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Desinformação vinda dos EUA é desafio para a vacinação no Brasil, diz Padilha à Sputnik Brasil
Desinformação vinda dos EUA é desafio para a vacinação no Brasil, diz Padilha à Sputnik Brasil
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Em entrevista à agência, ministro da Saúde destaca ações do governo para retomar o alto nível de cobertura vacinal do país e diz que as fronteiras hoje são um... 31.07.2026, Sputnik Brasil
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O Brasil fechou o ano de 2025 com a maior cobertura vacinal dos últimos nove anos, reduzindo de 350 mil para 50 mil o número de crianças não vacinadas.Esse feito foi alcançado em apenas dois anos, conforme explica em entrevista exclusiva ao podcast Jabuticaba sem Caroço, da Sputnik Brasil, o ministro da saúde, Alexandre Padilha.Padilha enfatiza que um dos maiores desafios atuais para o Ministério da Saúde é o combate à desinformação alastrada por movimentos antivacina liderados por grupos, em sua maioria, estadunidenses.O ministro cita os danos causados pela postura do atual secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., que ele classifica como "absolutamente antivacina". Kennedy Jr. cortou o financiamento de seu governo para vacinas de mRNA (RNA mensageiro), deu declarações questionando a eficácia de vacinas e minimizou a importância da imunização contra o sarampo. Padilha destaca que as ações do secretário norte-americano surtiram resultados negativos que chegaram ao Brasil.Nesse contexto, as fronteiras passaram a receber atenção especial, pois o aumento de casos de sarampo nos três países do Norte consequentemente desceu para o Sul do continente."A gente começou a ter risco de transmissão, por exemplo, da Bolívia para o Brasil, do Paraguai para o Brasil. Chegou a acontecer um surto de casos de sarampo na Argentina, no Uruguai e aqui no interior de Tocantins de um mesmo grupo religioso que tinha se encontrado na Bolívia. Então a gente começou a ter que fazer uma ação específica nas áreas de fronteira", explica.Entre as ações tomadas pelo Ministério da Saúde para combater a desinformação sobre vacinas, está justamente a mobilização de lideranças religiosas.Ele acrescenta que, em certa ocasião, durante uma campanha de vacinação de gestantes contra bronquiolite, foram convidadas lideranças religiosas evangélicas femininas que desenvolvem um trabalho importante dentro de suas congregações.Para mostrar a importância de ter recuperado um alto nível de cobertura vacinal, Padilha usa o exemplo da poliomielite, que não é registrada no país desde 1989, mas ficou amplamente conhecida nas décadas de 1970 e 1980 por causar a chamada paralisia infantil."Eu, quando criança, me lembro de pessoas tendo paralisia infantil. Quem é muito mais novo do que eu não sabe o que é paralisia infantil. No máximo, vem uma pessoa mais idosa que teve na infância, que está vivo, teve a forma que acometeu só membros inferiores."Nos últimos três anos e meio, o governo federal aumentou o orçamento da saúde em 77%, viabilizando o trabalho feito pela ex-ministra da Saúde Nísia Trindade na recuperação do programa de vacinação do país, no repasse dos recursos para equipes de saúde e na incorporação de vacinas como a ACWY, imunizante que combate meningites e doenças meningocócicas causadas pelos sorotipos A, C, W e Y.
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Padilha alerta para risco de doenças nas fronteiras por avanço da ideologia antivacina
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Padilha diz que governo mobiliza influenciadores e líderes religiosos para ampliar confiança nas vacinas
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Desinformação vinda dos EUA é desafio para a vacinação no Brasil, diz Padilha à Sputnik Brasil
15:20 31.07.2026 (atualizado: 16:27 31.07.2026) Especiais
Em entrevista à agência, ministro da Saúde destaca ações do governo para retomar o alto nível de cobertura vacinal do país e diz que as fronteiras hoje são um desafio para conter casos importados de doenças como o sarampo.
O Brasil fechou o ano de 2025 com a maior cobertura vacinal dos últimos nove anos, reduzindo de 350 mil para 50 mil o número de crianças não vacinadas.
