder de atração de investidores de todo o mundo, inclusive Estados.Guerra como arma econômicaProfessor de economia do Ibmec, Renan Silva, também conversou com o Mundioka e mencionou o arcabouço de credibilidade que os EUA que lhes permite se endividar acima dos parâmetros normais, assim como países como Japão, que segundo ele, está em situação mais preocupante que os EUA. Nesse sentido, acrescentou, a máquina militar é utilizada pela Casa Branca para diluir a inflação e tirar o foco da crise financeira. "Existe uma frase emblemática que diz o seguinte: moeda fraca, guerras constantes." O lema diz respeito à sustentação de guerras a partir da emissão de moeda.Assim como o colega da PUC-Rio, ele avaliou que a situação da dívida externa exige cautela, mas que o país tem grande margem de manobra para contornar o problema, sobretudo pelo forte setor privado e pela autonomia que o país possui em frentes como alimentar e energética.Ambos os analistas ressaltaram uma aparece contradição. A desvalorização do dólar, causada pela alta inflação do país, favorece a exportação das empresas do país, tornando-as ainda mais competitivas no cenário internacional.Além disso, a perda de valor tampouco seria positivo para a maioria dos países, pois geraria empobrecimento de quase todas as reservas estatais no mundo. A diversificação de reservas em relação ao dólar por outros ativos vem ocorrendo nos últimos anos, como o ouro, mas o pesquisador defendeu que ainda não há nada que substitua o dólar.A própria China exporta essencialmente para os Estados Unidos e depende do consumidor norte-americano, assim como sua balança comercial.Questão domésticaA população, até então desacostumada com os atuais e persistentes índices da inflação, pode influenciar negativamente no desempenho da melhora da economia do país, segundo Silva.As tensões entre o presidente Donald Trump e Banco Central Americano (Fed, na sigla em inglês) e o corte de impostos sobre os mais ricos e outros tipos de contribuições que compunham a receita do Estado também fragilizaram a estabilidade financeira do país, comentou, Mancebo.Segundo ele, se não houver sinalização de que os gastos terão um limite, o risco vai aumentando e a deterioração constante da economia provocará reação em cadeia: "os mercados, as bolsas, os mercados de commodities, todos vão acabar reagindo", concluiu Silva.
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Dívida acima dos 100% do PIB e alta das taxas de juros: EUA estão na berlinda?
A dívida dos EUA superou os US$ 31,27 trilhões (R$ 156,76 trilhões), passando os US$ 31,22 trilhões (R$ 156,55 trilhões) do PIB do país. É uma dívida de 100,2%, segundo dados do Escritório de Análise Econômica (BEA, na sigla em inglês) compilados pelo Comitê para um Orçamento Federal Responsável (CRFB, na sigla em inglês) e divulgados em abril.
O CRFB também alertou que o patamar está bem acima da média histórica. No programa Mundioka da Sputnik Brasil desta quarta-feira (19), economistas comentaram que dívidas acima do PIB, em princípio, não são motivo de preocupação, mas outros contextos econômicos nos EUA agravam a situação do país.
O pesquisador do Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Pedro Allemand Mancebo, destacou que a relação dívida-PIB é apenas uma variável dentre várias para avaliar a saúde de uma economia.
"Há economias que estão muito bem, que tem uma relação dívida PIB acima de 100% ou próxima dos 100%. Por exemplo, a China tem uma relação dívida PIB de 99%, o Reino Unido 103% e o Japão tem uma relação de vida PIB de 235%", exemplificou.
Mestre em Economia Política Internacional pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Mancebo frisou que para identificar essa dívida como fator de vulnerabilidade é vital avaliar outros elementos da economia, como o comportamento das taxas de juros atrelada à dívida, já que estas representam "o preço do dinheiro" e o custo do endividamento do Estado.
"O comportamento das taxas de juros reflete um pouco a expectativa de honrar esse pagamento da dívida. Então, por exemplo, taxas de juros maiores são aplicadas para países que já têm histórico de calote ou países que estão assumindo dívidas em momentos de muita vulnerabilidade econômica e, taxas de juros menores, para países que têm um histórico melhor."
No caso dos EUA, Mancebo pontuou que os títulos de longo prazo, que devem ser pagos entre dois e 30 anos, saíram de um patamar de 2% para 5%, o percentual mais alto em 20 anos. "Isso indica que tem alguma percepção de risco sistêmico associado ao endividamento americano. E, de forma semelhante, os títulos de curto prazo estão sofrendo esse tipo de alteração."
