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Amorim: Brasil não pode admitir uso de terrorismo como pretexto para intervenção
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Assessor especial participou de audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (12). 12.08.2026, Sputnik Brasil
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O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, alertou nesta quarta-feira (12), para os riscos à segurança nacional decorrentes da classificação, pelos Estados Unidos, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.Segundo Amorim, em fala realizada durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, a designação já foi usada anteriormente contra um país vizinho para justificar o uso da força, e a medida adotada por Washington deve ser analisada à luz dessa experiência.Os riscos também ocorrem, disse o assessor especial, pelas diferentes definições e entendimentos de terrorismo, como com grupos armados na Irlanda e no Oriente Médio voltados à libertação nacional."Se quiser, em um vocabulário comum comparar essas ações como forma de terrorismo, é uma liberdade que cada um pode ter. Agora, o terrorismo na área internacional, pela definição específica, a ONU [Organização das Nações Unidas] se dedica a isso, e é difícil se chegar a uma definição porque há também diferenças."Para Amorim, o que não pode acontecer é a classificação ser usada por outro país como justificativa para uma intervenção militar no Brasil.Amorim defendeu maior cooperação internacional, mas sem intervenção estrangeira. Segundo ele, "a colaboração internacional autêntica será sempre bem-vinda, e o Brasil permanece aberto à construção de soluções conjuntas, preservando a soberania".O assessor reconheceu o grande impacto do crime organizado sobre a vida dos brasileiros e afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui um plano robusto para combater de forma efetiva o crime organizado, inclusive por meio de cooperação com os Estados Unidos.Indicação de embaixador dos EUA foi 'bizarra'O assessor especial para Assuntos Internacionais foi questionado sobre o estado atual da relação entre Brasil e Estados Unidos. Amorim, que manteve relações com autoridades estadunidenses ao longo de sua carreira diplomática, criticou a implementação de tarifas contra o Brasil — as tarifas são totalmente contrárias às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) — e comentou a indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador em Brasília.Segundo Amorim, a indicação foi "rejeitada" por violar os padrões estabelecidos pela Convenção de Viena. Diante do termo, ele explicou que usa a mesma expressão empregada pela imprensa norte-americana para se referir ao episódio e reforçou que o agrément não foi recusado e que não será concedido em nenhum país durante o período eleitoral.O assessor explicou que a concessão de agrément é regulada pela Convenção de Viena, aceita pelos Estados Unidos, e que o pedido deve ser feito de forma sigilosa para evitar uma possível crise diplomática. A liturgia não foi seguida por Washington.O diplomata ressaltou que isso acontece após mais de um ano e meio sem um embaixador norte-americano no Brasil. Em meio ao impasse, o governo estadunidense revogou, em parte, o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.Multipolaridade e proximidade com a RússiaDurante sua fala na CREDN, Amorim explicou que o Brasil defende uma ordem multipolar global, sem alinhamentos automáticos. "O Brasil tem uma posição de neutralidade" e defende maior cooperação internacional, sem intervenção, preservando a soberania nacional, disse.Um exemplo dos benefícios desse tipo de posicionamento, ressaltou Amorim, é a posição de destaque do Brasil na diplomacia mundial, sendo procurado por países europeus para mediar conversas com a Rússia.Em 2022, com o início da operação militar especial da Rússia, a Europa optou por unilateralmente abandonar a relação com Moscou e adotar uma política de confronto e sanções, sem pensar no próprio interesse e bem-estar de seus cidadãos.
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Celso Amorim reitera risco de intervenção militar dos EUA contra o Brasil
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Amorim diz que EUA agiram de forma ‘bizarra’ ao indicarem embaixador para o Brasil e destaca proximidade das eleições
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Amorim diz que EUA agiram de forma ‘bizarra’ ao indicarem embaixador para o Brasil e destaca proximidade das eleições
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celso amorim, luiz inácio lula da silva, lúcia perez, brasil, estados unidos, irlanda, presidência da república, primeiro comando da capital (pcc), comando vermelho (cv), convenção de viena
Amorim: Brasil não pode admitir uso de terrorismo como pretexto para intervenção
14:13 12.08.2026 (atualizado: 17:46 12.08.2026) Assessor especial participou de audiência na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (12).
O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, alertou nesta quarta-feira (12), para os riscos à segurança nacional decorrentes da classificação, pelos Estados Unidos, do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Segundo Amorim, em fala realizada durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, a designação já foi usada anteriormente contra um país vizinho para justificar o uso da força, e a medida adotada por Washington deve ser analisada à luz dessa experiência.
