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Amorim: Brasil não pode admitir uso de terrorismo como pretexto para intervenção
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Assessor especial participou de audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (12). 12.08.2026, Sputnik Brasil
2026-08-12T14:13-0300
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O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, alertou nesta quarta-feira (12), para os riscos à segurança nacional decorrentes da classificação, pelos Estados Unidos, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.Segundo Amorim, em fala realizada durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, a designação já foi usada anteriormente contra um país vizinho para justificar o uso da força, e a medida adotada por Washington deve ser analisada à luz dessa experiência.O assessor especial apontou ainda para a dificuldade de se estabelecer uma definição específica de terrorismo.Segundo Amorim, a classificação não pode ser utilizada por um terceiro país como justificativa para uma intervenção militar contra o Brasil. "O que não podemos admitir é que um terceiro país utilize isso como pretexto contra para, passando por várias ações, mas chegando no cúmulo, a ação militar", disse Amorim.O assessor reconheceu o grande impacto do crime organizado sobre a vida dos brasileiros e afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui um plano robusto para combater de forma efetiva o crime organizado, inclusive por meio de cooperação com os Estados Unidos.Amorim defendeu maior cooperação internacional, mas sem intervenção estrangeira. Segundo ele, "a colaboração internacional autêntica será sempre bem-vinda, e o Brasil permanece aberto à construção de soluções conjuntas, preservando a soberania".Relação com Estados UnidosAo tratar das relações entre Brasil e Estados Unidos, Amorim afirmou que o diálogo entre os dois países sempre foi positivo. Ele também destacou ter mantido contato com autoridades americanas de alto nível ao longo de sua extensa carreira diplomática, tanto com líderes republicanos quanto democratas.Amorim ainda criticou as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. "As tarifas são totalmente contrárias às regras da OMC", afirmou.O assessor também abordou a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Segundo Amorim, a indicação foi "rejeitada" por violar os padrões estabelecidos pela Convenção de Viena.Diante do termo "rejeitada", Amorim explicou que usava a mesma expressão empregada pela imprensa norte-americana para se referir ao episódio. Perez não teve seu agrément concedido pelo Brasil, que deve evitar conceder seu "de acordo" a indicados de qualquer país durante o período eleitoral.Amorim explicou que a concessão de agrément é regulada pela Convenção de Viena, aceita pelos Estados Unidos, e que o pedido deve ser feito de forma sigilosa para evitar uma possível crise diplomática.Segundo Amorim, os Estados Unidos não seguiram esse procedimento e levaram logo a indicação ao Senado, contrariando as regras internacionais. Amorim afirmou que isso ocorreu após mais de um ano e meio sem um embaixador norte-americano no Brasil e, na proximidade das eleições, houve a desacreditação da embaixadora brasileira nos EUA.Em meio ao impasse, o governo americano revogou em parte o visto da embaixadora brasileira nos EUA. Amorim reforçou que o agrément não foi recusado e que não será concedido em nenhum país durante o período eleitoral.MultipolaridadeAmorim afirmou que o Brasil defende um mundo multipolar e apoia o multilateralismo. "O Brasil não pode optar por alinhamentos automáticos, tem uma posição de neutralidade", declarou. O assessor alertou que o mundo vive um momento crucial, marcado por disputas por recursos estratégicos, e defendeu uma política externa universalista e ativa.Amorim também destacou a realização de reuniões internacionais anteriores sobre questões de segurança e afirmou que o Brasil defende maior cooperação internacional, sem intervenção, preservando a soberania nacional.
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celso amorim, luiz inácio lula da silva, lúcia perez, brasil, estados unidos, irlanda, presidência da república, primeiro comando da capital (pcc), comando vermelho (cv), convenção de viena
Amorim: Brasil não pode admitir uso de terrorismo como pretexto para intervenção
14:13 12.08.2026 (atualizado: 15:23 12.08.2026) Assessor especial participou de audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (12).
O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, alertou nesta quarta-feira (12), para os riscos à segurança nacional decorrentes da classificação, pelos Estados Unidos, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Segundo Amorim, em fala realizada durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, a designação já foi usada anteriormente contra um país vizinho para justificar o uso da força, e a medida adotada por Washington deve ser analisada à luz dessa experiência.
