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Marcha para Jesus reúne políticos em SP; fiéis dividem opiniões sobre presença de pré-candidatos

© Sputnik / Guilherme CorreiaMulher veste bandeiras de Brasil e Israel mescladas entre si, indumentária comum durante a Marcha para Jesus, em Santana, zona norte de São Paulo, em 4 de junho de 2026
Mulher veste bandeiras de Brasil e Israel mescladas entre si, indumentária comum durante a Marcha para Jesus, em Santana, zona norte de São Paulo, em 4 de junho de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 04.06.2026
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A 34ª edição da Marcha para Jesus tomou as ruas da capital paulista nesta quinta-feira (4) com o tema "Todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Senhor". O evento, organizado pelo apóstolo Estevam Hernandes, transformou-se também em palanque político às vésperas das eleições de 2026.
Subiram ao trio elétrico o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o advogado-geral da União, Jorge Messias, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB).
Ao chegar ao evento, Flávio declarou que sua participação tinha caráter religioso e que pretendia "orar pelo povo brasileiro", afirmando não estar ali como candidato, mas como cristão. O discurso, no entanto, logo ganhou contornos eleitorais. Do alto do trio, o senador convocou os fiéis:

"Vamos orar pelo nosso Brasil, essa guerra é espiritual e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal que vai ser expulso do governo do Brasil esse ano."

Tarcísio adotou tom religioso, afirmando que os participantes deveriam buscar transformação pessoal pela fé: "São Paulo é do Senhor Jesus. Coisas sobrenaturais acontecerão".
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O organizador Estevam Hernandes chamou Tarcísio e Nunes de "governador e prefeito da marcha" e os classificou como "servos de Deus".
Representando o governo federal, Messias participou da marcha pelo quarto ano consecutivo e adotou tom diferente, defendendo diálogo, perdão e reconciliação. Declarou à imprensa que a Marcha para Jesus "não é comício" e deve ser vista como espaço de manifestação da fé.
Em discurso, Messias afirmou que "a mesa de Jesus é para judeus e gentios" e que até Judas se sentou à mesa de Cristo, sem segregação.
Convidado para participar do evento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por não comparecer para "não passar a ideia de que quer tirar proveito político de algo sagrado". Em vez disso, o presidente pediu a Messias para levar a "palavra de amor e de comunhão" aos presentes.
O advogado-geral da União também entregou nas mãos de Estevam Hernandes um celular com uma ligação de Lula.
A presença de Tarcísio e Flávio no mesmo trio chamou atenção por ocorrer após semanas de distanciamento político, desde a divulgação do áudio em que Flávio pede recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre os fiéis que participaram do evento, Vinicius Queiroz, coordenador de fretes, convertido neste ano, afirmou que "política não se mistura com religião". Para ele, "desde que eles não interfiram com a política e religião nesse evento, pra mim não interfere".
Deise Karine, mecânica que viajou do Rio de Janeiro especialmente a São Paulo para a marcha, apontou para os riscos da instrumentalização política: "A gente tem que ter o pensamento de melhorar o país, porque às vezes a gente acaba usando a política pra ir um contra o outro, causando mais divisão".
Débora Alves Ferreira, enfermeira e docente, viu com satisfação a presença de pré-candidatos: "É muito bom saber que um candidato segue o mesmo caminho. Ter candidatos evangélicos que creem no mesmo Deus é uma forma de representar os evangélicos na política".
O evento reuniu 33,8 mil pessoas, segundo o Monitor do Debate Político USP/CEBRAP.
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