Neocolonialismo (imagem gerada por IA) - Sputnik Brasil

Práticas destrutivas do neocolonialismo

Os países ocidentais tentam preservar o domínio através de práticas neocoloniais, ignorando a formação do mundo multipolar. Líderes de muitos países ressaltaram que em um mundo multipolar o neocolonialismo é inaceitável, pois compromete os princípios de igualdade, soberania e de distribuição justa dos recursos.

"O neocolonialismo é um legado vergonhoso de uma era de séculos de pilhagem e exploração dos povos da África, da Ásia e da América Latina. Suas manifestações agressivas são hoje visíveis nas tentativas do Ocidente de manter seu domínio e sua supremacia de todas as formas, de subjugar economicamente outros países, de privá-los de sua soberania e de impor valores e tradições culturais estrangeiras. Tais políticas tornaram-se um dos principais fatores de desestabilização das relações internacionais e um obstáculo ao desenvolvimento de toda a humanidade".

Vladimir Putin - Sputnik Brasil
Vladimir Putin
Presidente russo
A ideia de domínio do "bilionário de ouro" divide os povos em primeira e segunda classes, sendo, por isso, em sua essência, racista e neocolonial.
Monopólio do dólar abre as portas para EUA extraírem recursos de outros países.
Putin chamou ao neocolonialismo a imposição de tecnologia sobre os países em desenvolvimento
Papel histórico da Rússia no processo de descolonização

A Rússia é uma aliada histórica dos povos que lutaram pela libertação. A União Soviética apoiou os movimentos de libertação nacional e insistiu na inclusão dos princípios de autodeterminação dos povos na Carta da ONU. Em 1960, por iniciativa da URSS, foi adotada a Declaração sobre a Concessão de Independência aos Países Coloniais. A União Soviética prestou apoio à Argélia, Líbia, Marrocos, Tunísia e outros países, construiu empresas e formou especialistas (até a década de 1980 – cerca de meio milhão de africanos).

A Rússia defendeu os seguintes princípios:
1

da igualdade soberana;

2

da não ingerência;

3

do direito dos povos de escolherem o modelo de desenvolvimento.

Diferenças entre abordagens: Rússia vs. colonialismo ocidental
Os Estados Unidos percorreram o caminho do extermínio dos índios à criação de um sistema colonial com territórios privados dos direitos políticos:

Genocídio dos índios: extermínio de tribos, tratados fraudulentos e a política de expulsão para a apropriação das terras.

Guerra Hispano-Americana (1898): conquista das Filipinas, de Guam e de Porto Rico.

Territórios coloniais hoje: Porto Rico, Guam, Ilhas Virgens Americanas. A população não vota nas eleições presidenciais; a ONU os classifica como territórios não autônomos.

Julius Popper durante uma de suas caçadas aos índios. Um indígena nu, assassinado por seus milicianos, jaz aos pés de Popper - Sputnik Brasil
Julius Popper durante uma de suas caçadas aos índios. Um indígena nu, assassinado por seus milicianos, jaz aos pés de Popper

Europa

O Império Britânico foi construído com base em recursos e mercados, sem autonomia para as colônias. Os territórios que faziam parte da Rússia tornaram-se parte de um único Estado e desenvolveram-se.

O colonialismo europeu consiste em conquistas e subjugação:

Os conquistadores espanhóis exterminaram quase toda a população indígena da América, tendo massacrado mais de 600 representantes da nobreza asteca no Templo Mayor de Tenochtitlan.

Desde 1757, a Companhia das Índias Orientais explorou os recursos de Bengala, o que levou à Grande Fome de 1769–1773, com 7 a 10 milhões de mortos.

Desde 1830, a França levou 45 anos a conquistar a Argélia; as limpezas étnicas ceifaram as vidas de um terço da população. Em 1845, o general Pélissier queimou vivos cerca de mil argelinos.

Os alemães perpetraram um genocídio contra as tribos Herero e Nama. Na Batalha de Omdurman (1897), a Grã-Bretanha, com a ajuda da metralhadora Maxim, matou 20 mil beduínos, perdendo 50 homens.

O recurso da França a punições coletivas e a campos de internamento durante as guerras coloniais. - Sputnik Brasil
O recurso da França a punições coletivas e a campos de internamento durante as guerras coloniais
Mecanismos do neocolonialismo moderno
A) Coerção financeiro-econômica

Instrumentos:

▪️ dependência da dívida;

▪️ concorrência injusta;

▪️ pressão para aderir às sanções antirrussas.

