
"A favela precisa ser pensada e olhada como lugar de inovação, e não de criminalidade. Existem pessoas dentro da favela mudando esse conceito e levando o que têm de melhor. Se eu pudesse perguntar 'quem é o maior empreendedor que você conhece?', talvez fosse um colega periférico fazendo algo diferente, criando algo diferente", afirma.
Ele conta que a paixão pela tecnologia veio do pai, que sempre foi um entusiasta das inovações e, em uma realidade bem distante para a época, comprou um computador quando ainda era criança.

"Este é o propósito do projeto: aproximar as pessoas da tecnologia. E o empreendedor raiz está na favela. Então o Futuroon tenta trazer esse profissionalismo para quem empreende. Temos cursos para ajudar a entender os cálculos, o caixa, os custos e quanto cobrar pelos serviços ou produtos. A inteligência artificial também nos ajuda muito nisso e, em breve, vamos abrir uma ementa de curso só para IA", revela.

"Estamos em uma favela da Zona Sul cercada pelos bairros mais caros da cidade do Rio de Janeiro. Tudo isso faz com que a Rocinha tenha um pouco menos de conflitos, e acho que tanto a polícia quanto o tráfico e outros atores que mediam esses conflitos têm uma mentalidade diferente. E a Rocinha é muito grande, oferece muitas paisagens, muitos espaços abertos e permite circulação com vans e carros. Tudo isso faz com que seja possível realizar grandes produções", pondera.

"O nosso papel, não só enquanto terceiro setor, enquanto empresa, mas também enquanto governo, como sociedade civil como um todo, é ajudar, apoiar e fazer com que isso tudo cresça", defende o empreendedor.
"Nosso objetivo é empoderar essas pessoas. Nós, moradores de favelas e periferias, podemos criar nosso próprio instituto de pesquisa para produzir conteúdo, informação e dados que retratem o que acontece na prática e descobrir causas que, muitas vezes, nem conhecemos", defende o ativista.
"O Data Labe surge dessa necessidade de democratizar as ferramentas de trabalho com dados, principalmente as digitais, e de tornar visíveis dados produzidos longe dos grandes institutos de pesquisa. Também nasce da discussão sobre que tecnologia e Internet queremos construir", comenta.