https://noticiabrasil.net.br/20260612/africa-nao-e-um-tabuleiro-e-soft-power-brasileiro-e-incomparavel-diz-general-ex-observador-da-onu-51264793.html
'África não é um tabuleiro' e soft power brasileiro é incomparável, diz general ex-observador da ONU
'África não é um tabuleiro' e soft power brasileiro é incomparável, diz general ex-observador da ONU
Sputnik Brasil
Em um contexto cada vez mais complexo, em que a disputa por recursos naturais se acirra, a maioria dos países da África e o Brasil têm em comum riquezas... 12.06.2026, Sputnik Brasil
2026-06-12T19:30-0300
2026-06-12T19:30-0300
2026-06-12T20:53-0300
notícias do brasil
brasil
áfrica
sudão
onu
exclusiva
oriente médio e áfrica
mundioka
podcast
nações unidas
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07e8/02/11/33126477_0:0:2048:1153_1920x0_80_0_0_2209b028226a3947cfe5c7ea346c5777.jpg
A avaliação é do assessor militar da chefia de educação e cultura do Ministério da Defesa, na área de patrimônio histórico e cultural militar, general João Gobert Damasceno."O que o Brasil consegue fazer com o soft power em determinados ambientes é incomparável", opina ele em entrevista ao podcast Mundioka desta sexta-feira (12).Com vasta experiência como representante do Brasil na África, seu primeiro posto foi no Sudão. Como observador militar da Organização das Nações Unidas (ONU), ele realizava patrulhas, inspeções e contatos com comunidades.Nessas interações, compreendeu que trabalhar pela paz "exigia muito mais do que presença militar: demandava empatia, diálogo e construção de confiança".Ao longo da missão, assumiu funções de liderança e coordenação de observadores de dezenas de países, atuando inclusive na fiscalização do acordo de paz de 2005 no Sudão, e na mediação entre diferentes atores locais.Para ele, a principal diferença entre uma operação militar convencional e uma missão de paz é que nesta não existe um inimigo definido, o que exige ações políticas, diplomáticas e humanas para evitar que os conflitos se agravem.O general também destaca que os conflitos na região não eram causados diretamente por diferenças étnicas ou religiosas, mas pela instrumentalização dessas identidades por interesses políticos. Lá, testemunhou comunidades cristãs, muçulmanas e animistas convivendo pacificamente, embora tenha presenciado episódios de violência quando grupos armados exploravam essas divisões. Essa instrumentalização marca a história africana, observa:Ele lamenta a situação atual de enfraquecimento e a desconfiança global em relação à ONU, o que prejudica a capacidade das missões de paz.Ele conta que participou de todo o processo para a entrada do Brasil na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (Minusca, na sigla em inglês), em 2018, que acabou não ocorrendo; e que coordenou o grupo de trabalho de planejamento.Nas missões que integrou, relata como o Brasil tomou a iniciativa de asfaltar ruas, cavar poços artesianos, reconstruir escolas. Esse vínculo torna o país sul-americano um aliado da paz africana diferenciado:"A gente faz melhor que os outros, e faz melhor mesmo […]. Preparamos tudo e no final a decisão sabemos, política ou diplomática, do não desdobramento da tropa no continente africano, embora a gente já tivesse tradições naquele continente. Imagine um batalhão brasileiro lá no meio da República Centro-Africana."Ao lembrar de sua experiência, o general afirma que o cenário atual no contexto dos conflitos piorou e está mais complexo:Os novos grupos, comenta, não respeitam fronteiras e se fundiram com economias ilícitas, financiando-se com tráfico de armas, drogas e pessoas. Armados, acrescenta, ocupam vácuos de poder e constroem economias paralelas, sendo a ameaça militar, social, econômica e ideológica.Na avaliação do general, nesse contexto, o Brasil tem muito a contribuir:O legado da cultura afrodescendente é outra ligação poderosa que azeita as relações entre o Brasil e a África negra, bem como o esporte, em que o Brasil desponta e encanta.Na sua opinião, diferentemente de muitos países, interessados apenas nos recursos minerais e em expandir a área de influência no continente, fomentar conflitos locais para interesse próprio, o Brasil prova, por meio de ações, estar comprometido com a paz e o desenvolvimento desses países.
https://noticiabrasil.net.br/20260525/lula-diz-que-africa-deve-ser-prioridade-do-brasil-e-critica-colonialismo-digital-50692169.html
brasil
áfrica
sudão
república centro-africana
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
2026
notícias
br_BR
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07e8/02/11/33126477_19:0:1839:1365_1920x0_80_0_0_f7432ec161c5eb9209b99e0bda5f9412.jpgSputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
brasil, áfrica, sudão, onu, exclusiva, oriente médio e áfrica, mundioka, podcast, nações unidas, organização das nações unidas, general, república centro-africana, soft power, diplomacia, geopolítica
brasil, áfrica, sudão, onu, exclusiva, oriente médio e áfrica, mundioka, podcast, nações unidas, organização das nações unidas, general, república centro-africana, soft power, diplomacia, geopolítica
'África não é um tabuleiro' e soft power brasileiro é incomparável, diz general ex-observador da ONU
19:30 12.06.2026 (atualizado: 20:53 12.06.2026) Especiais
Em um contexto cada vez mais complexo, em que a disputa por recursos naturais se acirra, a maioria dos países da África e o Brasil têm em comum riquezas estratégicas e vitais para a economia global, além de realidades e histórias marcadas pelo colonialismo.