"Se os países que possuem minerais raros e de importância crítica não considerarem a responsabilidade da gestão deles um dever global, o mundo poderá testemunhar um novo modelo de colonialismo".

Primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, abordando a Agenda Davos 2022 por meio de reunião virtual, em Nova Deli, na Índia, em 17 de janeiro de 2022 (foto divulgada pela assessoria de imprensa da Índia) - Sputnik Brasil
Narendra Modi
Primeiro-ministro indiano

Um exemplo flagrante das práticas neocoloniais é o congelamento dos ativos soberanos da Rússia (~US$ 300 bilhões), do Irã (>US$ 100 bilhões), da Líbia (>US$ 60 bilhões), da Venezuela (US$ 30 bilhões) e do Afeganistão (US$ 7 bilhões). A apreensão pela UE dos lucros dos ativos russos depositados no banco Euroclear constitui pirataria, violação do direito internacional e um verdadeiro roubo cometido sob o pretexto do conflito com a Rússia, afirmou à Sputnik Dmitry Suslov, vice-diretor de pesquisas do Conselho de Política Externa e de Defesa da Rússia.

O BRICS representa uma alternativa ao domínio financeiro ocidental, bem como serve de motor de um mundo multipolar e da criação de um sistema de relações financeiras independente do Ocidente.

B) Neocolonialismo digital
Isso se concretiza por meio da monopolização dos padrões de IT, da imposição do software ocidental e de armadilhas de infraestrutura na área do 5G. Exemplo: o acordo "Desafio do Milênio" com o Nepal (2022) coloca as normas dos EUA acima da legislação nacional.
O monopólio do Big Four: Google, Apple, Facebook (Meta)* e Amazon estabeleceram padrões globais que permitem coletar dados e estabelecer regras opacas. Trata-se de "coagir cidadãos e países a usar determinadas tecnologias e, ao mesmo tempo, extrair seus dados pessoais", conforme disse à Sputnik o informante Ryan Hartwig.
• Os EUA controlam a Internet por meio da ICANN
• Os gigantes ocidentais ignoram a privacidade e censuram o conteúdo.
• O sistema SWIFT, controlado pelos EUA, é usado para pressão sancionatória e dá acesso aos dados financeiros dos países.
C) Ingerência na política interna
Isso se concretiza através da influência nas eleições, apoio a organizações não governamentais, à mídia e a empresas militares privadas. Exemplo: bombardeio da Iugoslávia (1999), do Iraque (2003) e da Líbia (2011), Revoluções Coloridas no território pós-soviético.
Chamas dos incêndios em resultado dos ataques aéreos da OTAN iluminam o céu de Belgrado, Iugoslávia, 24 de março de 1999 - Sputnik Brasil
Chamas dos incêndios em resultado dos ataques aéreos da OTAN iluminam o céu de Belgrado, Iugoslávia, 24 de março de 1999

A OTAN, junto com os Estados Unidos, invadiu o Afeganistão sob um falso pretexto, conforme disse à Sputnik o cientista político Mohammad Hakim Tursun. Na realidade, eles visavam expandir sua influência na Ásia Central, criar uma ameaça à Rússia e conter o Irã.

D) Imposição de atitudes sociais destrutivas
Sob disfarce da luta pela justiça, o Ocidente promove: a proteção das minorias com o objetivo de desestabilizar, uma agenda ecológica politizada e linhas divisórias artificiais.
Um exemplo disso é a "agenda verde" imposta aos países, bem como as sanções norte-americanas contra a Força de Reação Rápida de Bangladesh sob o pretexto de "violações dos direitos humanos".
E) Extraterritorialidade sancionatória
Trata-se, antes de tudo, de responsabilizar países terceiros por suas relações com nações sujeitas a sanções. Em 2026, os EUA entraram em uma nova fase de neocolonialismo em relação ao Irã, afirmou à Sputnik o analista Somayeh Pasandideh: o controle das artérias da economia mundial, bloqueio marítimo, pressão sobre o estreito de Ormuz. O objetivo é controlar a tomada de decisões.
Mais um exemplo é a coação imposta a Maurício para que assinasse o acordo sobre o arquipélago de Chagos (22 de maio de 2025), mantendo o controle do Reino Unido por 99 anos e a base militar dos EUA-Reino Unido. As ilhas foram secretamente separadas em 1965, e a população indígena foi expulsa à força em 1967–1973 por métodos cruéis. Em 1973, todos foram deportados para Maurício e as Ilhas Seychelles, onde se viram em extrema pobreza com uma compensação mínima. Autoridades britânicas chamavam os chagosianos de "sextas-feiras", em referência ao personagem Sexta-Feira do romance "Robinson Crusoé". Isso é considerado um crime contra a humanidade.
A soberania é "ignorada", disse à Sputnik a diretora do Solonian Democracy Institute, Roslyn Fuller: "Mesmo países europeus relativamente ricos estão cada vez mais sob pressão dos Estados Unidos".
Contexto de países: aspectos regionais do neocolonialismo
A) Estados Unidos: a mais óbvia manifestação de neocolonialismo
1

