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Predador gigante revela cadeia alimentar tripla com pterossauro e ictiossauro no Cretáceo (IMAGENS)

© Foto / Peter TruslerFigura 7: reconstrução da vida das prováveis ​​interações tróficas identificadas no espécime KK F1435, apresentando Platypterygius australis, pterossauro (Ornithocheiroidae indet.) e Kronosaurus queenslandicus
Figura 7: reconstrução da vida das prováveis ​​interações tróficas identificadas no espécime KK F1435, apresentando Platypterygius australis, pterossauro (Ornithocheiroidae indet.) e Kronosaurus queenslandicus - Sputnik Brasil, 1920, 30.07.2026
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Um turducken pré-histórico acaba de emergir do mar de Eromanga: um pterossauro devorado por um ictiossauro que, logo depois, foi morto por um gigantesco Kronosaurus. O fóssil, preservado por mais de 100 milhões de anos, revela pela primeira vez essa cadeia alimentar tripla nos mares australianos do Cretáceo.
O turducken é um prato típico do Dia de Ação de Graças nos EUA, que consiste em um frango recheado dentro de um pato, que, por sua vez, é recheado dentro de um peru.
Neste caso, um réptil voador azarado tornou‑se o "frango" de um turducken pré-histórico ao ser devorado por um ictiossauro no antigo mar de Eromanga, no interior da Austrália. Logo depois, esse predador marinho também encontrou seu fim, provavelmente atacado por um monstro ainda maior. O episódio, preservado por mais de 100 milhões de anos, oferece um raro retrato da cadeia alimentar em ação na era dos dinossauros.
O fóssil revela uma interação de três níveis: um pterossauro capturado por um ictiossauro, que, por sua vez, foi morto por um pliossauro gigante. Para especialistas como Dean Lomax consultado por um portal especializado, trata-se de uma das evidências mais claras já encontradas de comportamento predatório complexo nos mares australianos do Cretáceo.
© White et al., Gondwana Res., 2026Fig. 1. Geologia superficial da área onde KK F1435 foi descoberto. (a) Silhueta em preto de Queensland, Austrália, indicando as unidades geológicas e a região da descoberta (Geoscience Australia 2021). (b) Laje de rocha contendo os blocos 2–5 antes de serem separados para transporte. (c) Lajes seccionadas 2–4 in situ.
Fig. 1. Geologia superficial da área onde KK F1435 foi descoberto. (a) Silhueta em preto de Queensland, Austrália, indicando as unidades geológicas e a região da descoberta (Geoscience Australia 2021). (b) Laje de rocha contendo os blocos 2–5 antes de serem separados para transporte. (c) Lajes seccionadas 2–4 in situ - Sputnik Brasil
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Fig. 1. Geologia superficial da área onde KK F1435 foi descoberto. (a) Silhueta em preto de Queensland, Austrália, indicando as unidades geológicas e a região da descoberta (Geoscience Australia 2021). (b) Laje de rocha contendo os blocos 2–5 antes de serem separados para transporte. (c) Lajes seccionadas 2–4 in situ.
© Foto / White et al., Gondwana Res., 2026Fig. 2. Queda fatal de ictiossauro: fotografias e esquemas mostrando fraturas no crânio causadas por impacto. (a) Esboço reconstruindo o ictiossauro no momento do impacto contra o fundo marinho. (b) Fotografia em vista ventral de KK F1435. (c) Esquema das fraturas ósseas, vista ventral. Abreviações: bo, ruptura explosiva; mb, fratura principal; OB ou SP, sobreposição ou deslocamento proximal.
Fig. 2. Queda fatal de ictiossauro: fotografias e esquemas mostrando fraturas no crânio causadas por impacto. (a) Esboço reconstruindo o ictiossauro no momento do impacto contra o fundo marinho. (b) Fotografia em vista ventral de KK F1435. (c) Esquema das fraturas ósseas, vista ventral. Abreviações: bo, ruptura explosiva; mb, fratura principal; OB ou SP, sobreposição ou deslocamento proximal - Sputnik Brasil
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Fig. 2. Queda fatal de ictiossauro: fotografias e esquemas mostrando fraturas no crânio causadas por impacto. (a) Esboço reconstruindo o ictiossauro no momento do impacto contra o fundo marinho. (b) Fotografia em vista ventral de KK F1435. (c) Esquema das fraturas ósseas, vista ventral. Abreviações: bo, ruptura explosiva; mb, fratura principal; OB ou SP, sobreposição ou deslocamento proximal.
