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A exemplo de El Salvador: 4 países que apostaram e depois recuaram no uso das criptomoedas
A exemplo de El Salvador: 4 países que apostaram e depois recuaram no uso das criptomoedas
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Há cinco anos, o governo de El Salvador adotou oficialmente a criptomoeda Bitcoin como moeda de curso legal, ao lado do dólar, tornando-se o primeiro país do... 08.09.2026, Sputnik Brasil
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A experiência pioneira, no entanto, durou pouco tempo. Em janeiro deste ano, o governo salvadorenho recuou e revogou as medidas que tornavam o Bitcoin obrigatório após fechar um acordo com o Fundo Monetário Internacional por um empréstimo de US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 7,1 bilhões). Durante a negociação do acordo, o FMI apontou não haver evidências de que a adoção tivesse melhorado a inclusão financeira no país: apenas 20% das empresas salvadorenhas aceitavam a Bitcoin e somente 4,9% das vendas no país eram pagas com a criptomeoda.Atualmente, o uso das criptomoedas no país se restringe a cidadãos e empresas privadas, e sua aceitação passou de obrigatória a opcional.A experiência El Salvador traz uma reflexão sobre os riscos e benefícios do uso de criptomoedas como instrumento de política econômica. A Sputnik Brasil preparou uma lista de países que decidiram adotar oficialmente as criptomoedas e depois recuaram da medida diante de problemas.República Centro-AfricanaEm abril de 2022, a República Centro-Africana tornou a Bitcoin moeda de curso legal, tornando-se o segundo país do mundo a fazê-lo, após El Salvador.A medida enfrentou problemas jurídicos e econômicos e acabou sendo revertida poucos meses depois, após questionamentos de constitucionalidade e oposição do banco central regional. O projeto não trouxe os benefícios esperados para a população, que continuou a utilizar o franco CFA como principal moeda.Um dos problemas enfrentados foi que somente cerca de 10% a 15% da população do país tem acesso a internet e eletricidade estável no país, o que inviabiliza o uso de criptomoedas. Além disso, houve pressão contra a medida por parte do FMI e da Comunidade Econômica e Monetária da África Central (CEMAC).ChinaEm 2021, a China proibiu totalmente as transações e a mineração de criptomoedas, tomando um rumo oposto ao que dez anos antes havia colocado o país na dianteira global tanto no volume de negociação quanto no poder de mineração de criptomoedas.A mudança do governo chinês em relação às criptomoedas teve como justificativa conter riscos de fraudes financeiras, controlar a fuga de capitais do país, evitar o alto consumo de energia gerado pela mineração dos ativos digitais, que ia na contramão das metas ambientais traçadas pelo governo, e abrir espaço para o yuan digital, a moeda digital oficial do Banco Central chinês.Em fevereiro deste ano, a China reafirmou a proibição das criptomoedas, e reforçou a proibição ampliando a supervisão sobre stablecoins, que são criptomoedas projetadas para uma paridade de preço a uma moeda padrão, como o dólar, e a tokenização de ativos reais, que consiste em transformar um bem físico ou direito financeiro em uma representação digital.VenezuelaNo final de 2017, o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, lançou o Petro, uma criptomoeda estatal. O ativo digital não era uma criptomoeda descentralizada, mas criada pelo próprio Estado venezuelano, que seria lastreada em petróleo e outros ativos.O Petro foi promovido como uma alternativa ao dólar e às sanções internacionais, porém, o ativo nunca conseguiu obter adoção significativa e acabou sendo descontinuado em 2024.NigériaA relação da Nigéria com as criptomoedas é bastante volátil. Em 2017, o Banco Central da Nigéria emitiu um alerta aos bancos comerciais instruindo-os a evitar transações com criptomeodas por conta da falta de rastreabilidade, regulação e risco de uso para lavagem de dinheiro.Em 2021, o governo foi além, endurecendo as regras e ordenando o fechamento de contas ligadas a criptomoedas. Em 2023, o governo reverteu a medida, em uma tentativa de regular o setor. Um ano depois, o país baniu sites de corretores de criptomoedas, para conter a desvalorização da naira, a moeda local.Em julho deste ano, em uma nova tentativa de harmonizar o uso de criptmoedas e combater fraudes e crimes financeiros com uso do ativo digital, o presidente nigeriano, Bola Tinubu, assinou uma ordem executiva para aprimorar a regulamentação.
