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'Coca-Cola anti-imperialista', bebida medieval que desafiou império americano é negócio em São Paulo

Bebida kvass está em São Paulo, na Feira Viva, de imigrantes do Leste Europeu da Vila Zelina. São Paulo, 20 de setembro de 2026
Bebida kvass está em São Paulo, na Feira Viva, de imigrantes do Leste Europeu da Vila Zelina. São Paulo, 20 de setembro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 20.09.2026
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O kvass, bebida que soviéticos posicionaram como resposta ideológica à Coca-Cola durante a Guerra Fria, está nas feiras paulistanas.
Rogério Sventkauskas, produtor de ascendência lituana, transforma o fermentado medieval em produto comercial na Feira Viva, organizada pela comunidade de imigrantes do Leste Europeu da Vila Zelina.
O fermentado, feito de pão preto de centeio, água e malte, é uma bebida tradicional de países Eslavos e Bálticos que remonta a séculos. "Desenvolvi o kvass aqui no Brasil, mantendo a tradição que conhecia da Lituânia."
A família de Sventkauskas imigrou para o Brasil em 1927, segundo ele, que é da terceira geração nascida no país e que cultiva tradições através de produtos fermentados. Sua produção permanece em escala de feira, ainda não é industrial, mas Rogério espera ampliar a quantidade.
O kvass é produzido através de processo tradicional: pão de centeio é cortado em tiras, levemente torrado, e depois tem água quente adicionada para converter o amido em açúcar. O resultado é uma bebida levemente fermentada com notas características de centeio torrado.
Sventkauskas aponta uma particularidade do produto no mercado brasileiro.
"Quando o brasileiro toma kvass, faz analogia com café, chá mate, catuaba. Mas na verdade está tomando centeio torrado. É preciso habituar o paladar."
Historicamente, o kvass ganhou relevância política durante a União Soviética, quando foi resgatado como alternativa à Coca-Cola, movimento que combinava nacionalismo com crítica ao imperialismo.
Campanhas soviéticas a chamavam de "Coca-Cola Comunista". Marcas comerciais como "Nikola" (cujo nome em russo soa como "Not Cola") lançaram slogans como: "Não à cola-nização. Kvass. Pela saúde da nação."
"Na União Soviética, como não entravam multinacionais, eles resgatavam a tradição de aldeia e faziam algo para chegar perto do refrigerante cola", explica Sventkauskas.
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A bebida conquistou espaço novamente em mercados da Europa Oriental entre 2005 e 2007, segundo pesquisas de mercado, que apontaram aumento de 32% nas vendas frente a uma redução de 37% do refrigerante de cola em Moscou. Em 2008, a própria Coca-Cola lançou sua versão do kvass.
No Brasil, a Feira Viva! funciona como veículo de preservação cultural. Tamara Gers Dimitrov, organizadora do evento, descreve o resultado como "sucesso tanto para vendedores quanto para frequentadores."
Sventkauskas vê o empreendimento como parte de um projeto maior.

"É trabalho de formiguinha. Assim como a Feira da Liberdade começou pequena e a cultura japonesa expandiu, a gente quer fazer o mesmo com a cultura do Leste Europeu. Um dia teremos mais restaurantes desses países em São Paulo".

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