China recusa colaborar com 'atos imprudentes' dos EUA contra o Irã, diz mídia

© AP Photo / Kenny Holston
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Pequim se recusará categoricamente a aderir às medidas punitivas impostas por Washington contra a nação persa, após o anúncio da Casa Branca de uma operação massiva de "guerra econômica", afirma um editorial da mídia asiática.
Em uma análise, o Global Times argumenta que os alertas do Departamento do Tesouro dos EUA — que instou a China a cumprir o bloqueio contra o Irã usando a retórica do "ou você está conosco ou contra nós" — constituem um sinal de desespero e imposição unilateral por parte de Washington.
De acordo com a publicação, a estratégia militar dos EUA no Oriente Médio chegou a um impasse após meses de conflito, o que forçou o governo norte-americano a recorrer a uma pressão econômica massiva como forma de tentar romper o impasse.
A mídia asiática argumenta que essa implementação de sanções não representa uma mudança estratégica genuína e vitoriosa, mas sim uma tentativa desesperada de conter os custos de um conflito no qual os meios militares se mostraram ineficazes.
Nesse sentido, o jornal também alerta para as graves repercussões globais dessas ações, observando que sanções unilaterais não resolvem os problemas subjacentes e apenas conseguem aumentar os preços da energia, interromper as cadeias de suprimentos e alimentar a inflação global.
"A China não apenas se recusará a compactuar com os 'atos imprudentes' dos Estados Unidos em relação à questão do Irã, como a comunidade internacional também deixará de apoiar Washington", afirma a publicação.
O jornal destaca que os EUA pretendem que o restante da comunidade internacional arque com os custos de uma guerra fracassada que Washington lançou ao lado de Israel, interrompendo a navegação no estreito de Ormuz e desestabilizando os mercados.
A apuração também ressalta o crescente isolamento diplomático da Casa Branca, afirmando que nem mesmo os aliados tradicionais dos EUA na Europa apoiam entusiasticamente essa abordagem radical.
Segundo o jornal chinês, essa retórica divisiva causou profundas fissuras no sistema de alianças de Washington, uma vez que os países europeus temem as graves consequências econômicas e energéticas que esse bloqueio representa para suas próprias populações, em um contexto de estagnação salarial, aumento do custo de vida e contas de luz cada vez mais caras.
Em relação à posição soberana do gigante asiático, a mídia enfatiza que a China se opõe firmemente ao assédio unilateral e à jurisdição extraterritorial que a Casa Branca está tentando impor. Nesse sentido, afirma que aceitar a pressão de Washington criaria um precedente perigoso, no qual o comércio internacional deixaria de ser regido por regras bilaterais e multilaterais e passaria a estar sujeito aos caprichos da política externa dos EUA, marcando um retorno à "lei da selva".
O veículo de comunicação chinês conclui que nem Pequim nem o restante da comunidade internacional participarão do que chamou de "jogos imprudentes" de Washington, reiterando que a única saída digna para os Estados Unidos é abandonar sua mentalidade de Guerra Fria e sua estratégia de pressão máxima.
"Um cessar-fogo imediato e a cessação das hostilidades, a retomada imediata das negociações de paz, o restabelecimento da navegação pelo estreito [de Ormuz] e o respeito pela autoridade da Carta da ONU: essas têm sido as posições consistentes da China desde o início do conflito e constituem a abordagem que serve aos interesses de todas as partes", conclui o editorial.



