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Declínio populacional ameaça capacidade de sustentação do Brasil, avalia historiador

© AP Photo / Denis FarrellBebê estende a mão para móbiles no Lar Porta da Esperança, em Joanesburgo. África do Sul, 1º de fevereiro de 2017
Bebê estende a mão para móbiles no Lar Porta da Esperança, em Joanesburgo. África do Sul, 1º de fevereiro de 2017 - Sputnik Brasil, 1920, 24.06.2026
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Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, historiador alerta que a queda demográfica em países como o Brasil, onde a população está envelhecendo e a taxa de fecundidade segue abaixo do nível de reposição, impõe desafios à defesa e à própria sobrevivência do Estado.
A Índia entrou oficialmente no grupo de países com fecundidade abaixo da taxa de reposição populacional, cerca de 2,1 filhos por mulher. O país, o mais populoso do planeta, começa a trilhar o mesmo caminho que já preocupa grande parte do planeta, como Brasil, México e Estados Unidos, nas Américas; a maior parte dos países europeus; e vários da Ásia, como Japão, Coreia do Sul e até mesmo a China.
O pior caso é o da Coreia do Sul, que, se continuar seu declínio populacional, em 40 anos terá metade da população atual. Já na China, a população caiu pelo quarto ano consecutivo, e na Alemanha já se fala em criar um imposto para quem não tem filhos.
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, o escritor e doutor em história Ricardo Cabral destaca que a baixa taxa de reposição ameaça a qualidade de vida e a própria sobrevivência do Estado. Em sua fala, o historiador focou o caso brasileiro.

"Com o declínio demográfico e com a população exigindo cada vez mais direitos, uma vida mais digna, e solicitando uma presença maior do Estado, não fica viável financeiramente."

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Em sua opinião, o Brasil, que hoje tem 213 milhões de habitantes e vê sua população envelhecer, conseguiria suportar sem problemas uma população de 350 milhões, por ser um grande produtor de alimentos.
Porém, faltam incentivos como aqueles adotados por países como a Rússia, que estimula a população jovem a ter pelo menos dois filhos ao oferecer políticas de apoio financeiro e educacional.

"Se a mulher quiser ficar em casa [cuidando dos filhos], vão pagar um salário para ela. […] Enquanto outras preferem trabalhar, ela vai receber um salário digno para isso. Então são coisas que foram pensadas na Rússia e que nós poderíamos trazer aqui para o Brasil."

Tais medidas são parte de um projeto de Estado da Rússia que tem como objetivos aumentar e manter a população do país, controlar tecnologias e avançar no índice de desenvolvimento humano (IDH). Enquanto isso, o Brasil carece de uma política de Estado voltada para essa questão.
Para o especialista, países que sofrem com o declínio populacional ao mesmo tempo que vivenciam um aumento na expectativa de vida passarão por um processo em que a robótica terá cada vez mais espaço. Ele cita como exemplo o Japão.

"O Japão, em termos proporcionais, tem mais robôs até do que a China. Então já estão transicionando a mão de obra humana para mão de obra robótica."

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Ao programa, ele afirma que a principal questão a ser resolvida no momento é estabilizar a taxa de reposição.

"Há um descompasso entre natalidade e capacidade de sustentação. Isso teria que ser resolvido de forma não autoritária, de preferência. Mas países como Brasil, Rússia, para manter seu controle territorial, precisam aumentar a natalidade."

Para Cabral, um método para o Brasil fazer sua população voltar a crescer seria desconcentrar suas grandes cidades, como a Rússia fez, criando polos regionais fortes. "É um sistema que seria interessante aqui no Brasil, você potencializar cidade média e cidade no interior. Se você for ver a riqueza, tirando o Rio [de Janeiro], São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Salvador, a riqueza, mesmo nesses estados, a riqueza está no interior."
Ele afirma que o Estado deve criar condições que permitam a migração da população das grandes cidades para o interior do país, oferecendo, por exemplo, aluguel social em um bom condomínio e segurança pública.
"Levar para o interior para dar uma condição de vida melhor, não fazer como foi feito nos anos 1960, tirar o pessoal daqui e criar favelas na periferia."
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