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EUA travam o próprio desenvolvimento ao mirar universidades científicas da China, avalia analista
EUA travam o próprio desenvolvimento ao mirar universidades científicas da China, avalia analista
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Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analista destaca que as restrições dos EUA à cooperação entre universidades chinesas e norte-americanas comprometem o... 24.08.2026, Sputnik Brasil
2026-08-24T16:22-0300
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O governo dos EUA ampliou suas restrições a instituições científicas chinesas, incluindo universidades de grande prestígio entre as entidades consideradas sensíveis para fins de cooperação e transferência de tecnologia.Entre as instituições atingidas estão a Universidade Fudan e a Universidade Jiao Tong de Xangai, ambas integrantes da chamada Liga C9, grupo das principais universidades chinesas frequentemente comparado à Ivy League norte-americana.Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Evandro Menezes de Carvalho, professor da Universidade Politécnica de Macau, explica que o objetivo do governo do presidente estadunidense, Donald Trump, é ampliar a política protecionista para blindar o mercado interno ao mesmo tempo que busca evitar que a China se desenvolva.Ele acrescenta que a vertente de direita que governa vários países do mundo hoje tem uma dificuldade muito grande com relação ao tema da ciência, mas nos EUA isso é agravado pela estratégia do atual governo de buscar um "inimigo externo" — nesse caso, a China."O Trump começa a fazer um escrutínio pesado, muito forte dos chineses que estão nos EUA estudando em áreas que são consideradas importantes para o campo da tecnologia, da inovação, sobretudo das engenharias, essa área de computação."Somado a isso, Carvalho acrescenta que a gestão Trump "joga uma cartada extremamente exagerada e sem nenhum tipo de base fática" ao colocar algumas universidades chinesas como instituições sensíveis, ou seja, instituições em que os EUA não confiam e com as quais não desejam estabelecer relações.Na visão de Carvalho, com relação às instituições científicas, o mais provável é que essa estratégia norte-americana resulte no que ocorreu em outras áreas: as universidades chinesas vão continuar a se desenvolver, e quem acaba se prejudicando com as medidas do governo Trump são as próprias universidades estadunidenses."Não só professores e professoras chineses estão deixando os EUA para ir para a China ou outros lugares, como também houve uma redução significativa de estudantes chineses decidindo ir estudar nos EUA. Isso tem impactado inclusive o orçamento das universidades de ponta americana, que dependiam desses [estudantes] chineses, que eram uma parte importante do orçamento."Carvalho considera que esse cenário, em parte, é fruto do declínio da hegemonia norte-americana, que se deve aos próprios EUA, tendo se intensificado com a resposta de Washington ao ataque do 11 de Setembro. Houve uma guerra global ao terrorismo, com ações que "atropelaram" as Nações Unidas, como a invasão ao Iraque.Segundo o especialista, foi nesse momento que a liderança dos EUA passou a ser questionada, fenômeno que se acelerou com a chegada de Trump à Casa Branca em 2017."O mundo não mais confia nos EUA, isso é fato. Se um ou outro país acaba acatando uma proposta americana, é muito grave, porque é muito mais pelo temor das consequências de desagradar os EUA do que por uma consciência da importância de seguir aquela direção, o que acontecia muito depois da Segunda Guerra Mundial. Os EUA exerciam uma certa liderança que convencia boa parte do mundo. Hoje não convence mais."Por outro lado, Carvalho aponta que a China faz o caminho inverso, mostrando-se um parceiro mais confiável do que os EUA para fazer negócios e que "dá menos dor de cabeça".
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EUA travam o próprio desenvolvimento ao mirar universidades científicas da China, avalia analista
16:22 24.08.2026 (atualizado: 19:22 24.08.2026) Especiais
Ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, analista destaca que as restrições dos EUA à cooperação entre universidades chinesas e norte-americanas comprometem o orçamento das instituições estadunidenses e não impedem a China de continuar se desenvolvendo.
