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'Não pode nem deve acontecer': os mexicanos realmente apoiam uma intervenção dos EUA?
'Não pode nem deve acontecer': os mexicanos realmente apoiam uma intervenção dos EUA?
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Um veículo de imprensa vazou os resultados de uma suposta pesquisa realizada pelo Departamento de Estado dos EUA, na qual, segundo o relato, a maioria dos... 16.09.2026, Sputnik Brasil
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De acordo com a publicação, o estudo foi aplicado a mil mexicanos maiores de idade, que disseram aprovar ações a serem realizadas pelos Estados Unidos, variando desde acusações judiciais gerais até operações militares.Os resultados desse suposto estudo — que não indica o instituto de pesquisa nem a metodologia utilizada — surgem em meio a divergências entre os EUA e o México sobre segurança e a uma onda de acusações por parte de várias autoridades norte-americanas, como Marco Rubio (secretário de Estado), que, durante sua viagem pela América do Sul, afirmou que as ações da nação não eram "nem de longe suficientes" para combater o crime organizado.Sobre a pesquisa e seus resultados, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum descartou o estudo e rejeitou a ideia de que a maioria de seus compatriotas seja favorável a uma intervenção. "É absurda", afirmou.'Não é crível'O México é um país cuja história é marcada por intervenções estrangeiras — enfrentadas pelo povo —, razão pela qual "não é crível" que a maioria dos compatriotas aprove esse tipo de ação, como aponta a suposta pesquisa, disse o analista político mexicano Josafat Hernández à Sputnik.As tentativas de ingerência dos Estados Unidos no México "não são novas", afirmou Hernández, ressaltando que, historicamente, o país norte-americano tem voltado seus olhos não apenas para os recursos do território mexicano, mas para os de toda a região.O que dizem os mexicanos?José Martínez é mexicano de nascimento, mas vive na Califórnia, nos Estados Unidos, há mais de 50 anos. Lá, diz ele, a política migratória do governo de Donald Trump tem cobrado seu preço."Estão levando pessoas de bem que estão lá apenas para trabalhar", denuncia em entrevista à Sputnik, referindo-se às batidas realizadas pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês). No entanto, neste 15 de setembro, ele aparece sorridente na praça do Zócalo, na capital mexicana, para onde viajou a fim de celebrar as festas pátrias. Sobre a possibilidade de Washington realizar alguma intervenção em território mexicano, o senhor José é categórico ao dizer que "isso não pode nem deve acontecer. Que nem ousem, isso não deve ser feito. Com certeza, se isso acontecer, todos os mexicanos virão para cá lutar pelo México, garanto isso", diz ele, referindo-se aos mais de 40 milhões de mexicanos que vivem nos Estados Unidos.Bárbara concorda com essa posição, enfatizando que o México "é um país muito livre e soberano, e nós sabemos seguir em frente e nos defender de tudo isso. Não precisamos de ninguém".Para Gabriel, a hipótese de os Estados Unidos realizarem algum tipo de operação é pouco provável, mas, se isso acontecesse, "eles iriam querer tomar o poder do país aos poucos, como aconteceu com a Venezuela e com outros países". 'Os EUA têm usado o México como saco de pancadas'Segundo o especialista Hernández, a visão de Sheinbaum sobre o uso político do país latino-americano, com vistas às eleições de novembro próximo no vizinho do norte, está correta.Nesse sentido, ele observou que, para os EUA — que atualmente enfrentam pelo menos três conflitos abertos, além de uma economia e uma hegemonia em declínio —, é vantajoso projetar a imagem de um país forte e pacificador perante o México. "Por um lado, há essa questão eleitoral que, mais uma vez, volta a ser um tema conjuntural e estrutural, pois o trumpismo, o tempo todo — desde a sua primeira campanha até os dias de hoje —, tem usado o México como saco de pancadas, como saco de pancadas político-eleitoral", acrescentou o especialista.
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'Não pode nem deve acontecer': os mexicanos realmente apoiam uma intervenção dos EUA?
Um veículo de imprensa vazou os resultados de uma suposta pesquisa realizada pelo Departamento de Estado dos EUA, na qual, segundo o relato, a maioria dos mexicanos seria favorável a uma intervenção no país latino-americano sob o argumento de combater o crime organizado.
De acordo com a publicação,
o estudo foi aplicado a
mil mexicanos maiores de idade, que disseram
aprovar ações a serem realizadas pelos Estados Unidos, variando desde acusações judiciais gerais até operações militares.
