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O que está por trás do apoio conquistado por Abelardo de la Espriella nas eleições colombianas?

© Foto / Equipo de prensa de Abelardo de la EspriellaO candidato à presidência colombiana, Abelardo de la Espriella
O candidato à presidência colombiana, Abelardo de la Espriella - Sputnik Brasil, 1920, 02.06.2026
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A vitória de Abelardo de la Espriella no primeiro turno das eleições na Colômbia indica que uma grande parcela da população está "cansada do sistema político", disse o cientista político Felipe Mendoza à Sputnik. O analista Juan Lozano acredita que Iván Cepeda ainda pode ganhar terreno eleitoralmente se concentrar seus esforços no centro.
"Pela primeira vez na história política deste país, um homem independente, sem chefes políticos, sem financiadores, filho de uma província e com o caráter necessário, venceu o primeiro turno", exclamou o candidato presidencial Abelardo de la Espriella durante seu discurso no Malecón — uma espécie de calçadão —, em Barranquilla.
As palavras do candidato à presidência, proferidas enquanto vestia a camisa da seleção colombiana e atrás de um vidro à prova de balas, refletiram a surpresa que o resultado da eleição representou para o país sul-americano, que até o início do dia da votação ainda debatia se o candidato do Pacto Histórico, partido governista, Iván Cepeda, tinha condições de vencer no primeiro turno.

Absorção de votos?

Em entrevista à Sputnik, Juan Lozano, analista político e professor da Universidade Nacional da Colômbia (UNAL), destacou que os 43,74% dos votos obtidos por Espriella podem ser explicados principalmente pelo declínio eleitoral da outra importante candidata da oposição colombiana, Paloma Valencia, que ficou em segundo lugar nas pesquisas, mas acabou não alcançando 7% dos votos.
"Abelardo de la Espriella acabou desviando votos de Valência, porque o eleitor de direita, confrontado com a escolha entre os dois, iria claramente inclinar-se para a opção que lhe permitisse vencer Cepeda num cenário de segundo turno", explicou o especialista.
Lozano considerou que certamente a maioria dos eleitores de Espriella em 31 de maio não eram "abelardistas", ou seja, não decidiram apoiá-lo por simpatia, mas sim devido às possibilidades concretas de triunfar sobre o candidato oficial, que eles veem como "o sucessor" do governo de Gustavo Petro, com o qual não concordam.
O candidato vencedor do primeiro turno chegou a enfatizar que muitos dos eleitores que o apoiaram podem não compartilhar o estilo confrontador do líder dos Defensores da Pátria e podem até acreditar que "ele é uma pessoa que poderia ameaçar a democracia de alguma forma", mas acabaram escolhendo-o em uma "decisão racional" com o objetivo principal de evitar um segundo mandato ao "petrismo".
O analista político Felipe Mendoza afirma que os resultados das eleições demonstram "a consolidação de uma lógica de opostos" na política do país sul-americano, que polarizou o espectro político e tornou o debate público cada vez mais agressivo. Essa lógica, enfatizou, provavelmente caracterizará "a sociedade colombiana pelos próximos quatro anos".
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Para Mendoza, a ascensão eleitoral de Abelardo de la Espriella é precisamente o resultado desse processo de polarização, já que o candidato "ultrapassou os limites esperados" de sua votação ao se posicionar como a principal alternativa ao governo de Petro. Nesse sentido, ele concordou que o nível de apoio alcançado transcende considerações puramente ideológicas.

"Hoje, duvido que existam 10,3 milhões de colombianos de direita, mas sinto que existem 10,3 milhões de colombianos que estão fartos, cansados ​​de uma forma de governar que vai além da direita e da esquerda", argumentou ele.

Nesse sentido, ele considerou que a votação recebida por Espriella "não foi ideológica" e que, portanto, o resultado eleitoral do domingo (31) demonstra a necessidade de "reavaliar a lógica político-eleitoral com base em grandes blocos".

Cepeda, forçado a mudar de estratégia

Em todo caso, a queda para o segundo lugar acendeu o alerta na campanha de Cepeda, que não só se mostrou mais confrontador em seu discurso na noite da eleição, como também, no dia seguinte, desafiou Espriella para um debate público e exigiu que o candidato parasse de usar a camisa da seleção colombiana de futebol como seu símbolo.
Mendoza argumentou que, com esse novo cenário, Cepeda "precisa repensar e redefinir a lógica da campanha", que até então havia se concentrado quase exclusivamente em "consolidar o que já tinham" e que havia levado o candidato a evitar debates públicos, entrevistas e perguntas em coletivas de imprensa.
Segundo o analista, Cepeda terá que tentar uma abordagem diferente, pois precisa demonstrar que mantém a "capacidade de gerar apoio", um aspecto que considera crucial para o segundo turno. "Desta vez, eles não venceram sozinhos e agora precisam conversar com Sergio Fajardo — que ficou em quarto lugar com 4,26% dos votos — e Claudia López — quinta colocada com 0,95% —, já que são eles que podem fazer a diferença", avaliou.
Lozano destacou que, apesar dos resultados eleitorais desfavoráveis, a esquerda colombiana ainda tem "uma janela" para crescer eleitoralmente rumo ao segundo turno, caso se concentre no centro político, espectro no qual se encontram vários dos candidatos que ficaram para trás.
"Esse voto centrista, que não chegou ao segundo turno, ainda é um voto importante porque representa mais de 1,3 milhão de votos, e é razoável pensar que não irá para Espriella ", destacou o analista.
Tanto Fajardo quanto López questionaram as posições de Espriella, sugerindo que não veem nenhuma possibilidade de apoiar o candidato de direita. Algo semelhante aconteceu com Juan Daniel Oviedo, companheiro de chapa de Paloma Valencia, que se distanciou do apoio a Espriella depois de chamá-lo de "homofóbico e sexista".
Segundo Lozano, a capacidade de Cepeda de "elevar o patamar da esquerda", ao obter quase um milhão de votos a mais que Petro nas eleições de 2022, o coloca em uma posição melhor para buscar apoio adicional. Embora o centro político pareça ser o alvo principal, o especialista acredita que o candidato do governo também precisará angariar apoio dos "clãs" políticos influentes nos diversos departamentos do país.
Pelo contrário, apesar da boa votação, Espriella pode ter dificuldades em continuar crescendo, já que a maioria dos eleitores que optaram por se manifestar contra o governo já se pronunciou a favor dele neste caso.
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