Esse
feito foi alcançado em apenas dois anos, conforme explica em entrevista exclusiva ao podcast
Jabuticaba sem Caroço, da
Sputnik Brasil, o ministro da saúde,
Alexandre Padilha.
"O Brasil saiu da lista não só dos 20, mas dos 40 países que menos vacinavam as crianças. A gente conseguiu recuperar as campanhas de vacinação. Fizemos o reforço da equipe que está na Unidade Básica de Saúde."
Padilha enfatiza que um dos maiores desafios atuais para o Ministério da Saúde é o combate à desinformação alastrada por movimentos antivacina liderados por grupos, em sua maioria, estadunidenses.
O ministro cita os danos causados pela postura do atual secretário de Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., que ele classifica como "absolutamente antivacina". Kennedy Jr. cortou o financiamento de seu governo para vacinas de mRNA (RNA mensageiro), deu declarações questionando a eficácia de vacinas e minimizou a importância da imunização contra o sarampo. Padilha destaca que as ações do secretário norte-americano surtiram resultados negativos que chegaram ao Brasil.
"Explodiu de casos de sarampo nos EUA, no México e no Canadá, na fronteira. Em 2025, a gente chegou a receber 38 casos importados de sarampo no Brasil, e só não disseminaram aqui porque a gente já tinha melhorado a cobertura em 2023, 2024."
Nesse contexto,
as fronteiras passaram a receber atenção especial, pois o aumento de
casos de sarampo nos três países do Norte consequentemente desceu para o Sul do continente.
"A gente começou a ter risco de transmissão, por exemplo, da Bolívia para o Brasil, do Paraguai para o Brasil. Chegou a acontecer um surto de casos de sarampo na Argentina, no Uruguai e aqui no interior de Tocantins de um mesmo grupo religioso que tinha se encontrado na Bolívia. Então a gente começou a ter que fazer uma ação específica nas áreas de fronteira", explica.
Entre as ações tomadas pelo Ministério da Saúde para
combater a desinformação sobre vacinas, está justamente a
mobilização de lideranças religiosas.
"A gente leva o Zé Gotinha em cultos evangélicos e nas matrizes africanas. Fizemos um movimento ecumênico de apoio à vacinação para ir quebrando uma verdadeira cadeia de desinformação que ainda existe nas áreas mais remotas."
Ele acrescenta que, em certa ocasião, durante uma campanha de vacinação de gestantes contra bronquiolite, foram convidadas lideranças religiosas evangélicas femininas que desenvolvem um trabalho importante dentro de suas congregações.
"No mês de agosto, vamos fazer um novo encontro com elas para mostrar de novo o balanço, o impacto que teve a vacina da bronquiolite nas gestantes, nos bebês, quantas vidas a gente salvou com essa vacinação. Então é um trabalho constante, permanente."
Para mostrar a importância de ter recuperado um alto nível de cobertura vacinal, Padilha usa o exemplo da poliomielite, que não é registrada no país desde 1989, mas ficou amplamente conhecida nas décadas de 1970 e 1980 por causar a chamada paralisia infantil.
"Eu, quando criança, me lembro de pessoas tendo paralisia infantil. Quem é muito mais novo do que eu não sabe o que é paralisia infantil. No máximo, vem uma pessoa mais idosa que teve na infância, que está vivo, teve a forma que acometeu só membros inferiores."
Nos últimos três anos e meio, o governo federal
aumentou o orçamento da saúde em 77%, viabilizando o trabalho feito pela ex-ministra da Saúde Nísia Trindade na recuperação do
programa de vacinação do país, no repasse dos recursos para equipes de saúde e na incorporação de vacinas como a ACWY, imunizante que combate meningites e doenças meningocócicas causadas pelos sorotipos A, C, W e Y.
"A gente incorporou [a vacina ACWY] em dezembro do ano passado. Para você ter uma ideia, já fez nesse inverno reduzir em 52% os casos graves de bronquiolite nos bebês de até seis meses de idade, o que mostra que é o impacto da vacina. Você vacina a gestante e já protege o bebê assim que ele nasce", afirma.
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