China aposta em robôs agrícolas com IA para transformar produção e superar crise no campo, diz mídia

© Sputnik / Anna Ratkoglo
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A China aposta em robôs agrícolas equipados com IA para enfrentar o rápido envelhecimento e a redução da mão de obra no campo, transformando uma crise estrutural em oportunidade tecnológica ao desenvolver máquinas capazes de operar em terrenos complexos e tomar decisões como um agricultor humano.
De acordo com o South China Morning Post, a rápida redução da força de trabalho agrícola na China, hoje composta majoritariamente por idosos e trabalhadores com limitações físicas, abriu espaço para uma transformação estrutural impulsionada por tecnologia. Embora o país ainda não lidere em máquinas agrícolas tradicionais, empresas como a GrainCore Dynamics defendem que a combinação entre inteligência artificial (IA) e capacidade de produção em massa pode reposicionar a China na vanguarda da robótica agrícola.
Segundo Zhao Feng, fundador da empresa, a transição para sistemas inteligentes oferece ao setor um "atalho" semelhante ao que permitiu à China ultrapassar fabricantes tradicionais na corrida dos veículos elétricos (VEs).
A GrainCore Dynamics está entre as pioneiras na integração de inteligência incorporada ao campo e planeja lançar ainda este ano um robô quadrúpede capaz de operar em terrenos complexos, como estufas e pomares. A máquina deverá simular a percepção e a tomada de decisão de um agricultor humano, marcando um passo inicial na automação inteligente da agricultura chinesa.
Essa aposta tecnológica ocorre em meio a mudanças profundas no campo: entre 2005 e 2025, o número de trabalhadores agrícolas caiu de 340 milhões para cerca de 160 milhões, enquanto a idade média dos agricultores aumentou significativamente. Paralelamente, a demanda por robôs agrícolas triplicou entre 2020 e 2024, refletindo a urgência por soluções que compensem a escassez de mão de obra e aumentem a produtividade, segundo dados da apuração.
Especialistas como Wu Haihua classificam a robótica agrícola como o novo epicentro da competição tecnológica global, destacando que a investigação dos EUA sobre robôs importados elevou o setor ao status de disputa estratégica entre grandes potências.
Desde 2025, o governo chinês também tem sinalizado essa prioridade, com metas explícitas em documentos de orientação para a expansão no uso de drones e robótica no campo, enquanto o Ministério da Educação criou novos cursos universitários dedicados à robótica agrícola.
Ainda segundo a mídia, o robô-cão da GrainCore deverá carregar sensores modulares para monitorar visão, ambiente e solo, processando dados por IA para diagnosticar pragas, falhas de crescimento ou alterações ambientais, um caminho visto por analistas consultados pela apuração como potencial para garantir tanto a segurança alimentar quanto a ambição chinesa de liderança global no setor agrícola.


