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Trump sugere que Síria enfrente Hezbollah e aprofunda crise com Netanyahu, diz mídia

© AP Photo / Susan WalshO presidente norte-americano Donald Trump discursa durante um evento com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu (em primeiro plano) no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, 28 de janeiro de 2020
O presidente norte-americano Donald Trump discursa durante um evento com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu (em primeiro plano) no Salão Leste da Casa Branca, em Washington, 28 de janeiro de 2020 - Sputnik Brasil, 1920, 17.06.2026
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A crise entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu se aprofundou após o presidente norte-americano sugerir que o regime sunita da Síria poderia enfrentar o Hezbollah de forma mais eficaz que Israel, ampliando o isolamento do premiê israelense.
A relação já desgastada entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu se deteriorou ainda mais após o presidente norte-americano sugerir que o novo regime sunita da Síria poderia assumir o combate ao Hezbollah de forma mais "responsável" do que Israel. A declaração foi interpretada como um ataque direto ao premiê israelense, ampliando a tensão entre ambos, segundo a mídia brasileira.

"Você não precisa demolir um prédio de apartamentos toda vez que estiver procurando por alguém", criticou Trump. "Se Israel não conseguir fazer o trabalho sem matar todos os outros, ele [Ahmed al-Sharaa, presidente sírio] fará o trabalho", sugerindo que a condução israelense não seja suficiente para encerrar a crise.

A proposta de delegar à Síria a tarefa de enfrentar o Hezbollah é considerada irreal, mas simboliza mais um golpe político contra Netanyahu, que já vinha sendo alvo de insultos do presidente norte-americano nas últimas semanas.
A irritação de Trump decorre do aumento dos ataques israelenses no Líbano, que dificultavam um acordo com o Irã. A pressa do presidente em encerrar a guerra atropelou Netanyahu, que, a cinco meses das eleições, aparece isolado e sem ter alcançado seus objetivos estratégicos contra Teerã.
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Internamente, o premiê também perde apoio, já que a promessa de trazer paz aos israelenses com a guerra não se concretizou. A assinatura do acordo entre EUA e Irã, feita sem sua participação, ampliou o desgaste, inclusive entre aliados dentro de Israel, segundo fontes consultadas pela mídia.
Netanyahu, que convenceu Trump a entrar no conflito, foi excluído das negociações de saída e sequer teve acesso aos termos do acordo. Ainda assim, demonstra disposição em manter tropas no sul do Líbano, apesar do crescente isolamento político.
Analistas como Amos Harel, do Haaretz, classificam o confronto com o Irã como um dos maiores fracassos da carreira do premiê, atrás apenas do ataque do Hamas em 2023. Para eles, o Irã sai fortalecido, enquanto os objetivos iniciais de Trump — como conter o programa nuclear — foram substituídos pela prioridade de reabrir o estreito de Ormuz, que tem afetado a cadeia global de petróleo com desdobramentos ainda não mensurados, de acordo com vários analistas.
A crise também corrói a influência de Netanyahu nos EUA. Antes admirado por Trump, agora é descrito pelo presidente como "maluco" e "sem bom senso". Mesmo assim, decretar sua derrota política é prematuro, já que ainda falta clareza no memorando entre EUA e Irã. A depender dos termos, o documento pode oferecer ao premiê mais uma chance de sobrevivência.
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