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Evo Morales propõe eleições em 90 dias para conter crise e protestos na Bolívia

© AP Photo / Julie JacobsonПрезидент Боливии Эво Моралес держит лист коки во время выступления на 61-й сессии Генеральной Ассамблеи Организации Объединенных Наций в штаб-квартире ООН
Президент Боливии Эво Моралес держит лист коки во время выступления на 61-й сессии Генеральной Ассамблеи Организации Объединенных Наций в штаб-квартире ООН  - Sputnik Brasil, 1920, 24.05.2026
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Ex-presidente defende transição política e renúncia de Rodrigo Paz para evitar escalada da violência; bloqueios e confrontos agravam crise econômica e social no país.
O ex-presidente da Bolívia Evo Morales propôs neste domingo (24) a convocação de novas eleições gerais em até 90 dias como saída para a crise política e social que paralisa grande parte do país. A declaração foi feita durante seu programa semanal na Rádio Kawsachun Coca, em meio ao avanço dos protestos e bloqueios contra o governo do presidente Rodrigo Paz.
Segundo Morales, Paz enfrenta duas alternativas diante do cenário atual. Para ele, a pacificação do país dependeria da saída do presidente e da formação de um governo de transição encarregado de convocar novas eleições "para evitar mortes e feridos".

"Tem dois caminhos: uma decisão suicida, a militarização, ou (...) pacificação, transição e eleições em 90 dias", afirmou o ex-mandatário.

Os protestos, que se intensificaram desde o início de maio, reúnem trabalhadores, professores, camponeses, indígenas, transportadores e setores sindicais ligados à Central dos Trabalhadores da Bolívia (COB). Muitas das mobilizações ocorrem em regiões como Cochabamba, Santa Cruz, Potosí e Chuquisaca, com dezenas de bloqueios rodoviários que atingem principalmente os acessos a La Paz.
Parte dos manifestantes resiste às reformas econômicas propostas pelo governo e acusa Rodrigo Paz de ignorar demandas relacionadas a salários, terras, saúde e educação. O presidente, que está há seis meses no poder e enfrenta a pior crise econômica boliviana em quatro décadas, atribui os protestos à articulação política de Morales.
A crise econômica é marcada pela escassez de dólares, inflação crescente e dificuldades no abastecimento. Os bloqueios das últimas semanas provocaram falta de alimentos, medicamentos e combustível em La Paz, agravando o aumento dos preços. Em abril, a inflação atingiu 14% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
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Morales rejeita as acusações de que estaria comandando as manifestações. Em entrevistas recentes, o líder indígena afirmou que o governo tenta responsabilizá-lo pela insatisfação popular e atribuiu a revolta social às políticas adotadas pela atual administração, especialmente ao Decreto Supremo 5503, promulgado logo após a posse de Paz.
"A partir de uma reivindicação setorial — salário, posse de terras, atenção às demandas em saúde e educação — transforma-se em uma revolta popular contra o modelo neoliberal e contra o Estado neocolonial", declarou o ex-presidente.
No sábado (23), forças policiais e militares lançaram a Operação Bandeiras Brancas para tentar desbloquear a rodovia La Paz-Oruro e outras estradas estratégicas. A ação resultou em confrontos violentos, especialmente na região de Senkata, em El Alto, onde agentes utilizaram gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes, que resistiram e reforçaram os bloqueios.
O governo boliviano denunciou as manifestações perante a Organização dos Estados Americanos (OEA), alegando que elas buscam "desestabilizar a ordem democrática", e voltou a acusar Morales de incentivar os protestos. Presidente da Bolívia entre 2006 e 2019, o líder cocaleiro foi impedido de disputar as eleições presidenciais do ano passado após decisão constitucional que limitou as reeleições.
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