https://noticiabrasil.net.br/20260717/jeitinho-chines-de-fazer-negocios-conquista-africa-no-setor-militar-apontam-especialistas-52323016.html
'Jeitinho' chinês de fazer negócios conquista África no setor militar, apontam especialistas
'Jeitinho' chinês de fazer negócios conquista África no setor militar, apontam especialistas
Sputnik Brasil
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analistas destrincham os motivos pelos quais os países africanos estão desenvolvendo ligações de defesa... 17.07.2026, Sputnik Brasil
2026-07-17T18:30-0300
2026-07-17T18:30-0300
2026-07-17T18:56-0300
panorama internacional
ásia e oceania
china
pequim
áfrica
fórum de cooperação china-áfrica
mundioka
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/07/11/52323715_0:320:3072:2048_1920x0_80_0_0_62dfcedcf2ab2501404fdc0fce652745.jpg
A China tem forte presença na África desde o final do século XX, mas foi no início dos anos 2000 que Pequim, ao lado de dezenas de nações africanas, fundou o Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), estreitando os laços separados pelo oceano Índico.A ligação entre o país de tamanho continental e o próprio continente africano só cresceu desde então. Parcerias comerciais, investimentos em infraestruturas vitais, exploração de recursos naturais e, agora, a venda de armamentos chineses para a África.Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialistas afirmaram que o jeito chinês de fazer negócios é o que fortalece a parceria com os países africanos. Sem intervencionismo, Pequim se mostra um parceiro mais confiável do que as antigas metrópoles e os Estados Unidos.Vinicius Modolo Teixeira, professor de geopolítica na Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), explica que a intensificação da parceria China-África acontece justamente no momento em que as ex-colônias do continente passam a fugir da órbita de seus respectivos colonizadores.Teixeira explica que a China precisa que os Estados africanos estejam fortalecidos e estáveis para ter interlocutores saudáveis na região. Quanto mais robusto for um governo, melhor para Pequim, e essa solidez passa também por suas capacidades militares.Essa postura chinesa de parceria sem interferência é nova para os africanos, que lidaram ao longo de décadas com ações europeias e norte-americanas no decorrer de processos de independência e consolidação de nações.João Chiarelli, que possui pós-doutorado em relações internacionais e coordena a Oficina de China e Leste Asiático, ambos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), além de atuar como pesquisador associado ao Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (Nupri/USP), explica que a China se comporta como um "player em ascensão".Chiarelli destaca que Pequim tem construído parcerias militares em diferentes esferas, como forças armadas nacionais e polícias locais em países da África, com o objetivo de garantir a estabilidade local.Por que é mais vantajoso fazer negócios com a China?Para uma pessoa física, uma das primeiras referências usadas para a compra de um produto é o preço. Em uma negociação entre países, o valor é importante, mas questões agregadas pesam muito mais ao concluir um acordo.Teixeira conta que o preço das armas chinesas é mais baixo do que o de outros fornecedores internacionais, mas um dos grandes destaques de Pequim é o grande portfólio aberto aos clientes africanos.De acordo com o especialista, essa abordagem de Pequim é diferente em relação aos principais players de defesa ocidentais. Dessa forma, os países da África agora conseguem comprar drones, mísseis antiaéreos, aviões de caça, blindados, entre outros armamentos.A tradicional história de não só dar o peixe, mas ensinar a pescar também é válida para os chineses. Teixeira destaca que Pequim fornece a formação militar a oficiais, oferecendo uma outra perspectiva de treinamento sem comprometimento político.Chiarelli ressalta que as ações chinesas na África vão muito além do lado militar ou meramente comercial. Por meio da Iniciativa Cinturão e Rota, na qual a China estabelece parcerias para a criação de infraestruturas logísticas, Pequim possibilita meios de desenvolvimento que não necessariamente prendem essas nações às decisões do país oriental.
https://noticiabrasil.net.br/20260716/tratado-de-amizade-25-anos-apos-assinatura-russia-e-china-estao-mais-proximas-do-que-nunca-52289911.html
china
pequim
áfrica
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
2026
notícias
br_BR
Sputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
https://cdn.noticiabrasil.net.br/img/07ea/07/11/52323715_154:0:2885:2048_1920x0_80_0_0_4f900bf1ab238c8af7398496270e2bdf.jpgSputnik Brasil
contato.br@sputniknews.com
+74956456601
MIA „Rossiya Segodnya“
ásia e oceania, china, pequim, áfrica, fórum de cooperação china-áfrica, mundioka
ásia e oceania, china, pequim, áfrica, fórum de cooperação china-áfrica, mundioka
'Jeitinho' chinês de fazer negócios conquista África no setor militar, apontam especialistas
18:30 17.07.2026 (atualizado: 18:56 17.07.2026) Especiais
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analistas destrincham os motivos pelos quais os países africanos estão desenvolvendo ligações de defesa com Pequim em vez das antigas metrópoles ou dos Estados Unidos.
