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Direita recalcula rota para eleição presidencial após escândalo de Flávio Bolsonaro com Banco Master

© Foto / Lula Marques / Agência BrasilO senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante compromisso parlamentar em Brasília, em maio de 2025
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante compromisso parlamentar em Brasília, em maio de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 15.06.2026
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Os principais pré-candidatos da direita brasileira têm oscilado no apoio ao também pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) após a divulgação de áudios que mostram uma relação dele com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que encabeça o escândalo bilionário do Banco Master.
Ao menos foi o que os próprios políticos sugeriram nesta segunda-feira (15) durante o VEJA Fórum Rumos do Brasil, realizado em São Paulo (SP).
O ex-governador de Goiás e pré-candidato ao Planalto Ronaldo Caiado (PSD) entende que as recentes divulgações drenaram um pouco da campanha de Flávio e que ele próprio pode ser uma alternativa para disputar o eleitorado em um eventual segundo turno. "O que precisamos é de um candidato que chegue no segundo turno em condições de poder enfrentar e ganhar as eleições."
Questionado diretamente pelos jornalistas sobre o elo entre Flávio e Vorcaro, Caiado evitou a defesa pública do adversário nas eleições de 2026.
Do lado de Minas Gerais, o ex-governador Romeu Zema (Novo) adotou uma tática de nacionalização do seu discurso regional, tentando reavivar a cartilha do antipetismo radical para desviar o foco das denúncias que rondam o aliado do Partido Liberal (PL). "O PT [Partido dos Trabalhadores] praticamente não existe mais em Minas Gerais. Eu enterrei o PT. O PT não disputou eleições de Minas para governador em 2022 e não vai disputar este ano."
A postura de Zema no evento, contudo, contrasta com as duras críticas que ele mesmo desferiu recentemente. Em entrevista à Brasil Paralelo, o político mineiro havia subido o tom contra o senador do PL, classificando o episódio dos áudios como "um tapa na cara dos cidadãos de bem" e afirmando que "quem anda com bandido merece ser visto com cautela".
Ao dizer, na ocasião, que "é imperdoável ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro", Zema teve um tom diferente do adotado hoje, de uma coalizão ampla contra a esquerda. "Ninguém aqui vai subir em palanque de PT não, quem é da direita", comparando com as eleições chilenas de 2025, quando os candidatos da direita se uniram no segundo turno para apoiar José Antonio Kast contra a rival progressista Jeannette Jara.

Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

No centro do furacão, Flávio Bolsonaro usou seu painel para tentar conter os danos e classificar as conversas gravadas com Daniel Vorcaro como "iniciativas de ordem estritamente privada".
Pressionado sobre os áudios que revelaram pedidos de cifras milionárias para o financiamento do filme "Dark Horse", ficção inspirada na trajetória de Jair Bolsonaro, o senador minimizou o tom das mensagens. "Minha relação com ele foi única e exclusivamente por causa do filme. Não há absolutamente nada de errado."
A narrativa de "mero investimento privado" ganhou o reforço e a ironia de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), também implicado em planilhas que sugerem sua influência na gestão e no destino dos recursos da produção no exterior.
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Eduardo minimizou as suspeitas levantadas por investigações jornalísticas sobre o repasse de mais de US$ 10 milhões (cerca de R$ 50,8 milhões) por meio de fundos internacionais. "O valor pode ser o valor que quiser. O dinheiro é seu? É do pagador de impostos? O dinheiro é meu", reagiu o ex-parlamentar.
Para além da crise financeira e das frentes jurídicas abertas, Flávio tentou reatar sua agenda internacional com o eleitorado conservador. Ele revelou ter feito gestões diretas com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para tentar aliviar barreiras comerciais. "Pedi a Washington que não houvesse tarifação das empresas brasileiras", afirmou, emendando uma defesa à proposta de Donald Trump de classificar facções brasileiras, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) na categoria de organizações terroristas. "É natural que qualquer presidente que realmente queira derrotar se alie e faça pactos com outras nações", justificou.
Quem também calibrou o discurso com base no cenário de crise foi o senador Sergio Moro (PL-PR).
Recém-filiado ao partido da família Bolsonaro para disputar o governo paranaense, o ex-juiz da Lava Jato adotou uma postura de distanciamento protocolar ao comentar a situação do colega de bancada. "O senador Flávio Bolsonaro já apresentou as explicações e assinou os pedidos de investigação. Vamos aguardar os desdobramentos", pontuou.
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