O governo dos
EUA ampliou suas restrições a instituições científicas chinesas,
incluindo universidades de grande prestígio entre as entidades consideradas sensíveis para fins de cooperação e transferência de tecnologia.
Entre as instituições atingidas estão a Universidade Fudan e a Universidade Jiao Tong de Xangai, ambas integrantes da chamada Liga C9, grupo das principais universidades chinesas frequentemente comparado à Ivy League norte-americana.
Em entrevista ao podcast Mundioka, da Sputnik Brasil, Evandro Menezes de Carvalho, professor da Universidade Politécnica de Macau, explica que o objetivo do governo do presidente estadunidense, Donald Trump, é ampliar a política protecionista para blindar o mercado interno ao mesmo tempo que busca evitar que a China se desenvolva.
"Nesse objetivo, os EUA têm falhado fragorosamente, tanto que a China continua crescendo do ponto de vista do comércio internacional e obtendo êxitos importantes no que diz respeito ao tema da tecnologia", avalia.
Ele acrescenta que a vertente de direita que governa vários países do mundo hoje tem uma dificuldade muito grande
com relação ao tema da ciência, mas
nos EUA isso é agravado pela estratégia do atual governo de buscar um "inimigo externo" — nesse caso, a China.
"O Trump começa a fazer um escrutínio pesado, muito forte dos chineses que estão nos EUA estudando em áreas que são consideradas importantes para o campo da tecnologia, da inovação, sobretudo das engenharias, essa área de computação."
Somado a isso, Carvalho acrescenta que a gestão Trump "joga uma cartada extremamente exagerada e sem nenhum tipo de base fática" ao colocar algumas universidades chinesas como instituições sensíveis, ou seja, instituições em que os EUA não confiam e com as quais não desejam estabelecer relações.
"Alguns estados dos EUA […] estão adotando políticas bem restritivas em relação à cooperação entre as universidades americanas com as universidades chinesas. É o caso, por exemplo, do Texas. Então os professores não são encorajados a viajar à China, a estabelecer parcerias", afirma o especialista.
Na visão de Carvalho, com relação às instituições científicas, o mais provável é que essa estratégia norte-americana resulte no que ocorreu em outras áreas:
as universidades chinesas vão continuar a se desenvolver, e quem acaba se prejudicando com as medidas do governo Trump são as próprias
universidades estadunidenses."Não só professores e professoras chineses estão deixando os EUA para ir para a China ou outros lugares, como também houve uma redução significativa de estudantes chineses decidindo ir estudar nos EUA. Isso tem impactado inclusive o orçamento das universidades de ponta americana, que dependiam desses [estudantes] chineses, que eram uma parte importante do orçamento."
Carvalho considera que esse cenário, em parte, é fruto do declínio da hegemonia norte-americana, que se deve aos próprios EUA, tendo se intensificado com a resposta de Washington ao ataque do 11 de Setembro. Houve uma guerra global ao terrorismo, com ações que "atropelaram" as Nações Unidas, como a invasão ao Iraque.
Segundo o especialista, foi nesse momento que a liderança dos EUA passou a ser questionada, fenômeno que se acelerou com a chegada de Trump à Casa Branca em 2017.
"O mundo não mais confia nos EUA, isso é fato. Se um ou outro país acaba acatando uma proposta americana, é muito grave, porque é muito mais pelo temor das consequências de desagradar os EUA do que por uma consciência da importância de seguir aquela direção, o que acontecia muito depois da Segunda Guerra Mundial. Os EUA exerciam uma certa liderança que convencia boa parte do mundo. Hoje não convence mais."
Por outro lado, Carvalho aponta que a China faz o caminho inverso, mostrando-se um parceiro mais confiável do que os EUA para fazer negócios e que "dá menos dor de cabeça".
"E mais do que isso, não há risco de prejudicar o próprio povo e reduzir o poder soberano do país. Ou seja, a China tem adotado uma linha de atuação que faz com que, bem ao estilo da sua história, ela lidere pelo exemplo, não fazendo guerras."
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