Em fevereiro de 2025, os EUA designaram o grupo narcotraficante Tren de Aragua como organização terrorista. Em novembro do mesmo ano, foi a vez do suposto Cartel de los Soles, do qual faria parte inclusive o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. Em janeiro de 2026, Maduro e sua esposa Cilia Flores foram sequestrados por militares norte-americanos e levados a Nova York, onde a acusação de participar de um cartel de drogas foi retirada da acusação judicial.
Os riscos também ocorrem, disse o assessor especial, pelas diferentes definições e entendimentos de terrorismo, como com grupos armados na Irlanda e no Oriente Médio voltados à libertação nacional.
"Se quiser, em um vocabulário comum comparar essas ações como forma de terrorismo, é uma liberdade que cada um pode ter. Agora, o terrorismo na área internacional, pela definição específica, a ONU [Organização das Nações Unidas] se dedica a isso, e é difícil se chegar a uma definição porque há também diferenças."
Para Amorim, o que não pode acontecer é a classificação ser usada por outro país como justificativa para uma intervenção militar no Brasil.
"O que não podemos admitir é que um terceiro país utilize isso como pretexto contra para, passando por várias ações, mas chegando no cúmulo, a ação militar."
Amorim defendeu maior cooperação internacional, mas sem intervenção estrangeira. Segundo ele, "a colaboração internacional autêntica será sempre bem-vinda, e o Brasil permanece aberto à construção de soluções conjuntas, preservando a soberania".
O assessor reconheceu o grande impacto do crime organizado sobre a vida dos brasileiros e afirmou que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva possui um plano robusto para
combater de forma efetiva o crime organizado, inclusive por meio de cooperação com os Estados Unidos.
Indicação de embaixador dos EUA foi 'bizarra'
O assessor especial para Assuntos Internacionais foi questionado sobre o estado atual da relação entre Brasil e Estados Unidos. Amorim, que manteve relações com autoridades estadunidenses ao longo de sua carreira diplomática, criticou a implementação de tarifas contra o Brasil —
as tarifas são totalmente contrárias às regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) — e comentou a
indicação de Daniel Perez para o cargo de embaixador em Brasília.
Segundo Amorim, a indicação foi "rejeitada" por violar os padrões estabelecidos pela Convenção de Viena. Diante do termo, ele explicou que usa a mesma expressão empregada pela imprensa norte-americana para se referir ao episódio e reforçou que o agrément não foi recusado e que não será concedido em nenhum país durante o período eleitoral.
O assessor explicou que a concessão de agrément é regulada pela Convenção de Viena, aceita pelos Estados Unidos, e que o pedido deve ser feito de forma sigilosa para evitar uma possível crise diplomática. A liturgia não foi seguida por Washington.
"O que aconteceu, bizarramente, foi que os EUA não seguiram de maneira nenhuma. Primeiro eles deram publicidade antes da concessão do agrément, e talvez o mais grave, eles prosseguiram com o processo dentro do Senado americano, sem ter o agrément brasileiro."
O diplomata ressaltou que isso acontece após mais de um ano e meio sem um embaixador norte-americano no Brasil. Em meio ao impasse, o governo estadunidense revogou, em parte, o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti.
Multipolaridade e proximidade com a Rússia
Durante sua fala na CREDN, Amorim explicou que o Brasil defende uma ordem multipolar global, sem alinhamentos automáticos. "O Brasil tem uma posição de neutralidade" e defende maior cooperação internacional, sem intervenção, preservando a soberania nacional, disse.
Um exemplo dos benefícios desse tipo de posicionamento, ressaltou Amorim, é a posição de destaque do Brasil na diplomacia mundial, sendo procurado por países europeus para mediar conversas com a Rússia.
"Eu tenho sido procurado, eu pessoalmente, em alguns casos o presidente, em outros casos outros funcionários, mas eu posso falar do que eu sei, por embaixadores e ministros de países da Europa Ocidental que pedem a nossa interlocução com a Rússia, porque dizem que o Brasil é um dos pouquíssimos países que tem interlocução com o Ocidente e com a Rússia.
Em 2022, com o início da operação militar especial da Rússia, a Europa optou por unilateralmente abandonar a relação com Moscou e adotar uma política de confronto e sanções, sem pensar no próprio interesse e bem-estar de seus cidadãos.
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