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Líbano torna-se 'cartão de pressão' nas negociações entre Irã e EUA, opinam especialistas

© AP Photo / Mohammad ZaatariFumaça sobe do bombardeio israelense perto da aldeia de Kfar Shouba, no sul do Líbano, depois que o Hezbollah disparou foguetes perto de posições israelenses nas Colinas de Golã, em 6 de agosto de 2021
Fumaça sobe do bombardeio israelense perto da aldeia de Kfar Shouba, no sul do Líbano, depois que o Hezbollah disparou foguetes perto de posições israelenses nas Colinas de Golã, em 6 de agosto de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 04.06.2026
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O Líbano, de fato, se transformou em uma alavanca de pressão nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, enquanto Israel tenta usar o tempo antes de um possível acordo político para mudar a situação no front, opinaram dois especialistas libaneses em entrevista à Sputnik.
Na opinião do doutor em ciências políticas e históricas da Universidade Estatal do Líbano, Ronin Khalil, Estados Unidos e Israel buscam colocar o Estado libanês em situação de oposição direta ao movimento Hezbollah, transferindo a responsabilidade pelo desarmamento do movimento para autoridades libanesas.

"Obviamente, o Líbano tornou-se um cartão de pressão nas negociações. Apesar de todos os apelos internos e externos, o embate político continua. Vamos ver como a situação no terreno se desenvolverá", disse Ronin.

Segundo ele, em caso de colapso do cessar-fogo e da continuação da guerra e do deslocamento em massa da população, isso poderia levar a mudanças sociais e demográficas de longo prazo.
De acordo com Ronin, parte das regiões do sul pode separar-se do resto do país, e a realocação dos moradores em meio à crise econômica pode causar atrito entre os deslocados internos e as comunidades de acolhimento.
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Por sua vez, o especialista militar libanês, brigadeiro-general aposentado Malik Ayub, acredita que os mediadores dos EUA podem propor uma fórmula provisória.
Segundo ele, isso pode ser um mecanismo "passo a passo" no qual cada etapa da retirada israelense será acompanhada por ações recíprocas do Líbano para garantir a segurança e desmantelar a infraestrutura militar.
Ao mesmo tempo, segundo o especialista, a preservação do canal de negociação é necessária principalmente para evitar o colapso total da trégua e o retorno a uma escalada ainda mais ampla.
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Ayub explicou que a delegação israelense apresentou mapas com as coordenadas dos locais onde, na avaliação de Tel Aviv, poderia haver infraestrutura militar remanescente, e vinculou a possível retirada de suas forças ao cumprimento das exigências de segurança do Líbano.
O lado libanês, por sua vez, exigiu primeiro um cessar-fogo final e um cronograma claro para a retirada das forças israelenses de todas as áreas por onde haviam entrado nas últimas semanas.
Na terça-feira (2), o presidente libanês, Joseph Aoun, disse que Beirute não vê alternativa às negociações com Israel, enquanto o primeiro-ministro, Nawaf Salam, classificou as negociações como o caminho menos caro para a paz. A liderança do Hezbollah declarou sua disposição de observar a trégua desde que cessem os ataques israelenses em todo o território do Líbano.
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