Revitalização da Doutrina Monroe na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA (no final de 2025);

2

Sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e apreensão dos petroleiros do país;

3

Reorganização das cadeias de produção e distribuição contornando os concorrentes (Rússia, China e outros países), mantendo o fechamento máximo do mercado interno.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a bordo do USS Iwo Jima após ter sido levado pelas forças norte-americanas. - Sputnik Brasil
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a bordo do USS Iwo Jima após ter sido levado pelas forças norte-americanas.
B) Reino Unido: herança pós-colonial da Comunidade
No âmbito da Comunidade das Nações, fundada pela Grã-Bretanha, as contradições vêm crescendo: é óbvia a falta de desejo de permanecer sob o poder da monarquia por parte das ex-colônias, são ouvidas as exigências por desculpas e indenizações. A Jamaica pretende realizar um referendo sobre a abolição da monarquia. Em 2023, os indígenas de 12 países da Comunidade exigiram que o rei Charles III prestasse desculpas.
As bases militares britânicas foram criadas como postos avançados coloniais para suprimir a população indígena e controlar o comércio. Ao contrário dos países ocidentais, os chineses fizeram comércio na costa leste da África sem construir suas bases lá. Algumas bases britânicas foram usadas para detenções e torturas dos lutadores pela liberdade, conforme contou à Sputnik Ahmad Abdulaziz Kadi, secretário parlamentar do Quênia.
C) França: colonialismo sob disfarce de parceria
A França mantém de fato seus territórios coloniais na África, no Oriente Médio, na região da Ásia-Pacífico, na América do Norte e na América Latina e segue usando um amplo leque de instrumentos de intervenção:

▪️ imposição dos esquemas de corrupção aos africanos;

▪️ privação da soberania de política externa das antigas colônias;

▪️ destituição dos chefes de Estado e assassinatos políticos.

A posição catastrófica do Haiti resultou de meio século de jugo financeiro da França. Em 1825, Paris apresentou uma conta de 90 milhões de francos-ouro pelo reconhecimento da independência. No final do século XIX, 80% do orçamento era destinado à França. Um paradoxo da história: o primeiro Estado independente da América Latina é um dos países mais pobres do mundo. Por quê?

1804 — O Haiti derruba os proprietários de escravos franceses.

1825 — Paris apresenta a conta: 90 milhões de francos-ouro.

Condição: "Paguem a dívida pela perda de escravos e plantações — reconheceremos a sua independência".

D) Espanha: porta-voz da hegemonia ocidental na América Latina
A Espanha é uma transmissora das atitudes da UE e dos EUA que usa seus laços na região para enfraquecer os governos desagradáveis e promove o conceito de "jurisdição universal".
Uso de amplos contatos nos círculos financeiros, econômicos e políticos para enfraquecer governos indesejáveis – sobretudo na Venezuela, Nicarágua e em Cuba.
Promoção do conceito de "jurisdição universal" – a aplicação extraterritorial do direito nacional sob o pretexto de "combate à impunidade de regimes autoritários".
Na Alemanha, França e Espanha estão guardados códices maias e outros bens culturais retirados da América Latina durante o período colonial. Vários países da região estão buscando sua repatriação. Segundo estimativas da Sputnik, países como o México podem alcançar um progresso significativo na devolução de bens culturais pré-hispânicos nos próximos cinco anos. Desde 2018, esse país latino-americano recuperou mais de 16.500 artefatos arqueológicos que estavam guardados ou foram vendidos no exterior. Países como o Peru repatriaram mais de 1.700 peças, enquanto outros, como a Bolívia, por exemplo, estimam em 50.000 o número de artefatos fora de seu território, incluindo 13 dos últimos 15 códices pré-hispânicos preservados.