© Foto / White et al., Gondwana Res., 2026Fig. 3. Imagens 3D de KK F1435 com marcas de mordida e conteúdo estomacal. (a) Crânio quase completo; (b) Bloco com conteúdo estomacal; (c) Autopódio articulado; (d) Conjunto de vértebras, costelas e membros; (e) Centros vertebrais dorsais — alguns com marcas de dentes; (f) Vértebras dorsais fraturadas e costela deformada; (g) Vértebras caudais pré‑flexurais semiarticuladas; (h) Silhuetas indicando a posição aproximada de cada bloco. Abreviações: b, basisfenóide; f, fêmur; h, úmero; ip, isquiopúbis; n, espinho neural; p, falange; r, costela; s, escápula; sc, conteúdo estomacal; v1–v3, centros vertebrais com marcas de dentes.
Fig. 3. Imagens 3D de KK F1435 com marcas de mordida e conteúdo estomacal. (a) Crânio quase completo; (b) Bloco com conteúdo estomacal; (c) Autopódio articulado; (d) Conjunto de vértebras, costelas e membros; (e) Centros vertebrais dorsais — alguns com marcas de dentes; (f) Vértebras dorsais fraturadas e costela deformada; (g) Vértebras caudais pré‑flexurais semiarticuladas; (h) Silhuetas indicando a posição aproximada de cada bloco. Abreviações: b, basisfenóide; f, fêmur; h, úmero; ip, isquiopúbis; n, espinho neural; p, falange; r, costela; s, escápula; sc, conteúdo estomacal; v1–v3, centros vertebrais com marcas de dentes - Sputnik Brasil
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Fig. 3. Imagens 3D de KK F1435 com marcas de mordida e conteúdo estomacal. (a) Crânio quase completo; (b) Bloco com conteúdo estomacal; (c) Autopódio articulado; (d) Conjunto de vértebras, costelas e membros; (e) Centros vertebrais dorsais — alguns com marcas de dentes; (f) Vértebras dorsais fraturadas e costela deformada; (g) Vértebras caudais pré‑flexurais semiarticuladas; (h) Silhuetas indicando a posição aproximada de cada bloco. Abreviações: b, basisfenóide; f, fêmur; h, úmero; ip, isquiopúbis; n, espinho neural; p, falange; r, costela; s, escápula; sc, conteúdo estomacal; v1–v3, centros vertebrais com marcas de dentes.
© Foto / White et al., Gondwana Res., 2026Fig. 4. Centros vertebrais com marcas de mordida preservadas. (a–g) Centro vertebral 1, com perfurações em ambos os lados e close-ups mostrando a morfologia das marcas. (h–k) Centro vertebral 2, incluindo uma costela deformada na borda fraturada e diferentes ângulos das mordidas. (l–n) Centro vertebral 3, com duas marcas próximas ao centro da vértebra. As posições dos centros estão indicadas na Fig. 3.
Fig. 4. Centros vertebrais com marcas de mordida preservadas. (a–g) Centro vertebral 1, com perfurações em ambos os lados e close-ups mostrando a morfologia das marcas. (h–k) Centro vertebral 2, incluindo uma costela deformada na borda fraturada e diferentes ângulos das mordidas. (l–n) Centro vertebral 3, com duas marcas próximas ao centro da vértebra. As posições dos centros estão indicadas na Fig. 3 - Sputnik Brasil
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Fig. 4. Centros vertebrais com marcas de mordida preservadas. (a–g) Centro vertebral 1, com perfurações em ambos os lados e close-ups mostrando a morfologia das marcas. (h–k) Centro vertebral 2, incluindo uma costela deformada na borda fraturada e diferentes ângulos das mordidas. (l–n) Centro vertebral 3, com duas marcas próximas ao centro da vértebra. As posições dos centros estão indicadas na Fig. 3.
© Foto / White et al., Gondwana Res., 2026Fig. 5. Bloco com conteúdo estomacal. (a) Bloco com a região globular destacada e dois ossos de pterossauro expostos; (b) Bloco em transparência mostrando pterossauro, fragmentos de conchas e belemnites; (c) Close-up in situ do fragmento de dentário de pterossauro; (d) Renders digitais do fragmento de dentário; (e) Render 3D do possível extremo proximal do dentário no contato quadrado‑articular; (f–h) Imagens de tomografia por nêutrons do conteúdo intestinal, incluindo belemnites, peixes, fragmentos de conchas e pterossauro; (i) Renders 3D do conteúdo intestinal. Abreviação: mr, crista medial.