O mesmo ocorre com o endividamento de curto prazo, frisou: esse títulos, pagos dentro de um ano, estão tendo taxas de juros maiores, devido aos piores resultados econômicos dos últimos anos, indicando que a situação econômica americana pode piorar "ou ainda que melhore, não é capaz de suprir o valor necessário para o repagamento dessas dívidas".
Outro problema é o acirramento da guerra contra o Irã que vem demandando gastos acima do esperado pelo governo. Para o especialista, se a tendência de despreparo continuar, o Pentágono precisará reavaliar seus sistemas de defesa. "E isso envolve muito dinheiro [...] pode vir a ser uma pressão sobre a situação fiscal americana", comentou.
Por outro lado, a
hegemonia do dólar estadunidense como ativo de reservas mundo afora torna os títulos do Tesouro dos EUA ferramenta de política econômica poderosa devido a
sua capilaridade e poder de atração de investidores de todo o mundo, inclusive Estados.
Guerra como arma econômica
Professor de economia do Ibmec, Renan Silva, também conversou com o Mundioka e mencionou o arcabouço de credibilidade que os EUA que lhes permite se endividar acima dos parâmetros normais, assim como países como Japão, que segundo ele, está em situação mais preocupante que os EUA.
Nesse sentido, acrescentou, a máquina militar é utilizada pela Casa Branca para diluir a inflação e tirar o foco da crise financeira. "Existe uma frase emblemática que diz o seguinte: moeda fraca, guerras constantes." O lema diz respeito à sustentação de guerras a partir da emissão de moeda.
"Emito moeda e compro, mas não estou jogando dinheiro na economia, na mão do cidadão, estou direcionando para aquele segmento, é uma espécie de desvalorização da moeda meio que controlada [...] usar esse dinheiro sem lastro, essa nova emissão, principalmente fora do país, com gastos fora do país acaba não tendo efeito inflacionário interno".
Assim como o colega da PUC-Rio, ele avaliou que a situação da dívida externa exige cautela, mas que o país tem grande margem de manobra para contornar o problema, sobretudo pelo forte setor privado e pela autonomia que o país possui em frentes como alimentar e energética.
Ambos os analistas ressaltaram uma aparece contradição. A desvalorização do dólar, causada pela alta inflação do país, favorece a exportação das empresas do país, tornando-as ainda mais competitivas no cenário internacional.
Além disso, a perda de valor tampouco seria positivo para a maioria dos países, pois geraria empobrecimento de quase todas as reservas estatais no mundo.
A diversificação de reservas em relação ao dólar por outros ativos vem ocorrendo nos últimos anos, como o ouro, mas o pesquisador defendeu que
ainda não há nada que substitua o dólar.A própria China exporta essencialmente para os Estados Unidos e depende do consumidor norte-americano, assim como sua balança comercial.
"É preciso entrar em um consenso, ponto de equilíbrio, existe uma interdependência muito forte, se esse dólar desvaloriza o que será de muita da competitividade chinesa. Esse é um ponto que torna muito mais complexo essa geopolítica", opinou Mancebo..
A população, até então desacostumada com os atuais e persistentes índices da inflação, pode influenciar negativamente no desempenho da melhora da economia do país, segundo Silva.
"Qualquer aumento marginal de juros pode gerar um desgaste para esse governo sem igual [...] essa grande queixa do cidadão comum já desde a crise de 2008: a questão de que 'não consigo pagar o empréstimo do estudo antigo, pagar meu plano de saúde' e, aí, existe realmente essa percepção de empobrecimento do norte-americano."
As
tensões entre o presidente Donald Trump e Banco Central Americano (Fed, na sigla em inglês) e o corte de impostos sobre os mais ricos e outros tipos de contribuições que compunham a receita do Estado também fragilizaram a estabilidade financeira do país, comentou, Mancebo.
"Houve um baque, tanto na produção como na inflação, que pioraram as condições de vida dos americanos como um todo, mas que, por exemplo, não geraram a receita esperada. A receita esperada com as tarifas era muito maior do que de fato foi. Isso gera aumento de preço, gera uma série de problemas."
Segundo ele, se não houver sinalização de que os gastos terão um limite, o risco vai aumentando e a deterioração constante da economia provocará reação em cadeia: "os mercados, as bolsas, os mercados de commodities, todos vão acabar reagindo", concluiu Silva.
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