Em fevereiro de 2025, os EUA designaram o grupo narcotraficante Tren de Aragua como organização terrorista. Em novembro do mesmo ano, foi a vez do suposto Cartel de los Soles, do qual faria parte inclusive o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Em janeiro de 2026, Maduro e sua esposa Cília Flores foram sequestrados por militares norte-americanos e levados à Nova York, onde a acusação de participar de um cartel de drogas foi retirada da acusação judicial.
O assessor especial apontou ainda para a dificuldade de se estabelecer uma definição específica de terrorismo.
"Se quiser, em um vocabulário comum comparar essas ações como uma forma de terrorismo, é uma liberdade que cada um pode ter. Agora, o terrorismo na área internacional, pela definição específica, a ONU [Organização das Nações Unidas] se dedica a isso, e é difícil se chegar a uma definição porque há também diferenças", disse Amorim, ao citar exemplos de organizações armadas na Irlanda e no mundo árabe voltadas à libertação nacional.
Segundo Amorim, a classificação não pode ser utilizada por um terceiro país como justificativa para uma intervenção militar contra o Brasil. "O que não podemos admitir é que um terceiro país utilize isso como pretexto contra para, passando por várias ações, mas chegando no cúmulo, a ação militar", disse Amorim.
O assessor reconheceu o grande impacto do crime organizado sobre a vida dos brasileiros e afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui um plano robusto para
combater de forma efetiva o crime organizado, inclusive por meio de cooperação com os Estados Unidos.
Amorim defendeu maior cooperação internacional, mas sem intervenção estrangeira. Segundo ele, "a colaboração internacional autêntica será sempre bem-vinda, e o Brasil permanece aberto à construção de soluções conjuntas, preservando a soberania".
Relação com Estados Unidos
Ao tratar das relações entre Brasil e Estados Unidos, Amorim afirmou que o diálogo entre os dois países sempre foi positivo. Ele também destacou ter mantido contato com autoridades americanas de alto nível ao longo de sua extensa carreira diplomática, tanto com líderes republicanos quanto democratas.
Amorim ainda criticou as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. "As tarifas são totalmente contrárias às regras da OMC", afirmou.
O assessor também abordou a
indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador dos Estados Unidos no Brasil. Segundo Amorim,
a indicação foi "rejeitada" por violar os padrões estabelecidos pela Convenção de Viena.
Diante do termo "rejeitada", Amorim explicou que usava a mesma expressão empregada pela imprensa norte-americana para se referir ao episódio. Perez não teve seu agrément concedido pelo Brasil, que deve evitar conceder seu "de acordo" a indicados de qualquer país durante o período eleitoral.
Amorim explicou que a concessão de agrément é regulada pela Convenção de Viena, aceita pelos Estados Unidos, e que o pedido deve ser feito de forma sigilosa para evitar uma possível crise diplomática.
Segundo Amorim, os Estados Unidos não seguiram esse procedimento e levaram logo a indicação ao Senado, contrariando as regras internacionais. Amorim afirmou que isso ocorreu após mais de um ano e meio sem um embaixador norte-americano no Brasil e, na proximidade das eleições, houve a desacreditação da embaixadora brasileira nos EUA.
Em meio ao impasse, o governo americano revogou em parte o visto da embaixadora brasileira nos EUA. Amorim reforçou que o agrément não foi recusado e que não será concedido em nenhum país durante o período eleitoral.
Amorim afirmou que
o Brasil defende um mundo multipolar e apoia o multilateralismo. "O Brasil não pode optar por alinhamentos automáticos, tem uma posição de neutralidade", declarou. O assessor alertou que o mundo vive um momento crucial, marcado por disputas por recursos estratégicos, e defendeu uma
política externa universalista e ativa.
Amorim também destacou a realização de reuniões internacionais anteriores sobre questões de segurança e afirmou que o Brasil defende maior cooperação internacional, sem intervenção, preservando a soberania nacional.
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