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Chanceleres de Brasil e Argentina se pronunciam em meio à crise diplomática

© Foto / Ministério das Relações Exteriores do BrasilO ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira (à esquerda) se encontra com o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, em Brasília. Brasil, 15 de julho de 2024
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira (à esquerda) se encontra com o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli, em Brasília. Brasil, 15 de julho de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 05.08.2026
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Mauro Vieira e Pablo Quirno defenderam as posições de seus governos após o rebaixamento das relações diplomáticas entre Brasília e Buenos Aires.
Em meio à crise diplomática entre Brasil e Argentina, os ministros das Relações Exteriores de cada país reagiram ao evento.
Ao veículo argentino Perfil, o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, afirmou que o rebaixamento das relações diplomáticas entre Brasil e Argentina foi uma resposta aos "reiterados insultos e agressões" do presidente Javier Milei contra o Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e as instituições brasileiras.

"Foram quatro manifestações consecutivas no espaço de uma semana em que o presidente da Argentina, de uma forma muito grosseira, muito direta e muito agressiva, criticou o Brasil, as instituições, na pessoa do presidente da República. Enquanto não houver explicações satisfatórias, manteremos essa decisão."

Nesse período, as relações serão mantidas por encarregados de negócios, medida que, segundo o chanceler, busca demonstrar a gravidade do episódio sem romper os canais diplomáticos.
Vieira também diferenciou a participação de Milei em um evento político conservador, o CPAC, realizado em Santa Catarina, em 2024, da presença do presidente argentino no lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência do Brasil, mês passado.
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Na primeira visita, Milei defendeu suas posições políticas, mas não fez ataques às autoridades brasileiras. Na segunda, promoveu ofensas ao chefe de Estado brasileiro e às instituições do país durante um ato eleitoral, o que caracterizou uma interferência inédita e inaceitável na política interna do Brasil.
O ministro ressaltou ainda que o problema não é de natureza ideológica, uma vez que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém relações de respeito e diálogo com líderes de orientações políticas diversas ao redor do mundo, e lamentou que a crise coloque em risco uma relação bilateral que, desde a redemocratização, é marcada pela cooperação e integração.

"As boas formas e o respeito não são uma questão ideológica. São uma questão de convivência entre as pessoas e, sobretudo, entre os Estados nas suas relações."

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Já o chanceler argentino, Pablo Quirno, durante coletiva de imprensa na Casa Rosada mais cedo, lamentou a "decisão unilateral" do governo brasileiro de rebaixar as relações diplomáticas.
Além disso, retrucou que Milei também foi alvo de críticas e insultos por parte de integrantes de Brasília, sem que Buenos Aires adotasse medidas diplomáticas em resposta. O caso remonta à vez em que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o líder argentino de "palhaço".
O chanceler afirmou que a crise reflete diferenças ideológicas mais profundas e espera que haja uma mudança de poder no Brasil nas eleições.

"A região está mudando sua direção ideológica. Celebramos isso e esperamos que aconteça o mesmo no Brasil."

Quirno também criticou a visita de Lula à ex-presidente Cristina Kirchner, às margens da Cúpula do Mercosul, antes das eleições argentinas de 2025, quando ela cumpria prisão domiciliar.
Em sua visita, à época, o presidente brasileiro prestou solidariedade à aliada e não adotou em seu discurso temas de perseguição política. "Eu não fui apoiar a Cristina Kirchner, fui visitar, com autorização da Justiça, porque eu não esqueço da relação de amizade que eu tive. Foram 8 anos de amizade, 12 com o marido dela. Doze de convivência."
Ainda assim, o chanceler afirmou que a Argentina não pretende responder diplomaticamente à decisão do governo brasileiro. Segundo o chanceler, Buenos Aires respeita o direito de Brasília definir o nível das relações bilaterais.
"Da nossa parte, não haverá nenhuma ação diplomática em resposta ao que o Brasil fizer. O Brasil tem todo o direito de tomar as decisões que bem entender, e nós seguiremos mantendo as relações no nível que o Brasil decidir."

"Para haver uma briga são necessárias duas partes. Não contem com a Argentina para isso. Nós vamos continuar travando apenas a luta pelas ideias da liberdade."

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