Os resultados desse suposto estudo — que não indica o instituto de pesquisa nem a metodologia utilizada — surgem em meio a
divergências entre os EUA e o México sobre segurança e a uma onda de acusações por parte de várias autoridades norte-americanas, como
Marco Rubio (secretário de Estado), que, durante sua viagem pela América do Sul, afirmou que as ações da nação não eram
"nem de longe suficientes" para combater o crime organizado.
Sobre a pesquisa e seus resultados, a presidente mexicana Claudia Sheinbaum descartou o estudo e rejeitou a ideia de que a maioria de seus compatriotas seja favorável a uma intervenção. "É absurda", afirmou.
"A grande maioria dos mexicanos — por nossa história, pelo que somos, pelo sentimento nacionalista, pelo orgulho de ser mexicano e porque, além disso, veem que há trabalho sendo feito — é contra qualquer intervenção estrangeira, seja ela qual for, e particularmente dos Estados Unidos."
O México é um país cuja história é marcada por intervenções estrangeiras — enfrentadas pelo povo —, razão pela qual "não é crível" que a maioria dos compatriotas aprove esse tipo de ação, como aponta a suposta pesquisa, disse o analista político mexicano Josafat Hernández à Sputnik.
"Temos toda uma grande história que nos faz encarar com desconfiança qualquer tentativa estrangeira de vir resolver nossos próprios problemas. No México, sempre dissemos ao mundo: 'Nós mesmos damos conta; não precisamos que venham nos ensinar, de forma colonial ou imperialista, como combater as drogas'."
As tentativas de ingerência dos Estados Unidos no México "não são novas", afirmou Hernández, ressaltando que, historicamente, o país norte-americano tem voltado seus olhos não apenas para os recursos do território mexicano, mas para os de toda a região.
"Fizeram isso na Venezuela e querem fazer no México. É evidente o apetite do império por ocupar terras mexicanas; é algo histórico, algo que acontece há séculos, e parece-me que agora o pretexto é a questão da falta de segurança."
O que dizem os mexicanos?
José Martínez é mexicano de nascimento, mas vive na Califórnia, nos Estados Unidos, há mais de 50 anos. Lá, diz ele, a política migratória do governo de Donald Trump tem cobrado seu preço.
"Estão levando pessoas de bem que estão lá apenas para trabalhar", denuncia em entrevista à Sputnik, referindo-se às batidas realizadas pelo Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, na sigla em inglês). No entanto, neste 15 de setembro, ele aparece sorridente na praça do Zócalo, na capital mexicana, para onde viajou a fim de celebrar as festas pátrias.
"Sempre que chegamos aqui, nosso coração se enche de alegria."
Sobre a possibilidade de Washington realizar alguma intervenção em território mexicano, o senhor José é categórico ao dizer que "isso não pode nem deve acontecer. Que nem ousem, isso não deve ser feito. Com certeza, se isso acontecer, todos os mexicanos virão para cá lutar pelo México, garanto isso", diz ele, referindo-se aos mais de 40 milhões de mexicanos que vivem nos Estados Unidos.
Bárbara concorda com essa posição, enfatizando que o México "é um país muito livre e soberano, e nós sabemos seguir em frente e nos defender de tudo isso. Não precisamos de ninguém".
Para Gabriel, a hipótese de os Estados Unidos realizarem algum tipo de operação é pouco provável, mas, se isso acontecesse, "eles iriam querer tomar o poder do país aos poucos, como aconteceu com a Venezuela e com outros países".
'Os EUA têm usado o México como saco de pancadas'
Segundo o especialista Hernández, a visão de Sheinbaum sobre o uso político do país latino-americano, com vistas às eleições de novembro próximo no vizinho do norte, está correta.
"Fica muito claro que, neste momento, é conveniente para o governo dos Estados Unidos tentar tirar proveito da ideia de que o México precisa de ajuda para combater os cartéis de drogas."
Nesse sentido, ele observou que, para os EUA — que atualmente enfrentam pelo menos três conflitos abertos, além de uma economia e uma hegemonia em declínio —, é vantajoso projetar a imagem de um país forte e pacificador perante o México.
"É vantajoso para eles se apresentarem ao público em geral como aqueles que vão pacificar não apenas os Estados Unidos, mas também o México, pois são tão magnânimos que querem vir acabar com os cartéis de drogas. Isso caminha lado a lado com o discurso do 'America First', com o qual tentam intervir em outros países."
"Por um lado, há essa questão eleitoral que, mais uma vez, volta a ser um tema conjuntural e estrutural, pois o trumpismo, o tempo todo — desde a sua primeira campanha até os dias de hoje —, tem usado o México como saco de pancadas, como saco de pancadas político-eleitoral", acrescentou o especialista.
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