Direita recalcula rota para eleição presidencial após escândalo de Flávio Bolsonaro com Banco Master
15:55 15.06.2026 (atualizado: 16:12 15.06.2026)

© Foto / Lula Marques / Agência Brasil
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Os principais pré-candidatos da direita brasileira têm oscilado no apoio ao também pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação de áudios que mostram uma relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que encabeça o escândalo bilionário do Banco Master.
Ao menos foi o que os próprios políticos sugeriram nesta segunda-feira (15) durante o VEJA Fórum Rumos do Brasil, realizado em São Paulo (SP).
O ex-governador de Goiás e pré-candidato ao Planalto Ronaldo Caiado (PSD) entende que as recentes divulgações drenaram um pouco da campanha de Flávio e que ele próprio pode ser uma alternativa para disputar o eleitorado em um eventual segundo turno. "O que precisamos é de um candidato que chegue no segundo turno em condições de poder enfrentar e ganhar as eleições."
Questionado diretamente pelos jornalistas sobre o elo entre Flávio e Vorcaro, Caiado evitou a defesa pública do adversário nas eleições de 2026.
🇧🇷🗣🗳 Flávio perdeu espaço na candidatura, diz Ronaldo Caiado sobre eleições de 2026
— Sputnik Brasil (@sputnik_brasil) June 15, 2026
📍 O pré-candidato à presidência, @ronaldocaiado (PSD-GO), afirmou nesta segunda-feira (15) que é preciso "um candidato que chegue no segundo turno em condições de poder enfrentar e ganhar as… pic.twitter.com/5lN3ixum5V
Do lado de Minas Gerais, o ex-governador Romeu Zema (Novo) adotou uma tática de nacionalização do seu discurso regional, tentando reavivar a cartilha do antipetismo radical para desviar o foco das denúncias que rondam o aliado do Partido Liberal (PL). "O PT [Partido dos Trabalhadores] praticamente não existe mais em Minas Gerais. Eu enterrei o PT. O PT não disputou eleições de Minas para governador em 2022 e não vai disputar este ano."
A postura de Zema no evento, contudo, contrasta com as duras críticas que ele mesmo desferiu recentemente. Em entrevista à Brasil Paralelo, o político mineiro havia subido o tom contra o senador do PL, classificando o episódio dos áudios como "um tapa na cara dos cidadãos de bem" e afirmando que "quem anda com bandido merece ser visto com cautela".
🇧🇷🗣❗️ 'Eu enterrei o PT em Minas Gerais', afirma Romeu Zema
— Sputnik Brasil (@sputnik_brasil) June 15, 2026
📍 O pré-candidato a presidente @RomeuZema (Novo-MG) afirmou que o Partido dos Trabalhadores (PT) perdeu força em Minas Gerais, onde foi governador.
"O PT praticamente não existe mais [em Minas Gerais]. Eu enterrei o… pic.twitter.com/p0Pfu1KjTD
Ao dizer, na ocasião, que "é imperdoável ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro", Zema teve um tom diferente do adotado hoje, de uma coalizão ampla contra a esquerda. "Ninguém aqui vai subir em palanque de PT não, quem é da direita", comparando com as eleições chilenas de 2025, quando os candidatos da direita se uniram no segundo turno para apoiar José Antonio Kast contra a rival progressista Jeannette Jara.
Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro
No centro do furacão, Flávio Bolsonaro usou seu painel para tentar conter os danos e classificar as conversas gravadas com Daniel Vorcaro como "iniciativas de ordem estritamente privada".
Pressionado sobre os áudios que revelaram pedidos de cifras milionárias para o financiamento do filme "Dark Horse", ficção inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro, o senador minimizou o tom das mensagens. "Minha relação com ele foi única e exclusivamente por causa do filme. Não há absolutamente nada de errado."
A narrativa de "mero investimento privado" ganhou o reforço e a ironia de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), também implicado em planilhas que sugerem sua influência na gestão e no destino dos recursos da produção no exterior.
Eduardo minimizou as suspeitas levantadas por investigações jornalísticas sobre o repasse de mais de US$ 10 milhões (cerca de R$ 50,8 milhões) por meio de fundos internacionais. "O valor pode ser o valor que quiser. O dinheiro é seu? É do pagador de impostos? O dinheiro é meu", reagiu o ex-parlamentar.
Para além da crise financeira e das frentes jurídicas abertas, Flávio tentou reatar sua agenda internacional com o eleitorado conservador. Ele revelou ter feito gestões diretas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para tentar aliviar barreiras comerciais. "Pedi a Washington que não houvesse tarifação das empresas brasileiras", afirmou, emendando uma defesa à proposta de Donald Trump de classificar facções brasileiras, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na categoria de organizações terroristas. "É natural que qualquer presidente que realmente queira derrotar se alie e faça pactos com outras nações", justificou.
Quem também calibrou o discurso com base no cenário de crise foi o senador Sergio Moro (PL-PR).
Recém-filiado ao partido da família Bolsonaro para disputar o governo paranaense, o ex-juiz da Lava Jato adotou uma postura de distanciamento protocolar ao comentar a situação do colega de bancada. "O senador Flávio Bolsonaro já apresentou as explicações e assinou os pedidos de investigação. Vamos aguardar os desdobramentos", pontuou.