Fig. 5. Bloco com conteúdo estomacal. (a) Bloco com a região globular destacada e dois ossos de pterossauro expostos; (b) Bloco em transparência mostrando pterossauro, fragmentos de conchas e belemnites; (c) Close-up in situ do fragmento de dentário de pterossauro; (d) Renders digitais do fragmento de dentário; (e) Render 3D do possível extremo proximal do dentário no contato quadrado‑articular; (f–h) Imagens de tomografia por nêutrons do conteúdo intestinal, incluindo belemnites, peixes, fragmentos de conchas e pterossauro; (i) Renders 3D do conteúdo intestinal. Abreviação: mr, crista medial - Sputnik Brasil
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Fig. 5. Bloco com conteúdo estomacal. (a) Bloco com a região globular destacada e dois ossos de pterossauro expostos; (b) Bloco em transparência mostrando pterossauro, fragmentos de conchas e belemnites; (c) Close-up in situ do fragmento de dentário de pterossauro; (d) Renders digitais do fragmento de dentário; (e) Render 3D do possível extremo proximal do dentário no contato quadrado‑articular; (f–h) Imagens de tomografia por nêutrons do conteúdo intestinal, incluindo belemnites, peixes, fragmentos de conchas e pterossauro; (i) Renders 3D do conteúdo intestinal. Abreviação: mr, crista medial.
© Foto / White et al., Gondwana Res., 2026Fig. 6. Comparação de fragmentos de dentário dos alvéolos 2–3, 3–4 e 4–5 de Ornithocheiridae indet. QM F44423 com KK F1435 (pterossauro digerido), por análise pareada. KK F1435: (a) vista oclusal; (b) vista labial. QM F44423: (c) vista oclusal; (d) vista labial. (e–h) Alinhamentos inter‑alveolares em vistas oclusal e labial para ambos os espécimes. (i–k) Comparação dos alvéolos 2–3; (l–n) dos alvéolos 3–4; (o–q) dos alvéolos 4–5.
Fig. 6. Comparação de fragmentos de dentário dos alvéolos 2–3, 3–4 e 4–5 de Ornithocheiridae indet. QM F44423 com KK F1435 (pterossauro digerido), por análise pareada. KK F1435: (a) vista oclusal; (b) vista labial. QM F44423: (c) vista oclusal; (d) vista labial. (e–h) Alinhamentos inter‑alveolares em vistas oclusal e labial para ambos os espécimes. (i–k) Comparação dos alvéolos 2–3; (l–n) dos alvéolos 3–4; (o–q) dos alvéolos 4–5 - Sputnik Brasil
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Fig. 6. Comparação de fragmentos de dentário dos alvéolos 2–3, 3–4 e 4–5 de Ornithocheiridae indet. QM F44423 com KK F1435 (pterossauro digerido), por análise pareada. KK F1435: (a) vista oclusal; (b) vista labial. QM F44423: (c) vista oclusal; (d) vista labial. (e–h) Alinhamentos inter‑alveolares em vistas oclusal e labial para ambos os espécimes. (i–k) Comparação dos alvéolos 2–3; (l–n) dos alvéolos 3–4; (o–q) dos alvéolos 4–5.
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Fig. 1. Geologia superficial da área onde KK F1435 foi descoberto. (a) Silhueta em preto de Queensland, Austrália, indicando as unidades geológicas e a região da descoberta (Geoscience Australia 2021). (b) Laje de rocha contendo os blocos 2–5 antes de serem separados para transporte. (c) Lajes seccionadas 2–4 in situ.
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Fig. 2. Queda fatal de ictiossauro: fotografias e esquemas mostrando fraturas no crânio causadas por impacto. (a) Esboço reconstruindo o ictiossauro no momento do impacto contra o fundo marinho. (b) Fotografia em vista ventral de KK F1435. (c) Esquema das fraturas ósseas, vista ventral. Abreviações: bo, ruptura explosiva; mb, fratura principal; OB ou SP, sobreposição ou deslocamento proximal.
