Europa alerta para dependência dos EUA na corrida por armas e munições, diz mídia

© AP Photo / Matt Slocum
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A Europa intensifica planos para ampliar sua produção de armas, mas o CEO da Nammo alerta que o continente não consegue se suprir sozinho e depende da cadeia integrada com os EUA, citando mísseis usados nos caças F‑35 como exemplo dessa interdependência.
Segundo avaliação do CEO de uma das maiores fabricantes de munições da Europa, a Nammo, Morten Brandtzæg, a Europa não consegue suprir as necessidades de defesa da região sozinha e depende de uma produção integrada com os EUA.
Falando à mídia britânica, o CEO afirma que o aumento da fabricação de armas deve ser visto como um esforço conjunto dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), já que a cadeia de suprimentos é profundamente interligada.
Brandtzæg cita o exemplo dos mísseis ar-ar avançados de médio alcance (AMRAAM, na sigla em inglês) usados pelos caças F‑35. Ele lembra que os motores de foguete, produzidos pela Nammo na Noruega, são enviados aos EUA, integrados pela Raytheon e depois retornam à Europa para equipar aeronaves ali operadas, logo, reorganizar essa cadeia para produzir tudo apenas na Europa seria inviável no curto prazo.
O alerta do executivo surge em um momento em que países europeus buscam reduzir a dependência de tecnologias norte-americanas, em meio a tensões com o governo de Donald Trump e atrasos na entrega de sistemas de armas dos EUA já contratados.
Washington já avisou aliados que enfrentariam longas esperas por equipamentos, pois os EUA priorizam recompor estoques esgotados pela guerra no Oriente Médio. Isso levou alguns governos a buscar alternativas nacionais ou europeias, ampliando o debate sobre autonomia industrial.
Ainda segundo a apuração, durante um evento na base da Nammo em Raufoss, Brandtzæg pediu que decisões políticas de curto prazo não comprometam a ambição de longo prazo de manter a cooperação transatlântica. Ele afirmou que a empresa está expandindo sua produção nos EUA, o que libera capacidade adicional nas fábricas europeias.
O executivo descreveu essa necessidade por coordenação como uma "sinfonia cuidadosamente orquestrada" entre aliados, ressaltando que a interdependência industrial é parte estrutural da defesa ocidental.
Mas, a urgência para manter a prontidão europeia preocupa as autoridades da região que podem acabar desagradando os EUA ao buscarem por sistemas europeus. Atrasos no sistema Patriot, por exemplo, empurraram entregas para a próxima década, estimulando países como a Dinamarca a optar pelo sistema europeu SAMP‑T NG.
Segundo Patrice Caine, CEO da Thales, cerca de uma dúzia de países europeus e do Oriente Médio demonstraram interesse no SAMP‑T NG, motivados tanto pelo desempenho quanto pela disponibilidade. A empresa também negocia com o Reino Unido o fornecimento de foguetes guiados a laser produzidos na Bélgica, diante da escassez do Hydra‑70 norte-americano.