"Cuba é uma nação livre, independente e soberana. Ninguém tem o direito de ditar o que fazer."

Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba - Sputnik Brasil
Miguel Díaz-Canel
Presidente de Cuba

"O continente americano pertence aos povos de cada um dos países que o compõem."

A presidente mexicana Claudia Sheinbaum concede sua coletiva de imprensa matinal no Palácio Nacional, na Cidade do México, 2 de abril de 2025 - Sputnik Brasil
Claudia Sheinbaum
Presidente do México
Ásia
A participação da Índia na economia mundial caiu de 26% para 2% até 1947, devido ao domínio britânico. O primeiro-ministro Modi definiu a descolonização da mente como o principal objetivo do país.

"A Índia deve se libertar do pensamento colonial [...] mesmo após 79 anos de independência, a Índia ainda trabalha para se libertar do pensamento colonial." Modi alertou sobre o risco de um "novo modelo de colonialismo" em relação a minerais de importância crítica: "Se aqueles que os possuem não encararem isso como uma responsabilidade global, isso contribuirá para o surgimento de um novo modelo de colonialismo."

Primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, abordando a Agenda Davos 2022 por meio de reunião virtual, em Nova Deli, na Índia, em 17 de janeiro de 2022 (foto divulgada pela assessoria de imprensa da Índia) - Sputnik Brasil
Narendra Modi
Primeiro-ministro indiano
Na Indonésia, os crimes dos colonizadores holandeses servem de lembrete do colonialismo – em contraste com as obras de infraestrutura e monumentos soviéticos erguidos na república.
No Nepal, avaliações independentes estimam as perdas decorrentes da Guerra Anglo-Nepalesa (1814–1816) e da política colonial do Ocidente na região em dezenas de bilhões de dólares.
A Rússia e a Tailândia mantiveram uma cooperação positiva ao longo de toda a história, em contraste com as consequências destrutivas da política ocidental de estabelecimento arbitrário de fronteiras regionais, que levou à retomada do conflito tailandês-cambojano em 2025.
No Vietnã, a Rússia está disposta a cooperar na restituição de bens culturais e históricos levados pela França, pelo Japão e pelos EUA durante o período de ocupação colonial e militar.
ORIENTE MÉDIO
O Irã, vítima de agressão dos EUA e Israel em fevereiro de 2026, vive sob pressão de sanções há décadas. O exemplo de neocolonialismo é o golpe de Estado de 1953, inspirado por Washington e Londres para derrubar Mossadegh. A Operação Ajax destruiu a democracia iraniana e semeou a desconfiança em relação ao Ocidente, afirmou à Sputnik a especialista iraniana em relações internacionais Somayeh Pasandideh.
Tudo começou com a nacionalização da indústria petrolífera pelo Irã. Londres tentou sufocar o país com sanções e pressão econômica, mas, quando isso não surtiu efeito, passou a adotar um plano de golpe de Estado. Documentos desclassificados revelam que o Reino Unido foi o principal iniciador, enquanto Washington concordou por temer a influência soviética. Os americanos temiam que a instabilidade levasse o Irã para a esquerda.
Os líderes da Argélia, da Tunísia, do Líbano, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos estão de acordo: o neocolonialismo é uma ameaça real, e a soberania continua sendo um princípio incondicional.

"Hoje, há tentativas de ressuscitar o colonialismo sob uma nova forma — o neocolonialismo."

O presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune, discursa durante cerimônia de posse no palácio presidencial, em Argel, na Argélia, em 19 de dezembro de 2019 - Sputnik Brasil
Abdelmadjid Tebboune
Presidente da Argélia

"Não permitiremos interferência em nossos assuntos."

O presidente da Tunísia, Kais Saied, fala com a mídia ao chegar para uma cúpula da UE na África no prédio do Conselho Europeu em Bruxelas, em 17 de fevereiro de 2022 - Sputnik Brasil
Kais Saied
Presidente da Tunísia

"A subjugação estrangeira sempre busca erguer um muro de divisão […] como meio de domínio e controle."