A China tem forte presença na África desde o final do século XX, mas foi no início dos anos 2000 que Pequim, ao lado de dezenas de nações africanas, fundou o Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), estreitando os laços separados pelo oceano Índico.
A ligação entre o país de tamanho continental e o próprio continente africano só cresceu desde então. Parcerias comerciais, investimentos em infraestruturas vitais, exploração de recursos naturais e, agora, a
venda de armamentos chineses para a África.
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, especialistas afirmaram que o jeito chinês de fazer negócios é o que fortalece a parceria com os países africanos. Sem intervencionismo, Pequim se mostra um parceiro mais confiável do que as antigas metrópoles e os Estados Unidos.
Vinicius Modolo Teixeira, professor de geopolítica na Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), explica que a intensificação da parceria China-África acontece justamente no momento em que as ex-colônias do continente passam a fugir da órbita de seus respectivos colonizadores.
"A China se aproxima dos países africanos de uma maneira bastante sutil, sem exigir grandes esforços contrários aos países africanos, oferecendo segurança nas relações. Pequim não quer mudanças econômicas ou de governo internamente, não requer coisas que são impossíveis no trato diplomático. E isso fortalece uma cooperação Sul-Sul."
Teixeira explica que
a China precisa que os Estados africanos estejam fortalecidos e estáveis para ter interlocutores saudáveis na região. Quanto mais robusto for um governo, melhor para Pequim, e
essa solidez passa também por suas capacidades militares.
"Os povos africanos devem resolver os seus problemas à sua maneira, e a China defende isso. Ela não vai interferir nas relações internas. Ela fortalece o país, o Estado que está lidando com ela."
Essa postura chinesa de parceria sem interferência é nova para os africanos, que lidaram ao longo de décadas com ações europeias e norte-americanas no decorrer de processos de independência e consolidação de nações.
"Vários golpes que aconteceram na África foram sustentados, apoiados por países estrangeiros. Os governos africanos, as várias quedas, assassinatos de lideranças nos anos 1970 e 1980 contra esses países, promovidos por forças nitidamente apoiadas por potências ocidentais, demonstram os interesses malignos que esses países tinham sobre o continente africano."
João Chiarelli, que possui pós-doutorado em relações internacionais e coordena a Oficina de China e Leste Asiático, ambos na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), além de atuar como pesquisador associado ao Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (Nupri/USP), explica que a China se comporta como um "player em ascensão".
"A China também tem declarado que vai respeitar muito a política interna desses países africanos e de outras localidades."
Chiarelli destaca que Pequim tem construído parcerias militares em diferentes esferas, como forças armadas nacionais e polícias locais em países da África, com o objetivo de garantir a estabilidade local.
Por que é mais vantajoso fazer negócios com a China?
Para uma pessoa física, uma das primeiras referências usadas para a compra de um produto é o preço. Em uma negociação entre países, o valor é importante, mas questões agregadas pesam muito mais ao concluir um acordo.
Teixeira conta que o preço das armas chinesas é mais baixo do que o de outros fornecedores internacionais, mas um dos grandes destaques de Pequim é o grande portfólio aberto aos clientes africanos.
"Praticamente todo arsenal chinês está disponível para a compra desses países. Logicamente que a China não vai vender um míssil balístico nuclear, mas tudo o que ela pode vender dentro do seu aspecto de fornecimento internacional, esses países africanos têm condição de acessar."
De acordo com o especialista,
essa abordagem de Pequim é diferente em relação aos principais players de defesa ocidentais. Dessa forma, os países da África agora conseguem comprar drones, mísseis antiaéreos, aviões de caça, blindados, entre outros armamentos.
"A China fornece um preço significativamente mais baixo, modos de pagamento que podem ser via commodity ou então financiamento a longo prazo, dar confiança a esses países na estabilização deles com acesso a uma tecnologia que antes era impossível."
A tradicional história de não só dar o peixe, mas ensinar a pescar também é válida para os chineses. Teixeira destaca que Pequim fornece a formação militar a oficiais, oferecendo uma outra perspectiva de treinamento sem comprometimento político.
"A China formou mais de 2 mil oficiais de países africanos nos últimos anos. Isso ajuda de maneira significativa a compreender como esses países adquirem equipamento e começam a operar. O treinamento militar, que antes era praticamente voltado a uma doutrina ocidental, passa a ser regido por uma doutrina chinesa também dentro desses países."
Chiarelli ressalta que as ações chinesas na África vão muito além do lado militar ou meramente comercial. Por meio da Iniciativa Cinturão e Rota, na qual a China estabelece parcerias para a criação de infraestruturas logísticas, Pequim possibilita meios de desenvolvimento que não necessariamente prendem essas nações às decisões do país oriental.
"A ideia que as lideranças africanas têm é que a China não é só uma alternativa a essa relação de exploração do Norte Global com o Sul Global, mas também é um player distante em ascensão."
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!
Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.
Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).