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Imprevisibilidade de terremotos exige preparo de cidadãos e estruturas, aponta especialista

© AP Photo / Miguel Angel LopezPrédio colapsou após terremoto em Pereira, na Colômbia, em 10 de agosto de 2026
Prédio colapsou após terremoto em Pereira, na Colômbia, em 10 de agosto de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 10.08.2026
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Abalo sísmico na Colômbia, que já ultrapassou os cem mortos, acontece menos de dois meses após tremores que mataram mais de 6 mil na Venezuela. Riscos de incidentes como esse no Brasil são nulos, avalia analista.
As autoridades da Colômbia declararam estado de desastre nacional após um forte terremoto atingir o país na manhã desta segunda-feira (10). Inicialmente, o Centro Sismológico Euro-Mediterrâneo informou que um terremoto de magnitude 6,8 havia atingido a Colômbia. Posteriormente, sismólogos europeus elevaram a magnitude do tremor para 7,4, enquanto especialistas dos EUA apresentaram uma estimativa semelhante. O epicentro estaria localizado próximo à cidade de San José del Palmar, no departamento de Chocó. O número de mortos chega, até o momento, a 132.
Os tremores na Colômbia acontecem menos de dois meses após o terremoto duplo na Venezuela, que terminou com a morte de mais de 6.000 pessoas, dezenas de milhares de feridos e centenas de edificações colapsadas.
Em entrevista à Sputnik Brasil, Bruno Mattos, professor e geógrafo com pós-doutorado em dinâmicas urbano-ambientais e gestão de território e mestrado em geografia na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), explica que, ao contrário dos fenômenos meteorológicos, as atividades sísmicas não são previsíveis. Apesar de tremores serem comuns em países como Colômbia e Venezuela, abalos sísmicos de tamanha magnitude costumam ser raros.
"Terremotos com a magnitude acima de 6 graus na escala Richter não são tão comuns assim. Se a gente for pegar a quantidade de terremotos que acontecem no mundo, acima de 6 é um número reduzido. Acima de 7 é um número ainda mais reduzido."
Mattos também explica que a natureza dos terremotos da Venezuela, em junho, e da Colômbia, hoje, acontece por motivos distintos.
"Esse terremoto da Colômbia, agora, aconteceu em virtude do movimento convergente de placas tectônicas. Você tem a placa sul-americana, que é onde o Brasil, por exemplo, se encontra, chocando-se, convergindo com a placa de Nazca, que foi um sistema diferente do da Venezuela. Lá foi um pouco mais complexo, houve ali um movimento transcorrente, que é basicamente quando as placas se movimentam de uma maneira paralela umas às outras."
O especialista destaca que as placas ficam durante anos acumulando tensões umas com as outras, sendo o terremoto o momento em que a tensão se rompe. Ou seja, quanto maior o tensionamento entre as placas, maiores as chances de tremores mais intensos.
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'Previnir é sempre mais barato'

Mattos afirma que prevenir é a forma mais barata de mitigar perdas humanas e danos estruturais em terremotos. Como exemplo, o geógrafo cita os abalos sísmicos do Haiti, em 2010, e do Japão, em 2011, quando morreram 300 mil e 20 mil pessoas, respectivamente, apesar de o tremor japonês ter alcançado 9 graus na escala Richter, enquanto o caribenho teve magnitude 7.
"O terremoto do Haiti teve uma magnitude menor comparada com a do Japão. O que diferenciou? Em países com uma grande renda, com uma economia desenvolvida, que conseguem fazer esse processo de construir, de criar estruturas preparadas para receber terremotos, eles são preparados para receber esses abalos."
O especialista destaca que as antigas civilizações do Peru construíram casas com pequenos espaçamentos entre os tijolos para evitar colapsos estruturais em tremores deste tipo. Este cuidado, no entanto, se perdeu no planejamento urbano de cidades como Cali, na Colômbia.
"Você tem um número considerável de construções em áreas de morro, de encostas, e, obviamente, quando você tem esses tremores, essas áreas acabam sendo mais afetadas, pode ter alguns deslizamentos de terras que são causados pelos tremores."
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Um terremoto como esse pode acontecer no Brasil?

Mattos explica que abalos sísmicos gerados por tectonismos, embora sejam sentidos no Brasil, sobretudo na região Norte, chegam com uma magnitude muito pequena no território brasileiro. Segundo o especialista, apenas uma mudança geológica poderia proporcionar terremotos desta magnitude no país.
"Terremotos como esses não vão acontecer no Brasil. Se acontecer, é que a gente está tendo realmente uma mudança geológica. Eu até brinco com a frase: 'Para o mundo que eu quero descer'."
O geólogo conta que existe a percepção entre brasileiros de que não há terremotos no país pelo fato de a maioria da população morar no litoral do Brasil, que fica no centro da placa tectônica sul-americana, e não na região Norte, mais sismicamente ativa.
"Sempre se inventou uma história de que no Brasil não tem vulcão, não tem terremoto. A gente tem os vulcões aí adormecidos e a gente tem, sim, abalos sísmicos."
Mattos cita como exemplo os tremores causados por acomodação de rochas no Brasil, em especial em Sobral, no Ceará.
"É importante lembrar que, no fundo do solo, na nossa base geológica, ali na estrutura geológica, você tem rochas que podem não estar muito bem conectadas, você pode ter uma série de cavernas e, às vezes, você tem um afundamento nesse processo normal, é o que a gente chama de acomodamento de rochas."
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