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Lula apresenta SUS a Tedros, defende saúde pública e critica cortes anunciados por Trump

© Foto / Divulgação / Ricardo StuckertO presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, finge ser dentista do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, durante evento no Rio de Janeiro, em 28 de julho de 2026
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, finge ser dentista do diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom, durante evento no Rio de Janeiro, em 28 de julho de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 28.07.2026
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Durante visita ao Rio de Janeiro, o presidente destacou o caráter universal do sistema de saúde brasileiro e apresentou avanços na recuperação da rede federal.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, esteve no Hospital Federal do Andaraí, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), para apresentar ao diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao lado de ministros brasileiros e autoridades internacionais, Lula destacou o caráter universal da saúde pública brasileira e fez críticas ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de reduzir recursos destinados à entidade.
Durante o discurso, o presidente afirmou que o SUS garante atendimento de qualidade para qualquer cidadão, independentemente da condição financeira, e usou a própria experiência no tratamento contra o câncer para defender o sistema público de saúde.

"Quando você puder conversar com o presidente Trump, já que ele anunciou que iria cortar verba da OMS, diga a ele como um presidente de um país que não é rico como os EUA consegue garantir a cada cidadão brasileiro o mesmo tratamento de saúde que terá o presidente da República. Eu fiz 15 sessões de radioterapia na cabeça por causa de um câncer de próstata em uma máquina que qualquer pessoa pobre no Brasil pode utilizar. Não é a conta bancária que deve salvar uma pessoa. O que a gente quer provar ao mundo é que é possível as pessoas mais pobres terem um tratamento de saúde qualificado."

Lula também lembrou que Tedros precisou de atendimento médico durante a realização da Cúpula do G20, em 2024, e voltou a destacar o princípio de igualdade no acesso aos serviços públicos de saúde.

"Qualquer pessoa mais humilde, de qualquer lugar do Rio de Janeiro, se precisar fazer radioterapia, vai utilizar uma máquina igual à que o Trump usaria, que o Xi Jinping usaria, que o [Vladimir] Putin usaria e que o Lula utilizou. Tratamento de saúde não é para rico, é para quem está doente. É isso que queremos mostrar com o SUS. Leve essa mensagem para o mundo, meu amigo. E diga que, aqui no Brasil, nós gostamos de cuidar de gente."

A comitiva percorreu o Centro de Radioterapia, a Unidade Odontológica Móvel e conheceu a estrutura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência, o SAMU. Durante a visita às ambulâncias e motolâncias, Lula ressaltou a importância da rapidez no atendimento às vítimas de acidentes e emergências. Atualmente, o serviço realiza cerca de 17 mil atendimentos por mês na cidade do Rio de Janeiro.
O presidente da República também homenageou os profissionais do SUS e afirmou que a reconstrução da rede federal de saúde no Rio ainda está em andamento, mas já apresenta resultados importantes.
O Hospital Federal do Andaraí está sob gestão da Prefeitura do Rio de Janeiro desde o processo de descentralização da rede federal, iniciado em 2024, e passa por uma ampliação da capacidade de atendimento. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que a criação do SUS transformou o acesso à saúde no país e lembrou a situação encontrada na rede federal após a pandemia.

"Antes de existir o SUS, quem não tinha carteira assinada ou vínculo com determinadas categorias profissionais não tinha qualquer tipo de atendimento de saúde. Se chegasse a um hospital, muitas vezes era registrado como indigente. A Constituição de 1988 mudou essa realidade e garantiu que todo brasileiro tivesse direito ao acesso à saúde. Foi uma mudança histórica que permitiu construir um sistema universal para atender toda a população."

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Também participaram da agenda o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere, e o governador em exercício do Estado, desembargador Ricardo Couto, que destacaram os investimentos realizados na recuperação da rede hospitalar federal.
"Quando o presidente Lula voltou ao governo, encontramos hospitais federais com leitos fechados, emergências desativadas e estruturas sucateadas. A reabertura dessas unidades e a recuperação da rede federal foram fundamentais para ampliar a capacidade de atendimento da população. O Hospital do Andaraí é um exemplo dessa reconstrução", comentou Cavaliere.
"Estamos diante de uma política pública que reforça o caráter universal da saúde. Cada investimento realizado representa um compromisso com a população. O acesso à saúde deve alcançar todos, independentemente da condição econômica, da origem ou da crença. Esse é um princípio que precisa ser preservado e fortalecido", declarou Couto.
O governador fluminense também anunciou que o Hospital Universitário Pedro Ernesto, ligado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), terá sua capacidade de atendimento ampliada com apoio do Ministério da Saúde.
Segundo Ricardo Couto, o reforço à unidade atende a uma solicitação do secretário estadual de Saúde, Ronaldo Damião, junto ao Ministério da Saúde. "A União estará ajudando o Pedro Ernesto a ampliar suas portas de atendimento. O pedido já foi atendido."

Diretor-geral da OMS elogia SUS

Tedros Adhanom afirmou que a recuperação do Hospital Federal do Andaraí é um exemplo de fortalecimento da saúde pública. Segundo ele, a unidade superou problemas de gestão, ampliou a estrutura, incorporou novos equipamentos e, hoje, conta com três vezes mais profissionais.
"A saúde é um direito fundamental de homens e mulheres. O Brasil mostra ao mundo um exemplo importante. O SUS é um dos raríssimos sistemas de saúde do planeta que cobre toda a população."
Tedros também destacou a Fiocruz como referência internacional e afirmou que o Brasil demonstra que investimento e compromisso político podem fortalecer os sistemas públicos de saúde.

“A Fiocruz é reconhecida internacionalmente e se tornou referência em equidade na saúde. O Brasil já mostrou sua capacidade ao se tornar o primeiro país com mais de 100 milhões de habitantes a eliminar a transmissão vertical do HIV, e agora avança em mais uma etapa importante no enfrentamento da hepatite B. Isso é resultado de anos de trabalho de cientistas, médicos e profissionais de saúde em todo o país."

No encerramento da cerimônia, Lula afirmou que a recuperação dos hospitais federais representa uma mudança de prioridades e voltou a defender o acesso igualitário aos tratamentos.

"Neste país, o pobre não tem que ser tratado como se fosse de segunda classe. As pessoas não podem morrer porque são negras, porque são pobres, porque são mulheres ou porque moram em favela. Este país aprendeu a cuidar de todo mundo."

Brasil entrega relatório histórico à OMS

Padilha entregou nesta terça-feira o relatório que comprova a eliminação da transmissão vertical da hepatite B. O documento foi entregue a Tedros durante evento no Hospital Federal do Andaraí.
"Entregamos hoje o relatório que mostra que o Brasil alcançou as metas para a eliminação da transmissão da gestante para o bebê", destacou Padilha ao apresentar os resultados do SUS à comitiva internacional.
O dossiê técnico comprova que a taxa de infecção em crianças menores de cinco anos caiu para 0,011% no país, resultado inferior ao limite de 0,1% exigido pela OMS. Segundo Padilha, a marca foi impulsionada por 100% de vacinação neonatal e mais de 98% de cobertura no pré-natal.
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