- Sputnik Brasil, 1920
Notícias do Brasil
Notícias sobre política, economia e sociedade do Brasil. Entrevistas e análises de especialistas sobre assuntos que importam ao país.

'Extremismo destrói': em evento no RJ, Doria lamenta falta de opção moderada entre presidenciáveis

© Foto / Instagram / João DoriaJoão Doria discursa no 25º Fórum Empresarial LIDE, no Rio de Janeiro. Brasil, 21 de agosto de 2026
João Doria discursa no 25º Fórum Empresarial LIDE, no Rio de Janeiro. Brasil, 21 de agosto de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 21.08.2026
Nos siga no
Em discurso no 25º Fórum Empresarial LIDE, do qual é fundador e copresidente, Doria disse que não é possível construir uma nação calcada em radicalismo.
O ex-prefeito e ex-governador de São Paulo João Doria lamentou, nesta sexta-feira (21), a falta de um candidato moderado na eleição presidencial deste ano.

"Eu, pessoalmente, como cidadão, tendo sido prefeito da cidade de São Paulo e tendo sido governador, e hoje como cidadão brasileiro e eleitor, gostaria muito que o país pudesse ter uma opção que não fosse dos extremos, nem da extrema-direita, nem da extrema-esquerda."

Ele acrescentou que não é possível construir uma nação para a população calcada em extremismos e radicalismos.

"O radicalismo, seja de direita ou esquerda, não constrói, ele destrói", frisou.

A fala de Doria foi proferida no 25º Fórum Empresarial LIDE, do qual é fundador e copresidente. O evento foi realizado no Rio de Janeiro e reuniu autoridades, lideranças do setor empresarial e especialistas.
Luís Roberto Barroso, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), participou do fórum por vídeoconferência e listou o que considera avanços alcançados pelo Brasil e o que considera desafios que ainda precisam ser superados.
No rol de avanços, ele apontou o crescimento da economia nos últimos anos, com uma inflação em torno de 4%, "uma das menores da história", e reservas internacionais acima de US$ 370 bilhões (cerca de R$ 1,9 trilhão). Já em relação aos desafios, ele apontou a dívida pública crescente, que atingiu quase 82% do PIB.

"Quase todos os países do mundo estão vivendo um problema fiscal, mas no Brasil se acrescenta a questão dos juros de 14%, os mais elevados do mundo, e como isso gravemente compromete o próprio crescimento, o aumento da dívida, o endividamento das famílias."

Barroso acrescentou que a segurança pública deve estar no topo das prioridades, mirando a confluência do crime organizado com a economia formal e a política.
"Precisamos ter isso no topo da nossa agenda para não passarmos por um processo de captura das instituições."
O governador interino do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, que tinha presença confirmada no evento, não pôde comparecer, enviando como representante o secretário de Estado de Fazenda, Guilherme Mercês.
Mercês disse que o estado do Rio de Janeiro tem hoje um déficit de R$ 19 bilhões e que a meta do governador interino é entregar o cargo com as contas no positivo. Ele exaltou a gestão de Couto como "absolutamente técnica".

"A gente tem feito muitas ações na contenção de despesas. A gente está vendo [o corte de] quase 6 mil cargos comissionados […], sem que houvesse qualquer interrupção em nenhum dos serviços públicos de forma grave, tudo sendo absolutamente administrado", sublinhou.

O secretário enfatizou que estão sendo feitas auditorias em todos os contratos do governo do estado, e um esforço enorme para aumentar a arrecadação.
"Não a arrecadação de royalties, que não depende do estado do Rio de Janeiro, mas a arrecadação do ICMS. Hoje o Rio de Janeiro é o estado onde o ICMS mais cresce no Brasil — 18% no acumulado do semestre, contra 7% da média nacional."
A economista e ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que chegou a ser cotada como vice na campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), participou do evento e concedeu entrevista a jornalistas na qual criticou a proposta de acabar com a escala 6 x 1. Segundo ela, o debate da proposta é "populista e inócuo na realidade atual da família brasileira".
"O cara tem que ter liberdade para trabalhar o quanto ele quiser. É uma ficção dizer que está se concedendo alguma coisa, enquanto quem produz não vai ter condição e vai ter um custo enorme em relação a isso."
Marques disse que "o problema não é a 6 x 1, mas a falta de liberdade do cidadão para discutir o seu contrato com o empregador, sem o Estado interferir".

"Eu sou a favor da liberdade, da ampliação dessa liberdade, de que deveria ter todas as jornadas permitidas, e cabe ao trabalhador e ao empregador decidir de que forma eles querem construir os seus contratos."

O Procurador-Geral da República (PGR), Paulo Gonet, foi questionado por jornalistas ao final do evento se pretendia enviar aos presidenciáveis alguma recomendação para que as regras sejam respeitadas de forma a garantir a segurança jurídica.
Ele afirmou que, para que haja segurança jurídica e política nas relações entre os Poderes, "cada órgão tem que se ater às suas competências".
"Não cabe à Procuradoria-Geral da República fazer propostas políticas, recomendar propostas políticas. O que nós fazemos é aplicar as decisões que foram tomadas pelos representantes do povo. Nós não somos representantes do povo, nós somos representantes da Constituição do povo enquanto poder constituinte, por decisão do povo constituinte. Mas cabe aos políticos tomar essas decisões", respondeu Gonet.
Logo da emissora Sputnik - Sputnik Brasil
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Feed de notícias
0
Para participar da discussão
inicie sessão ou cadastre-se
loader
Bate-papos
Заголовок открываемого материала