A avaliação é do assessor militar da chefia de educação e cultura do Ministério da Defesa, na área de patrimônio histórico e cultural militar, general João Gobert Damasceno.
"O que o Brasil consegue fazer com o soft power em determinados ambientes é incomparável", opina ele em entrevista ao podcast Mundioka desta sexta-feira (12).
Com vasta experiência como representante do Brasil na África, seu primeiro posto foi no Sudão. Como observador militar da Organização das Nações Unidas (ONU), ele realizava patrulhas, inspeções e contatos com comunidades.
Nessas interações, compreendeu que trabalhar pela paz "exigia muito mais do que presença militar: demandava empatia, diálogo e construção de confiança".
Ao longo da missão, assumiu funções de liderança e coordenação de observadores de dezenas de países,
atuando inclusive na fiscalização do acordo de paz de 2005 no Sudão, e na mediação entre diferentes
atores locais.Para ele, a principal diferença entre uma operação militar convencional e uma missão de paz é que nesta não existe um inimigo definido, o que exige ações políticas, diplomáticas e humanas para evitar que os conflitos se agravem.
O general também destaca que os conflitos na região não eram causados diretamente por diferenças étnicas ou religiosas, mas pela instrumentalização dessas identidades por interesses políticos. Lá, testemunhou comunidades cristãs, muçulmanas e animistas convivendo pacificamente, embora tenha presenciado episódios de violência quando grupos armados exploravam essas divisões. Essa instrumentalização marca a história africana, observa:
"Pessoas que se agarram ao poder, ditadores, fazem qualquer negócio, realizam todo tipo de atrocidade para se manter no poder […]. Você combina essa governança frágil com competição por recursos e com essas identidades manipuladas por atores políticos; aí você tem o cerne da maior parte dos conflitos."
Ele lamenta a situação atual de enfraquecimento e a desconfiança global em relação à ONU, o que prejudica a capacidade das missões de paz.
"A gente viu a Minusma [sigla em inglês para Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização do Mali] terminar tempestivamente, em menos de 30 dias. A gente está vendo no Congo, em fase de consolidação; e o nordeste do Congo continua conflagrado, com a dinâmica envolvendo vários grupos armados e interesses, especialmente de países limítrofes, de que o Congo não se estabilize."
Ele conta que participou de todo o processo para a entrada do Brasil na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (Minusca, na sigla em inglês), em 2018, que acabou não ocorrendo; e que coordenou o grupo de trabalho de planejamento.
Nas missões que integrou, relata como o Brasil tomou a iniciativa de asfaltar ruas, cavar poços artesianos, reconstruir escolas. Esse vínculo
torna o país sul-americano um aliado da paz africana diferenciado:"A gente faz melhor que os outros, e faz melhor mesmo […]. Preparamos tudo e no final a decisão sabemos, política ou diplomática, do não desdobramento da tropa no continente africano, embora a gente já tivesse tradições naquele continente. Imagine um batalhão brasileiro lá no meio da República Centro-Africana."
Ao lembrar de sua experiência, o general afirma que o cenário atual no contexto dos conflitos piorou e está mais complexo:
"Antes, a gente via muitos conflitos essencialmente locais, aquelas velhas disputas por poder político, as tensões étnicas, as rivalidades regionais. Então, especialmente no Sahel, o terrorismo conectou esses conflitos a redes transnacionais, criando um ambiente muito mais imprevisível e perigoso."
Os novos grupos, comenta, não respeitam fronteiras e se fundiram com economias ilícitas, financiando-se com tráfico de armas, drogas e pessoas. Armados, acrescenta, ocupam vácuos de poder e constroem economias paralelas, sendo a ameaça militar, social, econômica e ideológica.
"No caso da República Centro-Africana e do Sudão, minerais como urânio; pedras preciosas, como diamantes, safiras; regiões produtoras de ouro estão totalmente controladas por milícias […]. Na República Centro-Africana tem minas de urânio que não são controladas pelo governo nem por ninguém. O petróleo também é disputado, a água é usada como instrumento de poder e essas terras férteis são tomadas à força."
Na avaliação do general, nesse contexto, o
Brasil tem muito a contribuir:"A nossa tradição está na nossa Constituição. Somos pela negociação, não somos imperialistas, não impomos a nossa vontade, conversamos", opinou. "O Brasil deveria observar e buscar essa participação."
O legado da cultura afrodescendente é outra ligação poderosa que azeita as relações entre o Brasil e a África negra, bem como o esporte, em que o Brasil desponta e encanta.
"O Brasil goza no exterior, especialmente na África, de muitos pontos de conexão, mais pontos de conexão que pontos de afastamento. A gente tem um histórico de formação de sociedade, em grande parte, oriundo da África", frisou.
Na sua opinião, diferentemente de muitos países, interessados apenas nos recursos minerais e em expandir a área de influência no continente, fomentar conflitos locais para interesse próprio, o Brasil prova, por meio de ações, estar comprometido com a paz e o desenvolvimento desses países.
"Ela [África] não é um tabuleiro. Ela não pode ser considerada um agente passivo. Ela é um sujeito. Ela é um sujeito ativo no cenário geopolítico mundial. Tem que ser respeitada", concluiu.
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!
Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).