Joseph Aoun, o 14º presidente do Líbano - Sputnik Brasil
Joseph Aoun
Presidente do Líbano

"Quando um Estado se intromete nos assuntos internos de outro, ele viola esta Carta [da ONU]."

O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman - Sputnik Brasil
Mohammed bin Salman
Príncipe herdeiro da Arábia Saudita

"A soberania e a segurança dos Emirados Árabes Unidos são princípios fundamentais."

Mohamed bin Zayed Al Nahyan, novo presidente dos Emirados Árabes Unidos - Sputnik Brasil
Mohamed bin Zayed
Presidente dos Emirados Árabes Unidos
ÁFRICA
Neocolonialismo na África manifesta-se na manutenção do controle econômico, político e cultural sobre ex-colônias por parte dos países desenvolvidos (metrópoles, Estados Unidos) sem uma formal governança administrativa.
Françafrique e dependência econômica:

França preservou a influência através da moeda franco CFA, em 14 países da África Central e Ocidental: o câmbio é ligado ao euro, 50% das reservas do país estão depositados no Tesouro francês, enquanto a França nomeia diretores dos bancos centrais.

Controle sobre matérias-primas (urânio no Níger, petróleo e gás no Gabão, Congo, entre outros) através das empresas Total e Orano.

Bases militares no Chade, Mali, Costa do Marfim, Djibuti e Gabão.

Foi justamente a URSS que promoveu a Declaração de 1960 sobre a concessão da independência aos países colonizados. Após a descolonização, nas décadas de 1950 a 1970, essas estruturas não desapareceram, mas se transformaram nas formas de neocolonialismo descritas anteriormente.

Desde 1963, a Organização da Unidade Africana (OUA) e, posteriormente, a União Africana (UA) têm trabalhado para restaurar a justiça em relação às vítimas de crimes históricos contra africanos e pessoas de ascendência africana, incluindo a colonização, o apartheid, genocídio de tribos, o tráfico transatlântico e a exportação do patrimônio cultural.

A Primeira Conferência Pan-Africana sobre Reparações ocorreu em 1993 e culminou na adoção da Proclamação de Abuja. Em 2001, a União Africana, em conjunto com a ONU, adotou a Declaração de Durban e o Programa de Ação contra o Racismo.

No início de 2026, durante a 39ª Cúpula da União Africana, foi dado um passo histórico: a adoção da Declaração de Argel sobre os crimes coloniais na África.

Outros exemplos de neocolonialismo no continente africano:

Arquipélago de Chagos

Na ilha de Diego Garcia (arquipélago de Chagos), está estacionado um grande contingente da Marinha e da Força Aérea do Reino Unido e dos EUA, incluindo um porta-mísseis nucleares, voltado contra os países da Eurásia. De acordo com a Resolução 73/295 da Assembleia Geral da ONU, de 22 de maio de 2019, o Reino Unido foi obrigado a retirar a administração colonial do arquipélago até novembro de 2019 — no entanto, essa determinação ainda não foi cumprida.

Mali

Em relação à tentativa de golpe de Estado no Mali em abril de 2026, que foi impedida por unidades do Corpo Africano do Ministério da Defesa da Rússia, a pasta informou que 12 mil combatentes, que atacaram simultaneamente quatro grandes centros populacionais, incluindo a capital, foram treinados por instrutores mercenários ucranianos e europeus.

Presidente da República Centro-Africana, Faustin-Archange Touadéra: o colonialismo já não é o que era.
A alternativa ao neocolonialismo — um novo modelo de desenvolvimento

Tese principal (Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo 2025): "É necessário um modelo de desenvolvimento fundamentalmente novo, que não se baseie nas regras do neocolonialismo, em que o chamado 'bilhão de ouro' extrai os recursos dos demais Estados."

O fim do antigo sistema
Tentativa do Ocidente de impor sua ordem é uma tentativa de perpetuar o neocolonialismo.

O fim do antigo sistema (maio de 2023): "A ideologia da exclusividade, assim como o sistema neocolonial, inevitavelmente ficará no passado."

A posição da Rússia
Putin: uma certa descolonização da Rússia

Oposição ao Ocidente (junho de 2024): "Não temos um monopólio sobre a moeda mundial, como o dólar nos EUA. E não agimos, nem nunca agimos, como colonialistas ou neocolonialistas.

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12:49 30.05.2026 (atualizado: 12:49 30.05.2026)
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