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A exemplo de El Salvador: 4 países que apostaram e depois recuaram no uso das criptomoedas
Redação
Equipe da Sputnik Brasil
Há cinco anos, o governo de El Salvador adotou oficialmente a criptomoeda Bitcoin como moeda de curso legal, ao lado do dólar, tornando-se o primeiro país do mundo a tomar essa medida.
A experiência pioneira, no entanto, durou pouco tempo. Em janeiro deste ano, o governo salvadorenho recuou e revogou as medidas que tornavam o Bitcoin obrigatório após fechar um acordo com o Fundo Monetário Internacional por um empréstimo de US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 7,1 bilhões). Durante a negociação do acordo, o FMI apontou não haver evidências de que a adoção tivesse melhorado a inclusão financeira no país: apenas 20% das empresas salvadorenhas aceitavam a Bitcoin e somente 4,9% das vendas no país eram pagas com a criptomeoda.
Atualmente, o
uso das criptomoedas no país se restringe a cidadãos e empresas privadas, e sua aceitação passou de obrigatória a opcional.
A experiência El Salvador traz uma reflexão sobre os riscos e benefícios do uso de criptomoedas como instrumento de política econômica. A Sputnik Brasil preparou uma lista de países que decidiram adotar oficialmente as criptomoedas e depois recuaram da medida diante de problemas.
República Centro-Africana
Em abril de 2022, a República Centro-Africana tornou a Bitcoin moeda de curso legal, tornando-se o segundo país do mundo a fazê-lo, após El Salvador.
A medida enfrentou problemas jurídicos e econômicos e acabou sendo revertida poucos meses depois, após questionamentos de constitucionalidade e oposição do banco central regional. O projeto não trouxe os benefícios esperados para a população, que continuou a utilizar o franco CFA como principal moeda.
Um dos problemas enfrentados foi que somente cerca de 10% a 15% da população do país tem acesso a internet e eletricidade estável no país, o que inviabiliza o uso de criptomoedas. Além disso, houve pressão contra a medida por parte do FMI e da Comunidade Econômica e Monetária da África Central (CEMAC).
Em 2021, a China proibiu totalmente as transações e a mineração de criptomoedas, tomando um rumo oposto ao que dez anos antes havia colocado o país na dianteira global tanto no volume de negociação quanto no poder de mineração de criptomoedas.
A mudança do governo chinês em relação às criptomoedas teve como justificativa conter riscos de fraudes financeiras, controlar a fuga de capitais do país, evitar o alto consumo de energia gerado pela mineração dos ativos digitais, que ia na contramão das metas ambientais traçadas pelo governo, e abrir espaço para o yuan digital, a moeda digital oficial do Banco Central chinês.
Em fevereiro deste ano, a China reafirmou a proibição das criptomoedas, e reforçou a proibição ampliando a supervisão sobre stablecoins, que são criptomoedas projetadas para uma paridade de preço a uma moeda padrão, como o dólar, e a tokenização de ativos reais, que consiste em transformar um bem físico ou direito financeiro em uma representação digital.
No final de 2017, o governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro,
lançou o Petro, uma criptomoeda estatal. O ativo digital não era uma criptomoeda descentralizada, mas criada pelo próprio Estado venezuelano, que seria lastreada em petróleo e outros ativos.
O Petro foi promovido como uma alternativa ao dólar e às sanções internacionais, porém, o ativo nunca conseguiu obter adoção significativa e acabou sendo descontinuado em 2024.
A relação da Nigéria com as criptomoedas é bastante volátil. Em 2017, o Banco Central da Nigéria emitiu um alerta aos bancos comerciais instruindo-os a evitar transações com criptomeodas por conta da falta de rastreabilidade, regulação e risco de uso para lavagem de dinheiro.
Em 2021, o governo foi além, endurecendo as regras e ordenando o fechamento de contas ligadas a criptomoedas. Em 2023, o governo reverteu a medida, em uma tentativa de regular o setor. Um ano depois, o país baniu sites de corretores de criptomoedas, para conter a desvalorização da naira, a moeda local.
Em julho deste ano, em uma nova tentativa de harmonizar o uso de criptmoedas e
combater fraudes e crimes financeiros com uso do ativo digital, o presidente nigeriano, Bola Tinubu, assinou uma ordem executiva para aprimorar a regulamentação.
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