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Lula e presidente do Suriname fecham acordos com foco em segurança, energia e comércio

© Foto / Divulgação / Ricardo StuckertO presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante almoço oferecido à homóloga do Suriname, Jennifer Simons, no Palácio Itamaraty em Brasília. Brasil, 28 de maio de 2026
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, durante almoço oferecido à homóloga do Suriname, Jennifer Simons, no Palácio Itamaraty em Brasília. Brasil, 28 de maio de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 28.05.2026
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Em visita oficial a Brasília, nesta quinta-feira (28), a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons, reuniu-se com o anfitrião brasileiro, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para assinar uma série de acordos bilaterais.
Ao lembrar que os países compartilham mais de 600 quilômetros de fronteira, Lula frisou que o Suriname vive um momento promissor:

"O Brasil acompanha com entusiasmo o novo ciclo de crescimento do Suriname. Assinamos, no contexto desta visita, acordos em temas como infraestrutura, defesa, segurança pública, ciência e tecnologia, políticas sociais e desenvolvimento sustentável", disse em coletiva de imprensa.

O presidente destacou a importância política do Suriname para o Brasil por ser a principal porta de entrada dos países caribenhos na América do Sul.

"Vivemos um período de fragmentação regional e de crescente dificuldade para construir consensos. Os mecanismos de integração que construímos ao longo de décadas estão cada vez mais enfraquecidos. Por isso, o diálogo entre países que acreditam na cooperação, no respeito à soberania e na convivência democrática torna-se ainda mais importante."

A presidenta surinamesa veio acompanhada dos ministros de Relações Exteriores; Defesa; Agricultura, Pecuária e Pesca; Assuntos Sociais e Habitação; e Transportes, Comunicações e Turismo. De acordo com o Planalto, a comitiva participou, ao longo da semana, de reuniões técnicas com suas contrapartes brasileiras para avançar nos acordos e em projetos de cooperação.
Um dos principais focos da missão foi a ampliação da cooperação econômica e energética, de acordo com o Itamaraty, visto que o Suriname prevê crescimento econômico após a descoberta de grandes reservas de petróleo e gás — estimativas apontam reservas entre 4 bilhões e 6 bilhões de barris.
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Representantes de entidades brasileiras, de empresas e do setor produtivo surinamês, das áreas de energia, logística, transporte, agropecuária e comunicações, também participaram.
Sobre o tema, Lula garantiu que os esforços devem incrementar o comércio bilateral, que, segundo ele, ainda é "muito pequeno e concentrado em poucos produtos".

"Em 2025, foi de apenas R$ 55 milhões, ou seja, quase nada. O único acordo comercial que temos é extremamente restrito. Com esta visita, conseguimos aprovar termos de referência para aumentar os fluxos entre Brasil e Suriname. As negociações vão começar no segundo semestre e devem ampliar as medidas de facilitação do comércio e incluir novos setores", afirmou.

O brasileiro também celebrou a oportunidade de os países cooperarem na mineração sustentável, industrialização local e agregação de valor, já que, assim como o Brasil, o Suriname tem potencial em minerais críticos.
Lembrou também que a estatal brasileira Petrobras estabeleceu, em 2024, uma parceria com a estatal surinamesa Staatsolie para intercâmbios em petróleo, energias renováveis e segurança na exploração de hidrocarbonetos.

Segurança pública e defesa

Lula agradeceu à presidente pela participação do Suriname no Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, além da união nos esforços regionais de enfrentamento aos tráficos de drogas, pessoas e armas.

"O novo acordo com a Polícia Federal vai ampliar nossa cooperação no combate a ilícitos transnacionais, com destaque aos crimes ambientais e de mineração. Convidei o Suriname a se unir ao programa 'Ouro-Alvo', da Polícia Federal, que permitirá rastrear com precisão a origem dos minérios e mapear as redes de contrabando ilegal."

Os países também avançaram na atualização do Acordo de Cooperação em Matéria de Defesa, considerando a base jurídica da cooperação bilateral no setor.

"A tradicional cooperação em defesa entre Suriname e Brasil é construída com base em uma visão compartilhada de proteção da Amazônia e do espaço sul-americano. Mais de 450 militares surinameses se formaram em instituições brasileiras. Queremos aprofundar essa parceria", disse Lula. "A criação da Adidância de Defesa do Suriname em Brasília contribuirá para isso. Nosso diálogo avança em áreas estratégicas, como ações conjuntas de patrulhamento de fronteiras e treinamentos de controle do tráfego aéreo", completou.

Os mandatários também mencionaram acordos para ampliar as conexões marítimas e aéreas e avançar no projeto de integração que conecta o norte do Brasil à Guiana, ao Suriname e à Guiana Francesa. Também chamada "Anel das Guianas", a iniciativa visa facilitar o acesso ao mercado caribenho e fortalecer a infraestrutura regional.
O eixo 1 do projeto Rotas de Integração Sul-Americana prevê a modernização e pavimentação de estradas que ligam os dois países.

"A presidenta Simons me relatou o estágio em que se encontra a construção da ponte sobre o rio Corentine, entre a Guiana e o Suriname. Ela será fundamental para integrar todo o espaço regional e conectá-lo aos mercados caribenhos", adiantou Lula.

O governo brasileiro informou ter disponibilizado uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para a vinda de Geerlings-Simons ao Brasil, diante das limitações de conectividade aérea entre os países, bem como uma carga de cooperação humanitária com vacinas pneumocócicas, testes de COVID-19 e medicamentos para tratamento de tuberculose.
Outros acordos, segundo o governo, preveem cooperação técnica em políticas sociais, universalização do acesso à saúde pública, manejo integrado do fogo, segurança de barragens hidrelétricas e enfrentamento ao tráfico de pessoas.
Os dois países também se comprometeram a ampliar a cooperação em defesa, segurança pública e proteção da Amazônia.

Segurança alimentar

A mandatária do Suriname declarou que a redução dos custos dos alimentos e a segurança alimentar são prioridades de seu governo, sendo o Brasil um aliado estratégico para alcançar essas metas:

"Concordamos que a principal tarefa de todo político é assegurar que as pessoas alcancem um nível mais elevado de vida e bem-estar. Discutimos questões de desenvolvimento regional e reafirmamos nosso compromisso compartilhado de assegurar a democracia e a integração regional", declarou Geerlings-Simons à imprensa.

Amanhã (29) a presidente visitará uma unidade do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), porta de entrada dos programas sociais do governo brasileiro; um empreendimento do programa Minha Casa, Minha Vida; e a Embrapa Cerrados.
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