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Fig. 3. Imagens 3D de KK F1435 com marcas de mordida e conteúdo estomacal. (a) Crânio quase completo; (b) Bloco com conteúdo estomacal; (c) Autopódio articulado; (d) Conjunto de vértebras, costelas e membros; (e) Centros vertebrais dorsais — alguns com marcas de dentes; (f) Vértebras dorsais fraturadas e costela deformada; (g) Vértebras caudais pré‑flexurais semiarticuladas; (h) Silhuetas indicando a posição aproximada de cada bloco. Abreviações: b, basisfenóide; f, fêmur; h, úmero; ip, isquiopúbis; n, espinho neural; p, falange; r, costela; s, escápula; sc, conteúdo estomacal; v1–v3, centros vertebrais com marcas de dentes.
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Fig. 4. Centros vertebrais com marcas de mordida preservadas. (a–g) Centro vertebral 1, com perfurações em ambos os lados e close-ups mostrando a morfologia das marcas. (h–k) Centro vertebral 2, incluindo uma costela deformada na borda fraturada e diferentes ângulos das mordidas. (l–n) Centro vertebral 3, com duas marcas próximas ao centro da vértebra. As posições dos centros estão indicadas na Fig. 3.
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Fig. 5. Bloco com conteúdo estomacal. (a) Bloco com a região globular destacada e dois ossos de pterossauro expostos; (b) Bloco em transparência mostrando pterossauro, fragmentos de conchas e belemnites; (c) Close-up in situ do fragmento de dentário de pterossauro; (d) Renders digitais do fragmento de dentário; (e) Render 3D do possível extremo proximal do dentário no contato quadrado‑articular; (f–h) Imagens de tomografia por nêutrons do conteúdo intestinal, incluindo belemnites, peixes, fragmentos de conchas e pterossauro; (i) Renders 3D do conteúdo intestinal. Abreviação: mr, crista medial.
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Fig. 6. Comparação de fragmentos de dentário dos alvéolos 2–3, 3–4 e 4–5 de Ornithocheiridae indet. QM F44423 com KK F1435 (pterossauro digerido), por análise pareada. KK F1435: (a) vista oclusal; (b) vista labial. QM F44423: (c) vista oclusal; (d) vista labial. (e–h) Alinhamentos inter‑alveolares em vistas oclusal e labial para ambos os espécimes. (i–k) Comparação dos alvéolos 2–3; (l–n) dos alvéolos 3–4; (o–q) dos alvéolos 4–5.
Naquele período, vastas áreas do interior australiano eram cobertas pelo mar de Eromanga, deixando um registro fóssil abundante de vida marinha, pterossauros e dinossauros que habitavam as margens e deltas da região. Foi nesse cenário que paleontólogos identificaram ossos do Platypterygius australis, um ictiossauro de seis a sete metros com dentes afiados capazes de capturar peixes, cefalópodes e, como agora se sabe, até pterossauros.
Dentro do esqueleto, uma concreção estomacal fossilizada revelou restos de peixes, conchas e fragmentos de cefalópodes, mas também dois pedaços de mandíbula de pterossauro — a primeira evidência direta de que esses répteis voadores faziam parte da dieta dos ictiossauros. A descoberta confirma o comportamento oportunista desses predadores, que consumiam qualquer pequena criatura disponível no oceano.
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O Platypterygius, porém, não sobreviveu por muito tempo após essa refeição. Seu esqueleto exibia vértebras fraturadas, costelas ausentes e marcas profundas de mordidas, indicando um ataque violento. Uma vértebra chegou a preservar uma costela comprimida contra uma borda quebrada, sinal de esmagamento mandibular intenso.
Os danos apontam para um único suspeito: o Kronosaurus queenslandicus, pliossauro de mais de 10 metros que dominava o mar de Eromanga. Com mandíbulas longas e dentadas semelhantes às de um crocodilo e um corpo robusto impulsionado por quatro nadadeiras, ele era o predador alfa da região. A nova evidência confirma pela primeira vez interações diretas entre pterossauros, ictiossauros e pliossauros.
Casos assim são raros, mas quando surgem revelam histórias extraordinárias. Pegadas na Coreia do Sul já registraram um pterossauro gigante perseguindo uma pequena presa em terra; na Argentina, um megaraptor foi encontrado com um pedaço de crocodilo preso à boca; e no Brasil, um pterossauro dentuço foi identificado em vômito fossilizado, após ter sido engolido por um dinossauro espinossaurídeo.
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